
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos iniciou o ano em ritmo mais fraco. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) indicam que o setor registrou queda de 17% na receita líquida de vendas em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando R$ 17,28 bilhões.
O desempenho reforça um cenário de desaceleração no curto prazo, especialmente no mercado doméstico, apesar de sinais pontuais de melhora em exportações e na utilização da capacidade instalada.
No mercado interno, a receita apresentou retração ainda mais intensa: queda de 19%, alcançando R$ 12,8 bilhões em janeiro. O indicador de consumo aparente — que reflete a demanda ao considerar produção e comércio exterior — também caiu, com recuo de 21,5% e total de R$ 26,5 bilhões.
Destaque: a queda no consumo aparente sugere um início de ano com menor tração na demanda por bens de capital, em um ambiente de decisões de investimento mais cautelosas.
As exportações do setor somaram US$ 838,2 milhões em janeiro. Na comparação anual, houve alta de 3,1%, mas, em relação a dezembro, foi registrada queda de 41,4%.
Segundo a Abimaq, o recuo mensal está associado a fatores sazonais e ao efeito de uma base de comparação elevada no mês anterior.
As importações atingiram US$ 2,48 bilhões em janeiro, o que representa queda de 10,3% ante o mesmo mês do ano anterior. Os maiores recuos, de acordo com a entidade, foram observados nos segmentos de bens de consumo e de infraestrutura.
Indicador Resultado Comparação Receita líquida (setor) R$ 17,28 bilhões -17% (ano a ano) Receita no mercado interno R$ 12,8 bilhões -19% (ano a ano) Consumo aparente R$ 26,5 bilhões -21,5% (ano a ano) Exportações US$ 838,2 milhões +3,1% (ano a ano) e -41,4% (mensal) Importações US$ 2,48 bilhões -10,3% (ano a ano) Capacidade instalada 78,6% +0,6% (vs. dezembro) e +4% (ano a ano)
Mesmo com a queda nas vendas, o nível de utilização da capacidade instalada alcançou 78,6% em janeiro. O número representa alta marginal de 0,6% em relação a dezembro e está 4% acima do patamar observado em janeiro do ano anterior.
Já a carteira de pedidos recuou no mês e passou a equivaler a nove semanas. De acordo com a Abimaq, o indicador ficou ligeiramente abaixo da média registrada nos dois anos anteriores, estimada em 9,3 semanas.
Produção e faturamento recuam na abertura do ano, com impacto maior no mercado interno.
Comércio exterior traz sinais mistos: exportações sobem no ano, mas caem no mês; importações diminuem.
Capacidade instalada cresce, enquanto a carteira de pedidos perde força.
Apesar do desempenho de janeiro, a Abimaq mantém uma projeção de crescimento de 3,5% na produção de máquinas e equipamentos ao longo do ano, além de uma alta de cerca de 4% na receita líquida do setor.
A entidade avalia que o avanço deve ser sustentado principalmente pelo mercado doméstico, com expectativa de expansão da demanda próxima de 5,6%. Entre os fatores apontados estão projetos já contratados em infraestrutura e a continuidade dos investimentos nas atividades extrativistas.
Em um cenário de decisão de investimento mais seletiva, a leitura do setor é que o comportamento da demanda interna será determinante para a trajetória do faturamento ao longo dos próximos meses.
No segmento de máquinas e equipamentos agrícolas, a perspectiva é de menor dinamismo. A Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), vinculada à Abimaq, projeta que as vendas no Brasil podem recuar em torno de 5% neste ano.
A avaliação considera, principalmente, o ambiente de juros elevados, que tende a pressionar o crédito e encarecer o custo de financiamento para aquisição de máquinas no campo.
“Em 2026 podemos ter retração nas vendas em relação a 2025, algo em torno de 5% seria bastante razoável”, afirmou o presidente da CSMIA, Pedro Estêvão Bastos, ao comentar o cenário.
Em janeiro, a receita com a venda de máquinas e implementos agrícolas somou R$ 3,6 bilhões, o que representa queda de 15,6% na comparação com um ano antes, de acordo com a Abimaq.
O ambiente externo também entrou no radar do setor. Ao comentar possíveis impactos do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, Bastos afirmou que o quadro aumenta a incerteza e que ainda é cedo para dimensionar efeitos, especialmente em função da duração do conflito.
A tensão vem influenciando os mercados globais e ajudou a impulsionar a alta dos preços do petróleo nesta terça-feira, fator que pode repercutir em custos logísticos e expectativas inflacionárias.
Contexto: oscilações no petróleo e no cenário internacional tendem a afetar cadeias industriais, sobretudo em segmentos com forte dependência de insumos e transporte, além de pressionar decisões de investimento.
Com a combinação de demanda interna mais fraca no início do ano, ajustes no comércio exterior e expectativas de retomada puxada por infraestrutura e mineração, a indústria de máquinas e equipamentos monitora os próximos meses para confirmar se o desempenho de janeiro foi pontual ou sinaliza uma tendência mais prolongada.
Resumo: O artigo acompanha o foco da agenda agrícola no governo de Milei, que prometeu uma “revolução” no setor e a duplicação da colheita de cereais para 300 milhões de toneladas, mantendo cautela fiscal. A política de deduções fiscais de exportação (DEX) permanece central, com reduções já aplicadas à soja, ao trigo e ao milho, o que impacta os produtores, principalmente os de oleaginosas, pelo efeito direto nos preços. Também há ênfase em um novo regime de proteção à propriedade intelectual de sementes para estimular inovação, sob críticas sobre o atraso regulatório em comparação com o Brasil. Entidades como ASA e Carbap disputam a adoção da Lei UPOV 1991 e a forma de conciliar custos e controle sobre as sementes, com a expectativa de que as próximas semanas tragam uma solução definitiva.

