
Transformação no Agro Gaúcho: Adaptação Tecnológica e Sustentabilidade com Ubirajara Fontoura
O engenheiro agrônomo Ubirajara Garcia Fontoura destaca a importância de adaptar tecnologias à realidade local dos produtores no Rio Grande do Sul, em vez de simplesmente importá-las de outras regiões. Em entrevista ao podcast Diálogos Cotrisul, Fontoura ressalta que os maiores ganhos de produtividade no Brasil ocorreram com a validação e adaptação do conhecimento científico às condições específicas de solo, clima e manejo, com envolvimento direto dos produtores. Ele enfatiza o solo como ativo estratégico e as práticas de rotação de culturas e sistemas integrados como fundamentais para a resiliência das lavouras. A entrevista, disponível no canal da Cotrisul no YouTube, sublinha o papel das cooperativas na conexão entre pesquisa e produtor.
A Adaptação Tecnológica e o Futuro do Agronegócio no Rio Grande do Sul
A adaptação de tecnologias à realidade local dos produtores rurais do Rio Grande do Sul é essencial para aumentar a produtividade agrícola. Essa é a visão do engenheiro agrônomo Ubirajara Garcia Fontoura, figura central na modernização da agricultura brasileira nos anos 1970 e 1980.
Fontoura, natural de Caçapava do Sul, iniciou sua carreira no cooperativismo e pesquisa científica, com raízes profundas na Embrapa e no desenvolvimento da Secretaria de Agricultura do Mato Grosso do Sul. Em entrevista ao podcast Diálogos Cotrisul, ele destacou a importância de não apenas transferir, mas de adaptar, o conhecimento científico às condições locais de solo, clima e manejo.
“A tecnologia não pode ser simplesmente transferida. Ela precisa ser adaptada. O que funciona no Centro-Oeste nem sempre funciona no Rio Grande do Sul, e é nessa adaptação que está a resposta mais rápida para o produtor.”
Fontoura sublinha que a validação da pesquisa depende do produtor rural, que deve ver a tecnologia funcionando na prática, como no caso de propriedades vizinhas, antes de adotar mudanças significativas.
O Brasil já possui um sistema robusto de geração de conhecimento agropecuário, por meio de instituições de pesquisa, universidades e cooperativas. No entanto, desafios permanecem na transferência eficaz destas inovações para o campo. Os produtores rurais têm um papel central nesse processo, precisando integrar práticas como rotação de culturas, cobertura permanente do solo e sistemas integrados de produção para promover a sustentabilidade econômica, ambiental e social.
Com as estiagens e eventos climáticos extremos se tornando mais comuns, Fontoura reforça a necessidade de se considerar o solo como um ativo estratégico. A sustentabilidade a longo prazo depende destas práticas agrícolas que aumentam a resiliência das lavouras.
Além disso, Fontoura destaca o papel essencial das cooperativas como mediadoras entre pesquisa e produtores. Elas oferecem suporte técnico e estrutura necessária para que inovações transformem-se em resultados práticos no campo.
Fontoura conclui que o futuro do agronegócio no Rio Grande do Sul dependerá da capacidade de adaptação e inovação dos produtores, aliadas a suporte de instituições e mudanças climáticas desafiadoras. O reconhecimento do produtor rural como validador chave pode determinar os rumos da agricultura no estado e além.




