
A adaptação de tecnologias à realidade local dos produtores rurais do Rio Grande do Sul é essencial para aumentar a produtividade agrícola. Essa é a visão do engenheiro agrônomo Ubirajara Garcia Fontoura, figura central na modernização da agricultura brasileira nos anos 1970 e 1980.
Fontoura, natural de Caçapava do Sul, iniciou sua carreira no cooperativismo e pesquisa científica, com raízes profundas na Embrapa e no desenvolvimento da Secretaria de Agricultura do Mato Grosso do Sul. Em entrevista ao podcast Diálogos Cotrisul, ele destacou a importância de não apenas transferir, mas de adaptar, o conhecimento científico às condições locais de solo, clima e manejo.
“A tecnologia não pode ser simplesmente transferida. Ela precisa ser adaptada. O que funciona no Centro-Oeste nem sempre funciona no Rio Grande do Sul, e é nessa adaptação que está a resposta mais rápida para o produtor.”
Fontoura sublinha que a validação da pesquisa depende do produtor rural, que deve ver a tecnologia funcionando na prática, como no caso de propriedades vizinhas, antes de adotar mudanças significativas.
O Brasil já possui um sistema robusto de geração de conhecimento agropecuário, por meio de instituições de pesquisa, universidades e cooperativas. No entanto, desafios permanecem na transferência eficaz destas inovações para o campo. Os produtores rurais têm um papel central nesse processo, precisando integrar práticas como rotação de culturas, cobertura permanente do solo e sistemas integrados de produção para promover a sustentabilidade econômica, ambiental e social.
Com as estiagens e eventos climáticos extremos se tornando mais comuns, Fontoura reforça a necessidade de se considerar o solo como um ativo estratégico. A sustentabilidade a longo prazo depende destas práticas agrícolas que aumentam a resiliência das lavouras.
Além disso, Fontoura destaca o papel essencial das cooperativas como mediadoras entre pesquisa e produtores. Elas oferecem suporte técnico e estrutura necessária para que inovações transformem-se em resultados práticos no campo.
Fontoura conclui que o futuro do agronegócio no Rio Grande do Sul dependerá da capacidade de adaptação e inovação dos produtores, aliadas a suporte de instituições e mudanças climáticas desafiadoras. O reconhecimento do produtor rural como validador chave pode determinar os rumos da agricultura no estado e além.

O mercado global de agroquímicos deverá atingir US$ 243,7 bilhões em 2024, com um crescimento médio anual de 4,9% até 2033, alcançando US$ 375,5 bilhões. Este crescimento é impulsionado pela intensificação agrícola, avanços tecnológicos e adoção de fertilizantes e pesticidas eficientes. Diante da crescente preocupação com a segurança alimentar e sustentabilidade, os agroquímicos são reposicionados como ferramentas de precisão. Há maior demanda por culturas de alto valor, estimulando o uso de agroquímicos. Herbicidas lideram em volume, mas enfrentam desafios regulatórios. A inovação foca em soluções específicas, menos tóxicas e biológicas. A tecnologia, como drones e IA, otimiza a aplicação de agroquímicos, aproximando o setor da agricultura de precisão. Apesar de avanços, há desafios como resistência a pesticidas, preocupações ambientais, e custos de pesquisa e desenvolvimento. A vantagem competitiva será de quem solucionar problemas agrícolas com eficácia e menor impacto.

A produção de soja em Mato Grosso alcança volumes impressionantes, consolidando o estado como o maior produtor de soja do Brasil e destacando-o no cenário mundial. Com projeções próximas a 50 milhões de toneladas, Mato Grosso supera países inteiros, como a Argentina, na produção de soja. Este sucesso é atribuído a investimentos em tecnologia e sustentabilidade. Apesar disso, desafios como logística e armazenagem ainda limitam o potencial do setor. O estado busca melhorar essas áreas para sustentar seu crescimento e aumentar a competitividade no agronegócio global.

O intercâmbio tecnológico entre universidades do Brasil e da China está impulsionando a asininocultura, com foco na criação de asininos e na produção de leite de jumentas. A Universidade Federal Rural de Pernambuco e a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco colaboram com a Universidade de Agricultura da China. Professores brasileiros visitaram o país asiático, explorando avanços em reprodução equídea e manejo produtivo do leite asinino. Destaca-se o potencial econômico da atividade na China e o intercâmbio é visto como vital para a introdução de práticas inovadoras no Brasil. A agenda incluiu biotecnologias reprodutivas e diferentes sistemas de ordenha, reforçando a viabilidade econômica e a sustentabilidade ambiental da asininocultura.

A instabilidade climática e as chuvas persistentes em Mato Grosso impactaram a colheita da soja e atrasaram a semeadura do algodão. O relatório da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (AMPA) sinalizou boa germinação, mas alertou sobre o aumento da pressão de pragas, como o bicudo-do-algodoeiro, após a colheita da soja. Ações de manejo foram intensificadas para combater pragas como mosca-branca, percevejos e lagartas. Apesar dos desafios, as lavouras mostram bom potencial produtivo, embora o risco fitossanitário permaneça elevado, exigindo atenção dos produtores ao manejo integrado de pragas para garantir a produtividade da safra 2025/2026.

O Senar MT realizou a Parceria Educacional 2026 em Cuiabá, com participação de cerca de 900 profissionais, entre instrutores e técnicos, visando capacitar e alinhar suas ações no campo. O evento destacou a importância das diretrizes pedagógicas e metodológicas para melhorar a qualidade dos serviços prestados. O presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, enfatizou o compromisso do Senar MT em garantir a eficácia dos resultados para produtores rurais. A Comissão Famato Mulher também participou, destacando o impacto positivo de mulheres na produção rural. Participantes ressaltaram a necessidade de um tempo de reflexão e qualificação contínua para elevar o padrão das entregas.