Resumo: o consumo de caprinos e ovinos no Irã caiu, elevando a demanda por aves e, consequentemente, as importações de milho. com a moeda local em queda, as compras devem cair, tornando as importações mais caras. a lacuna de demanda iraniana pode ser preenchida pela china, que já foi a maior fornecedora do milho brasileiro, mas isso dependerá do preço e dos estoques. um analista destaca que o Irã foi a salvação das exportações brasileiras em 2025 e, sem ele, não seriam atingidas 40 milhões de toneladas escoadas; outro afirma que a china é carta fora do baralho no momento, após ter abastecido seus estoques e prever reduzir compras por três anos. há ainda a visão de que não há outro comprador com o mesmo potencial de absorção no curto prazo. por fim, parte do milho que deixar de ir ao Irã pode ficar no mercado interno para atender à indústria de etanol de milho.

Resumo: Brasil e Espanha avançam na cooperação em irrigação, gestão sustentável da água e desenvolvimento regional, por meio do Memorando de Entendimentos assinado entre o MIDR e o Ministério da Agricultura espanhol em 2025. O secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, lidera uma delegação com representantes da ANA para intercâmbio de conhecimentos, visitas técnicas a áreas irrigadas e centros de pesquisa na Andaluzia, visando aprender boas práticas, entender marcos regulatórios e fortalecer capacidades institucionais. A missão incluiu visitas ao perímetro irrigado Genil-Cabra, à Comunidade de Irrigantes de Santaella, ao CENTA e à Universidade de Córdoba, com foco em soluções como reutilização de água e uso de gêmeos digitais na agricultura. O objetivo é compartilhar práticas brasileiras, atrair cooperação e investimentos, além de discutir políticas públicas de gestão da água e planejamento hidrológico; a missão será concluída com reunião no Ministério da Agricultura da Espanha.

A guerra no Oriente Médio aumenta a incerteza nas rotas logísticas e no fornecimento de energia, com o estreito de Hormuz, que concentra pelo menos 20% da produção mundial de petróleo, em foco. O Insper Agro Global aponta que desvios de rota, maior percepção de risco e prêmios de seguro elevam os custos de transporte, o que impacta diretamente a cadeia de suprimentos do agronegócio brasileiro. A instabilidade também ameaça o estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez, ampliando riscos para o comércio agropecuário global.

Resumo: Durante fiscalização na BR-277, a Polícia Rodoviária Federal flagrou um caminhão com toras de eucalipto transportando 44 toneladas, 15 acima do limite permitido de 29 t. O motorista, de 34 anos, conduzia com CNH suspensa e já havia sido autuado pela mesma infração em dezembro, caracterizando reincidência. O veículo foi retido e o transbordo da carga excedente foi determinado para que o caminhão seguisse dentro dos limites legais. Ao todo, foram registradas 11 autuações. A PRF reforça que o excesso de peso representa risco à segurança, aumenta a distância de frenagem e danifica o pavimento.