
O mercado brasileiro de seguros pecuários e de animais alcançou, em 2025, o maior volume de arrecadação de sua série histórica. Mesmo com a expansão, o setor ainda enfrenta um desafio estrutural: estimativas indicam que apenas cerca de 3% do rebanho bovino nacional conta com algum tipo de proteção securitária — um cenário que evidencia o tamanho do risco e a oportunidade de crescimento no país.
Entre janeiro e outubro, a arrecadação total chegou a R$ 187,6 milhões, uma alta de 24% em comparação com o mesmo período de 2024 e de 267% na comparação com 2021, quando o volume registrado foi de R$ 51,1 milhões. Os números constam de um levantamento conjunto conduzido por entidades representativas do setor segurador.
O estudo mostra que o seguro pecuário foi o principal motor do avanço em 2025. No período analisado, essa modalidade somou R$ 165 milhões em prêmios, com crescimento de 25,9%. Já o seguro de animais arrecadou R$ 22,6 milhões, com expansão de 11,4%.
Modalidade Prêmios (jan–out/2025) Variação Perfil Seguro Pecuário R$ 165 milhões +25,9% Produção, cria, recria, engorda e reprodução Seguro de Animais R$ 22,6 milhões +11,4% Elite, lazer, competição e segurança
Além da diferença de volume, as modalidades também se distinguem pela forma como são enquadradas. O seguro pecuário integra o seguro rural e prevê indenização em situações como morte do animal e variação de preço para animais destinados à produção, cria, recria, engorda, tração ou reprodução. O escopo inclui práticas reprodutivas, como monta natural, coleta de sêmen e transferência de embriões, com isenção tributária.
Já o seguro de animais é direcionado a criações de alto valor — incluindo animais de elite, domésticos ou usados para segurança, lazer e competições esportivas. Por não ser classificado como seguro rural, não conta com benefício fiscal.
Apesar do crescimento na arrecadação, a cobertura do seguro na pecuária brasileira segue restrita. Considerando um rebanho bovino estimado em 238,2 milhões de cabeças, com valor patrimonial aproximado de R$ 600 bilhões e prêmio médio em torno de 1%, o volume arrecadado indica uma cobertura estimada em torno de 3% do patrimônio total.
Segundo avaliação de representantes do setor, trata-se de um cálculo baseado em hipóteses — e não uma mensuração direta —, mas útil para dimensionar o cenário. Na prática, o dado reforça que há uma parcela expressiva do rebanho ainda sem proteção, o que aumenta a exposição financeira dos produtores diante de eventos sanitários, climáticos e oscilações econômicas.
“Trata-se de um volume expressivo ainda descoberto, o que evidencia tanto a dimensão do risco quanto a oportunidade de ampliar a proteção e a previsibilidade para a atividade pecuária no país.”
A leitura do setor é que ampliar o alcance do seguro pecuário e do seguro de animais depende de uma integração mais consistente do produto à gestão de risco nas fazendas e do amadurecimento do mercado, em linha com a relevância econômica e patrimonial da pecuária nacional.
Entre os principais fatores associados à baixa adesão, o setor aponta elementos culturais, econômicos e de informação. A cultura do seguro entre produtores rurais ainda é considerada limitada, inclusive em modalidades mais difundidas, como o seguro agrícola, que também cobre menos de 3% da área plantada no Brasil.
Soma-se a isso o desconhecimento de parte dos pecuaristas sobre a existência, a forma de contratação e o funcionamento dos produtos voltados à proteção do rebanho. Na avaliação de especialistas, melhorar comunicação, educação financeira e orientação técnica pode ser decisivo para ampliar o uso do seguro como ferramenta estratégica, e não apenas como custo.
Cultura de gestão de risco ainda limitada em parte do campo
Desinformação sobre cobertura, regras e indenizações
Custo e percepção de valor em diferentes perfis de produção
Necessidade de maturidade do mercado para acompanhar a escala da pecuária
O levantamento aponta ainda crescimento no pagamento de indenizações. No seguro pecuário, entre janeiro e outubro de 2021 a 2024, as indenizações subiram 46,1%, passando de R$ 8,6 milhões para R$ 12,6 milhões.
No seguro de animais, o aumento foi de 34,9%, com as indenizações avançando de R$ 8,3 milhões para R$ 11,2 milhões. Para analistas, o dado sugere que, embora ainda restrito, o mercado está mais ativo e responde a sinistros, reforçando a função do seguro como instrumento de proteção financeira.
Em termos regionais, Minas Gerais aparece no topo do ranking nacional, com R$ 26,5 milhões em prêmios totais — sendo R$ 25 milhões concentrados no seguro pecuário. O desempenho é explicado pelo porte do rebanho mineiro, o terceiro maior do país, estimado em cerca de 27 milhões de cabeças, além da recorrência de eventos climáticos adversos, como secas e geadas que afetam pastagens.
São Paulo surge na sequência com R$ 24,6 milhões e lidera especificamente em seguro de animais, com R$ 10,2 milhões. A demanda paulista está associada a sistemas produtivos mais intensivos e a criações de maior valor agregado, como suínos e aves.
Na lista dos estados seguintes aparecem Goiás (R$ 23,2 milhões), Maranhão (R$ 15,2 milhões) e Mato Grosso (R$ 15,1 milhões). Em Goiás e Mato Grosso, o avanço é acompanhado pela escala e expansão da pecuária no Centro-Oeste. No Maranhão, o crescimento está relacionado à expansão recente da atividade em áreas como a região de Balsas e à ocorrência de enchentes.
Minas Gerais — R$ 26,5 milhões
São Paulo — R$ 24,6 milhões
Goiás — R$ 23,2 milhões
Maranhão — R$ 15,2 milhões
Mato Grosso — R$ 15,1 milhões
Com arrecadação recorde e baixa penetração, o setor de seguro pecuário no Brasil vive um paradoxo: cresce em ritmo forte, mas ainda está longe de refletir o tamanho do rebanho nacional e o valor patrimonial envolvido. Para as entidades, o próximo passo é transformar o seguro em parte rotineira da gestão, ampliando previsibilidade, reduzindo perdas e fortalecendo a resiliência do produtor diante de riscos climáticos, sanitários e de mercado.

Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.