
O Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado, publicou, nesta terça-feira, seu Relatório Semanal de Condições de Tempo e Cultivo, que contempla o período de 20 a 26 de janeiro de 2026. O documento oferece uma visão abrangente sobre as principais culturas do estado, incluindo milho, soja, arroz irrigado e cana-de-açúcar.
As lavouras de milho 1ª safra avançam para as fases finais de enchimento de grãos e maturação, com condições gerais consideradas boas. Em algumas regiões, as condições climáticas prolongaram o ciclo, atrasando a colheita, mas as perspectivas são otimistas onde esta operação se aproxima. O plantio do milho 2ª safra está em progresso, dependendo do ritmo de colheita das culturas anteriores e da umidade do solo.
As áreas de soja estão, principalmente, em frutificação, enchimento de grãos e início de maturação. As condições climáticas variam entre as regiões; enquanto algumas beneficiaram-se de chuvas e umidade adequadas, outras enfrentaram estiagem, altas temperaturas e estresse hídrico, acelerando o ciclo e potencialmente reduzindo a produtividade. Relatos de ferrugem-asiática destacam a necessidade de manejo criterioso. A colheita da soja começa pontualmente e deve ganhar ritmo nas próximas semanas.
A colheita do arroz irrigado ocorre sem grandes dificuldades operacionais, ainda que o mercado se mantenha desfavorável devido a preços insuficientes para cobrir os custos de produção, levando produtores a renegociar dívidas anteriores.
A batata 1ª safra está na fase final da colheita, com tubérculos de boa qualidade e ampla oferta. O mercado encontra-se pressionado pela disponibilidade de produtos de outras regiões, complicando a comercialização. Em algumas áreas, já começa a preparação do solo para a 2ª safra.
As lavouras de cana-de-açúcar estão em pleno desenvolvimento vegetativo, com bom vigor, e as condições de temperatura e umidade do solo sustentam o crescimento saudável da cultura.
A colheita do feijão 1ª safra está completa ou quase em várias regiões, apresentando resultados variáveis conforme as condições climáticas ao longo do ciclo. A rentabilidade tem sido reduzida devido aos preços atuais, influenciando o planejamento para plantações futuras.

Mato Grosso iniciou 2026 com impulso no mercado de trabalho, fortemente puxado pelo agronegócio. Em janeiro, o estado gerou 18.731 empregos formais, sendo 10.074 novas vagas na agropecuária — o que representa 43,7% das vagas do setor no Brasil e faz de MT o segundo maior gerador de empregos no setor, atrás apenas do Rio Grande do Sul (11.139 vagas). A agropecuária respondeu por 54% das contratações no estado. A soja liderou as vagas do setor, com 7.299 empregos (72%), seguida por bovinos para corte (804), milho (497) e serviços de preparo, cultivo e colheita. As cidades com maior geração de empregos foram Sorriso (779), Nova Mutum (403), Brasnorte (386), Primavera do Leste (368) e Pedra Preta (351). Segundo o IBGE, houve variação positiva de 2,04 milhões de toneladas na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em janeiro de 2026 em relação ao mês anterior, apontando manutenção do forte nível de produção iniciado em 2025. O secretário Anderson Lombardi ressaltou a força da economia mato-grossense e o papel central da agropecuária no dinamismo regional.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.
Sumário: Em 2026, a safra brasileira permanece robusta, com Mato Grosso já tendo 78,34% da área de soja plantada e milho de segunda safra em 81,93%, enquanto a colheita nacional de soja opera entre os ritmos mais lentos dos últimos anos; a Conab aponta 353,4 milhões de toneladas de grãos. O cenário externo traz tarifas dos EUA (10%), volatilidade cambial e riscos geopolíticos que elevam incertezas e custos logísticos. O Brasil amplia mercados (Mercosul–UE e China) e avança na abertura de frigoríficos para exportação (42 plantas). Na ciência, GCCRC destaca portos seguros genômicos para inserção sítio-específica de transgenes em milho, prometendo maior velocidade e previsibilidade para milho tolerante à seca. No front de preços, o mercado interno da soja permanece estável, com oscilações em Chicago e revisão de safra para 178 Mt devido à estiagem no RS.

As ondas de calor no Brasil estão mais frequentes, mais longas e mais intensas — e os impactos já são mensuráveis sobre a agricultura, especialmente nas regiões que concentram grande parte da produção nacional. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o número médio de dias com ocorrência de ondas de calor no país saltou de 7 dias (entre 1961 e 1990) para 52 dias (entre 2011 e 2020).

Resumo: A média histórica (1986-2025) é de 126,4 mm, 28,64% acima do normal para o mês. Embora fevereiro tenha sido mais chuvoso, março inicia com previsão de chuva abaixo do padrão climatológico e predomínio de calor. O Inmet aponta chuvas irregulares e volumes inferiores à média, com indicativo de nova onda de calor e madrugadas mais amenas, dias quentes. Em Alegrete, máximas próximas de 30°C e mínimas em torno de 17°C, com acumulado de chuva na primeira quinzena possivelmente abaixo de 20 mm. Ainda há possibilidade de temporais isolados e mal distribuídos; na Fronteira Oeste, a redução de chuvas preocupa lavouras de fim de ciclo e culturas de segunda safra (milho e feijão) que dependem de umidade. O cenário reforça a necessidade de atenção aos produtores rurais em março diante do calor persistente e da menor precipitação.