
Reunião da Frente Parlamentar de Logística foi marcada por críticas à falta de ação do Estado após invasão, saques e depredações no terminal da Cargill em Santarém (PA), com relatos de funcionários mantidos sob ameaça.
Um encontro da Frente Parlamentar de Logística (Frenlogi), realizado na manhã de 25 de fevereiro, foi dominado por cobranças ao poder público após a invasão ao terminal da Cargill em Santarém (PA), registrada na madrugada de 22 de fevereiro. Representantes do setor portuário e parlamentares relataram saques, depredações e sequestro de funcionários durante a ação, além de repercussões econômicas e riscos à segurança jurídica.
A reunião também ocorreu em meio a críticas à revogação, pelo governo federal, do decreto relacionado à desestatização das hidrovias. Para os participantes, o episódio no terminal e a resposta institucional ao caso reforçam um cenário de insegurança operacional e instabilidade regulatória em áreas estratégicas para logística e exportações.
O diretor de Portos para a América do Sul da Cargill, Régis Prunzel, descreveu um cenário de tensão envolvendo 43 funcionários que estavam dentro da unidade no momento da invasão. Segundo ele, o grupo tomou o controle do terminal, danificou estruturas e tentou comprometer sistemas internos.
“Eram de 10 a 15 pessoas, todas encapuzadas, com paus, arcos e flechas. Eles quebraram câmeras, portas, danificaram o patrimônio e tomaram o terminal. Nossos colaboradores ficaram presos lá dentro, sem saber se sairiam vivos.”
Prunzel afirmou que houve ataques à rede de tecnologia da informação. Como medida de contenção, a empresa teria cortado energia e conexão com a matriz para evitar risco de ataque cibernético. Ele também disse que foram acionados órgãos de segurança, mas que, no período crítico, não houve suporte efetivo.
Invasão do terminal e controle temporário da área operacional.
Depredações e danos a estruturas e equipamentos.
Funcionários mantidos sob ameaça durante o episódio.
Risco à infraestrutura digital, com tentativa de acesso à rede interna.
O presidente do conselho gestor do Instituto Brasil Logística (IBL), Jesualdo Silva, avaliou que o episódio abre um precedente perigoso e pode se repetir em projetos estratégicos de infraestrutura. Ele alertou para risco de interrupções em obras e operações caso não haja reação institucional.
Na avaliação do dirigente, a ausência de resposta rápida e coordenação do Estado pode incentivar novas ações em diferentes frentes logísticas. Ele também criticou a condução da comunicação do governo federal, afirmando que o cenário contribui para escalada de conflitos e para a percepção de que violações podem ficar sem consequência.
O presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (FENOP), Sérgio Aquino, classificou a resposta do poder público como inadequada e disse que o episódio envia ao mercado internacional um sinal negativo sobre respeito a contratos e proteção à propriedade.
Aquino afirmou que uma decisão judicial teria sido descumprida durante a ocorrência e relatou que a Polícia Militar, segundo ele, esteve no local e se retirou, deixando trabalhadores em situação de vulnerabilidade. Para o dirigente, o tema exige reação firme do Parlamento e reforço da segurança em áreas portuárias, que ele definiu como estratégicas e ligadas à soberania.
A deputada federal Daniela Cristina Reinehr (PL-SC), que preside a Câmara Temática de Portos e Hidrovias da Frenlogi, afirmou que o Congresso dispõe de instrumentos para endurecer a resposta a invasões. Ela citou propostas legislativas em tramitação que tratam de retirada de invasores e de aumento de penas em casos motivados por razões políticas ou ideológicas.
A parlamentar defendeu urgência na análise de textos e disse que o alvo do episódio teria sido escolhido pela repercussão internacional que um terminal de grande empresa pode gerar, pressionando autoridades e ampliando impacto econômico.
Em debate: propostas que tratam de retirada imediata de invasores e aumento de pena quando a invasão ocorre por motivação político-ideológica, com discussão sobre abrangência em áreas comerciais e portuárias.
O presidente da Frenlogi, senador Wellington Fagundes (PL-MT), defendeu maior coesão entre setor produtivo e representantes políticos para evitar repetição de episódios semelhantes. Ele afirmou que a instabilidade afeta investimentos e amplia o custo de fazer negócios no país.
Segundo o senador, a articulação técnica com o IBL e ações junto a órgãos públicos já ocorriam, mas o caso evidenciou falhas na implementação do que teria sido acordado. Ele sustentou que não basta alterar decretos ou medidas administrativas se o problema central permanecer: a falta de previsibilidade e segurança.
Na parte final do encontro, Régis Prunzel afirmou que os impactos econômicos e operacionais ainda estavam sendo dimensionados, mas já indicavam perdas expressivas. Ele relatou que a interrupção na entrada de caminhões teria reduzido o fluxo diário de cargas no terminal, além de restrições posteriores envolvendo barcaças.
O executivo também mencionou compromissos logísticos programados até meados de abril e vendas afetadas, além de declaração de força maior. Na avaliação apresentada, a insegurança teria começado a influenciar decisões de compra no mercado externo, com receio de origem associada a risco operacional.
Área Consequência apontada Operação Interrupção de fluxos logísticos e restrições em rotas de escoamento. Infraestrutura Danos a equipamentos e possível comprometimento de automação e sistemas. Comercial Vendas e embarques afetados, com percepção de risco por compradores. Imagem do país Preocupação com reputação internacional e confiança em contratos.
O diretor de relações institucionais da Frenlogi, Edinho Bez, afirmou que o grupo pretende manter o tema na agenda e transformar a indignação em ações concretas. Segundo ele, será criada uma câmara temática voltada a hidrovias, com o objetivo de reforçar a atuação institucional e evitar que o caso seja tratado como episódio isolado.
Para os participantes, o ponto central é restabelecer segurança jurídica e capacidade de resposta do Estado em áreas essenciais à logística nacional. A avaliação predominante no encontro foi de que o episódio em Santarém precisa de desdobramentos objetivos, incluindo apuração, responsabilização e medidas de prevenção para proteger trabalhadores, operações e a previsibilidade do ambiente de negócios.

Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.

Resumo: O atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, deverá assumir o Ministério da Agricultura a partir de abril. Carlos Fávaro deixará o comando da pasta para concorrer nas eleições de outubro e não conseguiu indicar um sucessor.

Resumo: O Golfo Pérsico enfrenta o maior desafio de segurança alimentar desde 2008, com o conflito com o Irã ameaçando o serviço de portos e interrompendo a navegação pelo Estreito de Ormuz. A recente escalada indica que o Irã intensifica sua retaliação, lançando novos ataques contra países vizinhos e ampliando a instabilidade regional.

Resumo: O Brasil ficará com 42,5% da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo Mercosul–União Europeia, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse rateio foi definido por um entendimento firmado entre associações setoriais do Mercosul, com base no peso relativo das exportações de cada país. O acordo estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas, divididas em 55 mil toneladas de carne fresca/refrigerada e 44 mil de carne congelada, com tarifa de 7,5%. A implementação será gradual ao longo de seis anos. Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a UE variaram nos últimos anos entre 3 mil e 7 mil toneladas mensais, com valores entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, refletindo a valorização da proteína no mercado internacional.

Resumo: Em Chicago, os contratos futuros de óleo de soja para maio subiram 2,9% para 69,54 centavos de dólar por libra; a soja avançou 2,5% para US$ 12,31 por bushel; o trigo subiu 3,1% para US$ 6,36 por bushel; o milho, 2,6% para US$ 4,72 por bushel, em 9 de março. O óleo de soja acumula a 11ª alta consecutiva, a maior sequência desde 2008, impulsionada pela demanda por culturas usadas em biocombustíveis diante de interrupções no fornecimento de combustível. O petróleo acima de US$ 100 por barril coincidiu com cortes na produção do Golfo e com o estreito de Ormuz quase fechado, elevando custos de frete e pressionando os grãos; o conflito entre EUA, Israel e o Irã está afetando o comércio de fertilizantes, sustentando os preços, segundo Joe Davis, da Futures International. Na China, óleos vegetais e farinhas de oleaginosas também subiram, com a farinha de soja em Dalian em 3.066 yuan/t e o óleo de palma atingindo o limite diário; movimentos semelhantes ocorreram para óleo de colza e farinha de colza em Zhengzhou. O aumento dos preços do petróleo alimenta preocupações inflacionárias globais, com impactos esperados nos preços da gasolina e, possivelmente, dos alimentos; embora muitos produtores tenham assegurado insumos para 2026, podem enfrentar dificuldades no próximo ano se o estreito de Ormuz não se reabrir em breve.