
O mercado de milho enfrenta forte pressão no início de 2026, de acordo com levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Os preços do cereal apresentaram novas quedas em regiões importantes, resultado de uma oferta abundante e uma demanda interna em retração.
Segundo os pesquisadores do Cepea, a redução das cotações se deve ao clima favorável que beneficiou o desenvolvimento das lavouras no Brasil e ao avanço da colheita da safra de verão. Com isso, há aumento na disponibilidade do produto no mercado. Os compradores, por sua vez, continuam a consumir estoques adquiridos anteriormente, diminuindo assim o apetite por novas transações.
Avaliações dos agentes consultados pelo Cepea mostram que, à medida que a colheita da soja acelera nas próximas semanas, é provável que produtores de milho intensifiquem a oferta. Esse movimento visa liberar espaço nos armazéns e reforçar o fluxo de caixa, o que pode sustentar a pressão sobre os preços no curto prazo.
No campo, além do progresso da colheita de verão nas regiões Sul e Sudeste, o plantio da segunda safra de milho já começou em algumas áreas do Sul e do Centro-Oeste. Isso sugere um aumento ainda mais pronunciado da oferta nos próximos meses.
Este cenário destaca a cautela com que o mercado vem operando, acompanhando atentamente tanto o ritmo das colheitas quanto o comportamento da demanda interna, especialmente dos setores consumidores do grão.

A Abertura Nacional da Colheita da Soja 2025/26 ocorrerá em 30 de janeiro de 2026 na Fazenda Alto da Serra, em Porto Nacional (TO), simbolizando o início da colheita da principal cultura agrícola do Brasil. Organizado pelo Canal Rural e Aprosoja Brasil, o evento contará com palestras, apresentações de cases de sucesso e análises climáticas. O tema central é a transformação econômica e social impulsionada pela soja. A cerimônia incluirá autoridades do agronegócio e terminará com a entrada das máquinas no campo, seguida de um almoço de confraternização.

Os preços do milho estão caindo nas principais regiões monitoradas pelo Cepea. Essa redução é atribuída à maior oferta, favorecida pelo clima positivo e progresso da colheita da safra de verão, além de uma demanda interna mais fraca.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou estimativas para a área plantada de grãos na safra 2026/27, totalizando 90,65 milhões de hectares, abaixo dos 91,18 milhões da temporada anterior. As estimativas para soja, milho e trigo mostram uma leve redução na área total, com aumento na área de soja devido à maior rentabilidade. A área plantada de milho e trigo está prevista para diminuir, refletindo mudanças de cultivo e participação no Programa de Reserva de Conservação.

O governo atualizou os percentuais de bônus do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) para fevereiro, ampliando os descontos no Pronaf para produtores familiares. Os ajustes visam proteger a renda dos agricultores frente às discrepâncias entre os preços de mercado e os valores de garantia. Destaques incluem a manga no Rio de Janeiro e São Paulo, batata no Paraná e cebola no Rio Grande do Sul. Mudanças na lista de produtos beneficiados incluem a adição do milho na Bahia e a exclusão de produtos como tomate e abacaxi. No Sul do Brasil, a colheita de milho continua com baixo ritmo de negociações devido ao clima instável. Na Bolsa de Chicago, o mercado de milho permanece estável, sustentado pela demanda global e aumento nas exportações dos EUA. Na B3, os preços futuros encerram estáveis, refletindo a baixa liquidez e as negociações internas lentas. As perspectivas indicam estabilidade nos preços a curto prazo, com atenção ao impacto da nova safra e exportações.

O tabaco consolidou sua posição como principal produto exportado pelo Rio Grande do Sul no início de 2026, com vendas de US$ 206,5 milhões e 33,4 mil toneladas em janeiro. Isso destaca a importância histórica e econômica da cadeia produtiva de tabaco para o comércio exterior gaúcho, superando produtos como tortas de soja, trigo e óleo de soja. O Vale do Rio Pardo e arredores são regiões chave para a produção, que continua impulsionada pela demanda internacional. O perfil das exportações gaúchas inclui forte predominância do agronegócio, com destaque também para produtos semi-industrializados e segmentos industriais, como polímeros, autopeças e máquinas agrícolas.