
O serviço veterinário oficial da Argentina confirmou a detecção de um novo foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), do subtipo H5, em aves de produção comercial na localidade de Ranchos, na província de Buenos Aires. A ocorrência reacende o alerta sanitário no país e pressiona o setor avícola em um momento considerado sensível para o comércio internacional.
De acordo com as autoridades, a confirmação foi feita após a notificação de sinais clínicos compatíveis com a doença e elevada mortandade em um estabelecimento ligado à linhagem genética de reprodutores. O diagnóstico foi validado em laboratório oficial, reforçando o caráter de emergência sanitária que envolve a gripe aviária quando detectada em sistemas de produção comercial.
Assim que o caso foi confirmado, o órgão sanitário argentino informou ter ativado o plano de contingência para influenza aviária, com ações voltadas à contenção do vírus e à redução do risco de disseminação para outras propriedades e regiões produtivas.
Entre as medidas anunciadas, estão a interdição imediata do estabelecimento afetado e a definição de uma zona de controle sanitário de 3 km, além de uma área de vigilância de 7 km para intensificar o monitoramento, o rastreamento epidemiológico e a verificação de possíveis vínculos com outras granjas e movimentações.
Interdição do local com restrição de trânsito e atividades
Despovoamento supervisionado por agentes oficiais
Abate sanitário das aves para interromper a circulação viral
Desinfecção rigorosa do estabelecimento após as operações
Rastreamento epidemiológico e reforço de vigilância em raio ampliado
Segundo o protocolo descrito, agentes oficiais devem acompanhar o despovoamento e o abate sanitário, seguidos por uma etapa de limpeza e desinfecção intensiva, considerada crucial para evitar a permanência do vírus no ambiente.
Gripe aviária H5 em granja comercial: autoridades reforçam que a rapidez na contenção e a aplicação do zoneamento são decisivas para reduzir perdas e proteger áreas produtivas.
A nova detecção interrompe um período recente de estabilidade para a avicultura argentina. O país havia se autodeclarado livre de IAAP perante a Organização Mundial de Saúde Animal, em outubro de 2025, após o encerramento de um surto anterior registrado em outra localidade.
Com o aparecimento do foco em Buenos Aires, a Argentina volta a lidar com as consequências sanitárias e comerciais associadas a eventos de IAAP, doença que pode se espalhar rapidamente em populações de aves e exige resposta imediata para preservar a segurança sanitária e limitar impactos econômicos.
O caso ocorre em um momento considerado estratégico para o país. Nas últimas semanas, havia sido anunciado que a União Europeia autorizaria a retomada das importações de carne de aves argentinas a partir de 1º de março de 2026, após a recuperação do status sanitário.
Agora, com a confirmação do novo foco, o órgão sanitário informou que comunicará oficialmente a ocorrência aos organismos internacionais competentes e deverá suspender temporariamente as exportações para países que mantêm acordos baseados no reconhecimento de “nação livre” da enfermidade.
Ainda assim, parte do comércio pode continuar funcionando. A Argentina poderá manter negociações e embarques para mercados que aceitam a estratégia de zoneamento e a noção de compartimentos livres, em que áreas não afetadas e devidamente monitoradas podem ser reconhecidas como aptas para comercialização, dependendo das regras de cada destino.
Tema O que muda com o novo foco Status sanitário Perde a condição de país livre e precisa cumprir etapas para solicitar retomada Exportações Tendem a ser suspensas para mercados que exigem “nação livre”; pode haver continuidade via zoneamento Medidas em granja Interdição, abate sanitário, desinfecção e vigilância em áreas definidas Consumo interno Autoridades indicam que não há risco por ingestão de carne de aves e ovos
Em meio à preocupação pública que costuma acompanhar notícias sobre gripe aviária, o órgão sanitário argentino reforçou que o consumo interno não deve ser afetado do ponto de vista de segurança alimentar. A orientação técnica reiterada é que a influenza aviária não é transmitida pela ingestão de carne de aves ou ovos, especialmente quando se seguem práticas adequadas de manipulação e preparo.
O foco das ações, portanto, permanece na contenção do vírus entre as aves, na proteção da cadeia produtiva e na preservação da condição sanitária necessária para sustentar mercados e reduzir a chance de novos registros em áreas de produção.
Caso não ocorram novos surtos, o país poderá solicitar novamente a condição de livre de IAAP após o cumprimento de um período de 28 dias contados a partir da conclusão das ações sanitárias, incluindo o abate, a limpeza e a desinfecção do local afetado.
Especialistas do setor ressaltam que o tempo de resposta, a qualidade da vigilância e o rigor nas medidas de biossegurança são fatores determinantes para encurtar o impacto do surto e evitar a ampliação para outros polos produtivos.
Enquanto as ações de contenção seguem em curso, a atenção do setor avícola se volta para o resultado do rastreamento epidemiológico, a efetividade do zoneamento e as decisões de mercados compradores diante da nova ocorrência de gripe aviária H5 em Buenos Aires.

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