
Governo brasileiro afirma que não há veto chinês a novas plantas e que tratativas continuam em paralelo ao novo sistema de cotas de importação. Setor mantém expectativa por novas autorizações diante do histórico recente e do peso do mercado chinês para a carne brasileira.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) negou nesta quarta-feira (25) que a China tenha suspendido a habilitação de novos frigoríficos brasileiros até 2028. A posição foi confirmada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, que reforçou que as negociações com Pequim seguem em andamento e que não existe, segundo ele, uma determinação chinesa impedindo novas aprovações de plantas brasileiras.
De acordo com Rua, as conversas sobre futuras habilitações continuam em paralelo à implantação de um novo sistema relacionado às cotas de importação. Ele afirmou que nunca houve uma mensagem taxativa das autoridades chinesas contra a entrada de novas unidades e que a pauta segue ativa entre os dois países.
“Essa informação não procede. Isso nunca foi dito pelos chineses e as negociações para aval a novas plantas seguem em paralelo”, declarou o secretário ao ser questionado sobre o tema.
A manifestação do Mapa ocorre após declarações atribuídas ao assessor especial do ministério, Carlos Augustin, que teria dito, na segunda-feira (23), que não haveria novas habilitações durante o período de vigência das cotas — horizonte previsto até 2028. A fala repercutiu no setor e ampliou a percepção de que o ciclo de aprovação de plantas poderia ficar travado por vários anos.
O secretário, no entanto, desmentiu essa interpretação e sustentou que a discussão sobre habilitações não foi encerrada. Segundo a pasta, as tratativas seguem, mesmo com a preparação de mecanismos de controle de volumes exportados.
No centro do debate está a convivência entre dois temas sensíveis: a ampliação do número de plantas habilitadas e a organização dos embarques dentro do limite de cota e das regras comerciais em negociação.
O Brasil mantém um contingente expressivo de estabelecimentos prontos para exportar ao mercado chinês, mas ainda dependentes da autorização final de Pequim. A indústria segue atenta ao ritmo das análises e ao calendário diplomático, mas o histórico recente alimenta o otimismo.
Em espera: mais de 50 frigoríficos de bovinos, aves e suínos já cumpriram exigências técnicas e aguardam liberação.
Plantas ativas: 67 estabelecimentos estão autorizados a vender carne bovina para a China, com 3 suspensos temporariamente.
Precedente relevante: em 2024, a China habilitou 38 unidades de uma só vez, em um movimento considerado recorde pelo setor.
Com base nesse precedente, parte da indústria avalia que novas autorizações podem ser anunciadas ainda em 2026, dependendo do avanço das negociações e do alinhamento entre as exigências sanitárias e os critérios de habilitação.
A China permanece como o destino mais importante para a proteína brasileira, sustentando volumes e receita em patamares elevados. Em 2025, o faturamento com as vendas de carne bovina ao país asiático ficou próximo de US$ 8,9 bilhões, o que reforça a relevância estratégica do mercado para a pecuária e para a balança comercial.
Ao mesmo tempo, o governo brasileiro trabalha para compatibilizar o fluxo de exportações com a cota estipulada, que prevê volume de 1,1 milhão de toneladas, associado a uma taxa de 55% para o período mencionado. A proposta envolve a criação de um sistema de gestão mais rigoroso para organizar os embarques e reduzir incertezas.
Os próximos passos sobre o tema devem avançar com a avaliação do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), com reunião marcada para esta sexta-feira (27). A expectativa é que o colegiado vote a criação de um sistema brasileiro de controle das cotas de exportação, com distribuição trimestral de volumes.
Entre os critérios discutidos para a divisão dessas cotas entre as empresas, o governo pretende considerar o histórico individual de vendas registrado ao longo de 2025. A proposta busca organizar a previsibilidade dos embarques e reduzir gargalos logísticos e comerciais em um cenário de alta demanda.
Ponto de atenção: para o setor, a construção de regras claras e estáveis pode ser decisiva para preservar competitividade, manter regularidade de entregas e reduzir riscos de interrupções no comércio.
Período Volume Faturamento Total 2025 1,7 milhão de toneladas US$ 8,9 bilhões Janeiro 2026 (recorde) 123 mil toneladas Dados em consolidação Cota prevista 2026 1,1 milhão de toneladas —
Para as empresas, a habilitação de novas unidades representa a ampliação do acesso a um mercado decisivo, com impacto direto sobre planejamento de produção, investimentos em adequações sanitárias e estratégia comercial. Já o sistema de cotas em discussão tende a redefinir a dinâmica de embarques, com efeitos sobre previsibilidade, competitividade e ocupação de plantas.
Ao negar a existência de uma suspensão até 2028, o Mapa busca reduzir ruídos e reforçar que o canal de negociação permanece aberto. O setor acompanha de perto tanto os desdobramentos diplomáticos quanto a definição interna de regras para distribuição e controle de volumes, em um cenário em que a China continua central para o desempenho das exportações brasileiras de carne.
Em resumo: o governo afirma que não há veto chinês a novas habilitações, enquanto prepara mecanismos para organizar exportações dentro do novo contexto de cotas. A expectativa do mercado segue voltada para possíveis anúncios de autorizações e para a implementação de um sistema que dê mais previsibilidade aos embarques.

Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.