
A soja está em destaque no mercado internacional, mantendo uma tendência de leve alta sustentada por fundamentos globais favoráveis. Em Chicago, o contrato spot procura firmar-se acima de US$ 10,60. Os vencimentos dos meses de julho e agosto testam o patamar de US$ 10,90, com potencial para atingir US$ 11. As expectativas indicam um consumo total da safra global, fornecendo suporte ao mercado externo.
No Brasil, a situação se apresenta diferente. O país enfrenta os desafios de uma supersafra que avança sobre o mercado, enquanto parte da produção da temporada anterior ainda está disponível. A comercialização ocorre abaixo da média histórica, dando-se em meio a gargalos logísticos, fretes em alta, um dólar em queda e prêmios mais fracos que pressionam as cotações. O cenário indica um período iminente de preços deprimidos pelos próximos 60 dias, antes que uma possível reação ocorra.
Para a safra 2024/25, cerca de 93% já está negociado, ligeiramente abaixo da média histórica de 94%. O volume comercializado soma 159,5 milhões de toneladas, de um total colhido de 171,5 milhões, restando aproximadamente 12 milhões sem fixação. A nova safra apresenta uma comercialização de 32%, abaixo dos 39% registrados no mesmo período do ano passado. Produtores tradicionalmente vendem entre 60% e 65% até o final de maio para gerar caixa.
O excesso de oferta por algumas semanas limita a recuperação dos preços. A desvalorização do dólar, combinada com uma taxa Selic de 15% ao ano, continua a atrair capital externo, mantendo a moeda pressionada. Em diversas regiões, os preços da soja se aproximam de R$ 100 por saca, com registros abaixo desse valor no Mato Grosso. O custo do frete no estado subiu entre 8% e 12% nos últimos dias, amplificando a pressão sobre os produtores.
A colheita avança a passos lentos: Mato Grosso alcançou 15%, Paraná chegou a 8%, Goiás registra 3%, enquanto o Brasil atinge cerca de 6%. Chuvas persistentes nos estados centrais do país reduzem o ritmo dos trabalhos.
As exportações de soja atingiram recorde em janeiro, com embarques somando 1,52 milhão de toneladas nas três primeiras semanas do mês, superando o total de janeiro do ano passado. O farelo também bate recorde, com 1,63 milhão de toneladas exportadas. No total, soja, farelo e óleo geraram quase US$ 1,4 bilhão, o que equivale a aproximadamente R$ 7,4 bilhões em divisas.
No campo, a safra evolui de acordo com o esperado. Produtores do sul do país relatam necessidade de chuvas após temperaturas elevadas e redução das precipitações. O potencial produtivo nacional é estimado entre 175 e 180 milhões de toneladas.
A situação do milho também merece destaque. O mercado internacional apresenta fundamentos positivos: a produção global não atende completamente a demanda. Em Chicago, os contratos tentam consolidar suporte acima de US$ 4,30 para março e US$ 4,40 para julho. No mercado interno, o cenário difere. Um dólar mais fraco limita a competitividade das exportações, com preços entre R$ 66 e R$ 67 nos portos. A indústria de ração faz compras de forma pontual, enquanto os estoques disponíveis garantem alguma tranquilidade ao setor consumidor. Exportações mantêm-se firmes, com embarques de 3,74 milhões de toneladas nas primeiras três semanas de janeiro, superando o volume total do mesmo mês no ano anterior.
No campo do trigo, o mercado internacional se recupera após um ajuste negativo, reagindo à forte oferta do Leste Europeu e à possibilidade de mudanças geopolíticas que afetem moedas e fluxos de vendas. No Brasil, os moinhos mantêm compras lentas. No Rio Grande do Sul, os preços giram em torno de R$ 1.050 por tonelada no mercado interno e R$ 1.150 para exportação. Valores entre R$ 1.150 e R$ 1.200 prevalecem no Paraná. As exportações atingiram recorde histórico em janeiro, superando as importações no mesmo período.
O arroz, por sua vez, enfrenta pressão no mercado gaúcho, com oferta elevada e indústria operando no curto prazo. Exportações avançam em ritmo superior ao do ano anterior, porém, ainda não geram maior liquidez. No Tocantins, a oferta restrita impulsiona uma reação nos preços, com negócios passando de R$ 70 para R$ 75 por saca e pedidos próximos de R$ 80.
O mercado do feijão segue um movimento oposto. A colheita da primeira safra proporciona uma recuperação nas cotações. O feijão carioca nota 9 varia entre R$ 240 a R$ 260, enquanto vendedores buscam valores acima de R$ 300. O feijão preto também reage, com menor oferta até maio, elevando os preços de R$ 160 a patamares próximos de R$ 180. O mercado conta com uma nova rodada de compras pelo varejo nas próximas semanas.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.