
Paraná: Planejamento de Forragens e Silagem para Reduzir Custos e Aumentar a Rentabilidade na Produção de Leite
Resumo: Produtores de leite do Paraná enfrentam preços baixos e custos elevados. Em reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP, o palestrante André Ostrensky (PUCPR) abordou alternativas de forragens e eficiência para manter a rentabilidade no médio e longo prazo, enfatizando planejamento técnico e controle de estoques para reduzir desperdícios. Entre as opções, milho silage é o melhor custo-benefício, seguido pelo sorgo; para entressafra, silagens de aveia e cevada são viáveis, com a aveia reduzindo a dependência do milho. A recomendação é apostar em decisões baseadas em dados, renovação do rebanho e melhor aproveitamento da forragem para fechar a conta no fim do mês.
Planejamento forrageiro ajuda produtores de leite do Paraná a enfrentar margens apertadas
O cenário de preços baixos do leite e custos de produção elevados tem aumentado a pressão sobre produtores do Paraná, especialmente em períodos de maior instabilidade no campo. Diante dessa realidade, especialistas reforçam que planejamento forrageiro, controle de estoques e decisões baseadas em dados são estratégias essenciais para reduzir desperdícios e preservar a rentabilidade da atividade.
O tema foi debatido em reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP, realizada no dia 24, com a palestra “Produzir leite quando a conta não fecha: alternativas de forragens e eficiência em tempos de margem apertada”, conduzida pelo especialista André Ostrensky, docente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Eficiência no campo: pensar além da rotina
Segundo Ostrensky, um dos principais gargalos na pecuária leiteira é a dificuldade de manter o olhar no médio e longo prazos. Com a rotina intensa, parte dos produtores deixa o planejamento de alimentação para depois, o que pode resultar em falta de volumoso no momento mais crítico do ano.
“O produtor fica tão envolvido na rotina da atividade que, às vezes, não planeja no longo prazo. Tem casos de pecuarista chegando em setembro, outubro sem saber o que vai fazer porque a silagem não vai dar. Isso compromete a rentabilidade da atividade”, destacou o especialista.
Para lideranças do setor, a difusão de conhecimento técnico é uma peça-chave para atravessar a fase de margens apertadas. Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, reforçou que a discussão sobre alternativas e eficiência na gestão pode orientar o produtor na tomada de decisões dentro da propriedade, com foco em resultados.
Forragens conservadas: o que considerar na escolha
Durante a apresentação, Ostrensky detalhou as principais opções de forragens conservadas disponíveis atualmente. A escolha do volumoso, segundo ele, deve levar em conta não apenas o custo imediato, mas também a qualidade nutricional, o nível de processamento exigido e a estabilidade da oferta ao longo do ano.
A seguir, um resumo dos pontos técnicos apresentados, com destaque para o papel de cada alternativa na dieta e na gestão do custo por litro de leite.
Silagem de milho: referência em custo-benefício
A silagem de milho segue como a alternativa com melhor relação entre custo e resultado produtivo, especialmente em sistemas que buscam altas produções. O material se destaca pelo teor de amido, que costuma ficar entre 30% e 40%, componente considerado decisivo para sustentar desempenho do rebanho.
Ponto de atenção: sem controle de estoque e previsão de consumo, o produtor pode chegar ao final do inverno ou início da primavera com volumoso insuficiente, elevando gastos emergenciais com compra de alimentos.
Silagem de sorgo: alternativa mais tolerante à seca
Como opção complementar ou estratégica em anos de maior risco climático, a silagem de sorgo foi destacada como cultura mais tolerante à seca e de custo inferior. No entanto, o sorgo exige atenção ao processamento por apresentar grãos menores, o que pode demandar manejo mais cuidadoso para garantir melhor aproveitamento na dieta.
Vantagem: maior tolerância à seca e potencial redução de custo.
Desafio: grãos menores exigem processamento adequado para melhor digestibilidade.
Uso estratégico: alternativa para reduzir risco em regiões mais vulneráveis ao estresse hídrico.
Silagens de inverno: opção para a entressafra
Para períodos de entressafra, o especialista apresentou o uso de silagens de inverno, como aveia e cevada. Na experiência da fazenda universitária da PUCPR, a silagem de aveia tem sido inserida na dieta diária das vacas, em volume de seis a oito quilos por dia, ajudando a reduzir a dependência direta da silagem de milho.
Embora as opções de inverno tenham teor de amido inferior ao do milho, a estratégia pode ser eficiente quando o objetivo é equilibrar custo e garantir oferta de alimento ao longo do ano, sem comprometer a alimentação do rebanho.
Forragem conservada Ponto forte Observações técnicas Milho Melhor custo-benefício e alto amido Teor de amido entre 30% e 40% favorece alta produção Sorgo Maior tolerância à seca Grãos menores exigem processamento cuidadoso Aveia (inverno) Apoio na entressafra e redução de dependência do milho Amido em torno de 10% a 12%; uso de 6 a 8 kg/dia na dieta Cevada (inverno) Opção de inverno com amido superior à aveia Pode chegar a até 20% de amido
Decisões baseadas em dados: do rebanho à forragem
Além da escolha do volumoso, a orientação técnica enfatizou que a sustentabilidade do sistema depende de uma gestão mais precisa do conjunto da propriedade. A recomendação é que o produtor avalie indicadores, ajuste estratégias de alimentação e planeje a produção de forragem com antecedência, evitando decisões emergenciais que elevam custos.
“O produtor rural precisa tomar as decisões de forma técnica, baseadas em dados. Isso passa pela renovação do rebanho com animais mais produtivos até o aproveitamento mais eficiente da forragem. Cada uma dessas frentes, quando bem administrada, contribui para que a conta feche no fim do mês”, afirmou Ostrensky.
Medidas práticas para reduzir desperdícios e proteger a rentabilidade
Em um ambiente de margens estreitas, pequenos ajustes podem fazer diferença no resultado final. Especialistas recomendam que produtores reforcem rotinas de controle e antecipem decisões sobre plantio, colheita, armazenamento e uso da silagem.
Planejar a forragem com foco no ano todo, incluindo a entressafra.
Controlar estoques para prever consumo e evitar falta de alimento.
Reduzir perdas no armazenamento e na retirada diária da silagem.
Comparar alternativas (milho, sorgo e silagens de inverno) de acordo com custo, clima e necessidade do rebanho.
Revisar a eficiência do rebanho, priorizando animais mais produtivos e adequados ao sistema.
Com o avanço dos custos e a pressão sobre o preço pago ao produtor, o consenso entre técnicos e representantes do setor é que a combinação entre gestão, planejamento forrageiro e eficiência produtiva tende a ser decisiva para atravessar o período de incertezas na bovinocultura de leite, mantendo a atividade viável no Paraná.




