
O cenário de preços baixos do leite e custos de produção elevados tem aumentado a pressão sobre produtores do Paraná, especialmente em períodos de maior instabilidade no campo. Diante dessa realidade, especialistas reforçam que planejamento forrageiro, controle de estoques e decisões baseadas em dados são estratégias essenciais para reduzir desperdícios e preservar a rentabilidade da atividade.
O tema foi debatido em reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP, realizada no dia 24, com a palestra “Produzir leite quando a conta não fecha: alternativas de forragens e eficiência em tempos de margem apertada”, conduzida pelo especialista André Ostrensky, docente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Segundo Ostrensky, um dos principais gargalos na pecuária leiteira é a dificuldade de manter o olhar no médio e longo prazos. Com a rotina intensa, parte dos produtores deixa o planejamento de alimentação para depois, o que pode resultar em falta de volumoso no momento mais crítico do ano.
“O produtor fica tão envolvido na rotina da atividade que, às vezes, não planeja no longo prazo. Tem casos de pecuarista chegando em setembro, outubro sem saber o que vai fazer porque a silagem não vai dar. Isso compromete a rentabilidade da atividade”, destacou o especialista.
Para lideranças do setor, a difusão de conhecimento técnico é uma peça-chave para atravessar a fase de margens apertadas. Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, reforçou que a discussão sobre alternativas e eficiência na gestão pode orientar o produtor na tomada de decisões dentro da propriedade, com foco em resultados.
Durante a apresentação, Ostrensky detalhou as principais opções de forragens conservadas disponíveis atualmente. A escolha do volumoso, segundo ele, deve levar em conta não apenas o custo imediato, mas também a qualidade nutricional, o nível de processamento exigido e a estabilidade da oferta ao longo do ano.
A seguir, um resumo dos pontos técnicos apresentados, com destaque para o papel de cada alternativa na dieta e na gestão do custo por litro de leite.
A silagem de milho segue como a alternativa com melhor relação entre custo e resultado produtivo, especialmente em sistemas que buscam altas produções. O material se destaca pelo teor de amido, que costuma ficar entre 30% e 40%, componente considerado decisivo para sustentar desempenho do rebanho.
Ponto de atenção: sem controle de estoque e previsão de consumo, o produtor pode chegar ao final do inverno ou início da primavera com volumoso insuficiente, elevando gastos emergenciais com compra de alimentos.
Como opção complementar ou estratégica em anos de maior risco climático, a silagem de sorgo foi destacada como cultura mais tolerante à seca e de custo inferior. No entanto, o sorgo exige atenção ao processamento por apresentar grãos menores, o que pode demandar manejo mais cuidadoso para garantir melhor aproveitamento na dieta.
Vantagem: maior tolerância à seca e potencial redução de custo.
Desafio: grãos menores exigem processamento adequado para melhor digestibilidade.
Uso estratégico: alternativa para reduzir risco em regiões mais vulneráveis ao estresse hídrico.
Para períodos de entressafra, o especialista apresentou o uso de silagens de inverno, como aveia e cevada. Na experiência da fazenda universitária da PUCPR, a silagem de aveia tem sido inserida na dieta diária das vacas, em volume de seis a oito quilos por dia, ajudando a reduzir a dependência direta da silagem de milho.
Embora as opções de inverno tenham teor de amido inferior ao do milho, a estratégia pode ser eficiente quando o objetivo é equilibrar custo e garantir oferta de alimento ao longo do ano, sem comprometer a alimentação do rebanho.
Forragem conservada Ponto forte Observações técnicas Milho Melhor custo-benefício e alto amido Teor de amido entre 30% e 40% favorece alta produção Sorgo Maior tolerância à seca Grãos menores exigem processamento cuidadoso Aveia (inverno) Apoio na entressafra e redução de dependência do milho Amido em torno de 10% a 12%; uso de 6 a 8 kg/dia na dieta Cevada (inverno) Opção de inverno com amido superior à aveia Pode chegar a até 20% de amido
Além da escolha do volumoso, a orientação técnica enfatizou que a sustentabilidade do sistema depende de uma gestão mais precisa do conjunto da propriedade. A recomendação é que o produtor avalie indicadores, ajuste estratégias de alimentação e planeje a produção de forragem com antecedência, evitando decisões emergenciais que elevam custos.
“O produtor rural precisa tomar as decisões de forma técnica, baseadas em dados. Isso passa pela renovação do rebanho com animais mais produtivos até o aproveitamento mais eficiente da forragem. Cada uma dessas frentes, quando bem administrada, contribui para que a conta feche no fim do mês”, afirmou Ostrensky.
Em um ambiente de margens estreitas, pequenos ajustes podem fazer diferença no resultado final. Especialistas recomendam que produtores reforcem rotinas de controle e antecipem decisões sobre plantio, colheita, armazenamento e uso da silagem.
Planejar a forragem com foco no ano todo, incluindo a entressafra.
Controlar estoques para prever consumo e evitar falta de alimento.
Reduzir perdas no armazenamento e na retirada diária da silagem.
Comparar alternativas (milho, sorgo e silagens de inverno) de acordo com custo, clima e necessidade do rebanho.
Revisar a eficiência do rebanho, priorizando animais mais produtivos e adequados ao sistema.
Com o avanço dos custos e a pressão sobre o preço pago ao produtor, o consenso entre técnicos e representantes do setor é que a combinação entre gestão, planejamento forrageiro e eficiência produtiva tende a ser decisiva para atravessar o período de incertezas na bovinocultura de leite, mantendo a atividade viável no Paraná.

Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.

Resumo: O microcrédito rural especialmente via Banco do Nordeste (BNB), tem sido divisor de águas para produtores familiares em Minas Gerais. A trajetória de Ovídio Soares Vilela, que em 1973 vendia apenas 13 litros de leite por dia e hoje gerencia uma fazenda com 25 funcionários e produção diversificada, ilustra a transformação possibilitada por linhas de crédito com juros baixos e prazos maiores.

Resumo: O Golfo Pérsico enfrenta o maior desafio de segurança alimentar desde 2008, com o conflito com o Irã ameaçando o serviço de portos e interrompendo a navegação pelo Estreito de Ormuz. A recente escalada indica que o Irã intensifica sua retaliação, lançando novos ataques contra países vizinhos e ampliando a instabilidade regional.

Resumo: O Brasil ficará com 42,5% da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo Mercosul–União Europeia, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse rateio foi definido por um entendimento firmado entre associações setoriais do Mercosul, com base no peso relativo das exportações de cada país. O acordo estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas, divididas em 55 mil toneladas de carne fresca/refrigerada e 44 mil de carne congelada, com tarifa de 7,5%. A implementação será gradual ao longo de seis anos. Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a UE variaram nos últimos anos entre 3 mil e 7 mil toneladas mensais, com valores entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, refletindo a valorização da proteína no mercado internacional.

Resumo: Em Chicago, os contratos futuros de óleo de soja para maio subiram 2,9% para 69,54 centavos de dólar por libra; a soja avançou 2,5% para US$ 12,31 por bushel; o trigo subiu 3,1% para US$ 6,36 por bushel; o milho, 2,6% para US$ 4,72 por bushel, em 9 de março. O óleo de soja acumula a 11ª alta consecutiva, a maior sequência desde 2008, impulsionada pela demanda por culturas usadas em biocombustíveis diante de interrupções no fornecimento de combustível. O petróleo acima de US$ 100 por barril coincidiu com cortes na produção do Golfo e com o estreito de Ormuz quase fechado, elevando custos de frete e pressionando os grãos; o conflito entre EUA, Israel e o Irã está afetando o comércio de fertilizantes, sustentando os preços, segundo Joe Davis, da Futures International. Na China, óleos vegetais e farinhas de oleaginosas também subiram, com a farinha de soja em Dalian em 3.066 yuan/t e o óleo de palma atingindo o limite diário; movimentos semelhantes ocorreram para óleo de colza e farinha de colza em Zhengzhou. O aumento dos preços do petróleo alimenta preocupações inflacionárias globais, com impactos esperados nos preços da gasolina e, possivelmente, dos alimentos; embora muitos produtores tenham assegurado insumos para 2026, podem enfrentar dificuldades no próximo ano se o estreito de Ormuz não se reabrir em breve.