
O Brasil mantém posição de destaque no cenário global de biocombustíveis e reforça sua imagem como uma das maiores referências em energia renovável. Esse avanço está diretamente ligado ao desempenho do agronegócio, especialmente à produção de soja e milho, matérias-primas essenciais para a fabricação de biodiesel e etanol. Nesse contexto, Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, ocupa papel estratégico ao ampliar a industrialização da produção e impulsionar a transição para uma matriz energética mais limpa.
Ao longo das últimas décadas, o país deixou de ser importador de alimentos e commodities agrícolas para se consolidar como um dos principais fornecedores globais. Para Nathan Belusso, vice-coordenador da comissão de sustentabilidade da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), a transformação é resultado de investimentos contínuos em pesquisa, tecnologia e infraestrutura, que elevaram a produtividade e ampliaram a capacidade do Brasil de atender mercados internos e externos.
“O Brasil saiu de um país importador de commodities agrícolas, como soja e milho, para se tornar o principal exportador a nível mundial.”
— Nathan Belusso
Dentro do cenário nacional, Mato Grosso se afirma como um dos grandes motores da produção de biocombustíveis. Além de liderar a produção de soja e milho, o estado tem ampliado sua capacidade industrial com a instalação de novas usinas, com destaque para o etanol de milho. A expansão fortalece a cadeia produtiva, agrega valor à produção rural e estimula o desenvolvimento regional.
Belusso ressalta que, nos últimos anos, o estado vem consolidando um novo ciclo de crescimento ao atrair e estruturar indústrias ligadas à bioenergia, o que impulsiona inovação e amplia a competitividade do setor.
“A instalação de indústrias de biocombustíveis, principalmente de etanol de milho, gera inovação, valor agregado, desenvolvimento social e fortalece a sustentabilidade energética.”
— Nathan Belusso
A presença de usinas no interior de Mato Grosso tem efeito direto sobre a economia local. Para o produtor rural Célio Riffel, associado do núcleo de Sinop, a expansão do etanol de milho representa um divisor de águas para a cadeia do grão, ao criar um mercado industrial próximo do campo e gerar renda na região.
Segundo ele, as novas plantas industriais impulsionam empregos diretos e indiretos e elevam a arrecadação de impostos municipais e estaduais, além de estimular serviços e comércio no entorno das unidades.
“Elas agregam valor ao produto, geram milhares de empregos diretos e indiretos e contribuem significativamente com a arrecadação de impostos.”
— Célio Riffel
Além do impacto econômico, os biocombustíveis ganham relevância por contribuírem para uma matriz energética mais sustentável. Produzidos a partir de fontes renováveis como soja e milho, eles colaboram para a redução de emissões de gases de efeito estufa e diminuem a dependência de combustíveis fósseis, tema cada vez mais central em políticas de clima e energia.
Belusso destaca que o Brasil se diferencia por conciliar alta produção com preservação ambiental. Ele observa que o país utiliza parcela limitada de seu território para produção agrícola, com elevado nível de tecnificação e clima que permite múltiplas safras anuais — características que fortalecem a competitividade brasileira no setor de bioenergia.
“O potencial produtivo, aliado à preservação ambiental, é um dos grandes diferenciais do Brasil no cenário dos biocombustíveis.”
— Nathan Belusso
Para Célio Riffel, o etanol produzido na própria região onde é consumido também representa um ganho logístico importante. Ao reduzir longas distâncias de transporte, há diminuição de custos operacionais e de emissões associadas ao deslocamento de cargas, reforçando o caráter sustentável da cadeia.
Ele também aponta que o avanço do uso do etanol tende a crescer com a evolução tecnológica de veículos e máquinas, inclusive no segmento agrícola e de transporte, ampliando as possibilidades de consumo do combustível no próprio território produtor.
“É um combustível renovável, limpo, produzido na própria região onde é consumido, evitando longos deslocamentos e reduzindo custos e emissões.”
— Célio Riffel
A aproximação entre quem produz no campo e quem industrializa os grãos tem se mostrado um diferencial estratégico. Em Sinop, o produtor rural Tiago Stefanello, sócio de uma nova usina de etanol, afirma que a integração entre as etapas permite ao produtor compreender melhor riscos, custos e desafios do negócio, gerando ganhos de eficiência e qualidade em toda a cadeia.
Para ele, quanto mais próximo da industrialização o produtor estiver, maior a capacidade de aprimorar procedimentos e métricas, tanto na lavoura quanto na indústria, elevando a maturidade do setor e reduzindo vulnerabilidades.
“Esse entendimento mútuo faz com que o produtor aprimore seus procedimentos e conceitos, melhorando as métricas tanto na produção rural quanto na indústria.”
— Tiago Stefanello
A cadeia de biocombustíveis, ao promover a industrialização dos grãos, amplia a distribuição de renda e fomenta desenvolvimento social, ao mesmo tempo em que reforça o papel do Brasil na transição energética. O movimento é visto como estratégico não apenas para Mato Grosso, mas para o país, que busca fortalecer sua posição internacional em energia renovável.
Base agrícola robusta com alta oferta de soja e milho
Avanços em tecnologia e pesquisa para elevar produtividade e eficiência
Industrialização no interior, com usinas próximas dos polos produtores
Geração de empregos e arrecadação em municípios e no estado
Redução de emissões com combustíveis renováveis e logística mais curta
Eixo Principais efeitos apontados Economia regional Empregos diretos e indiretos, maior arrecadação e estímulo ao comércio e serviços Agregação de valor Industrialização do milho e da soja, fortalecimento da cadeia produtiva e maior competitividade Sustentabilidade Redução de emissões, menor dependência de combustíveis fósseis e incentivo à energia renovável Logística Produção e consumo regionais reduzem deslocamentos, custos e emissões no transporte
Para Belusso, agregar valor à produção primária por meio da industrialização amplia a geração de riqueza e fortalece um ciclo de desenvolvimento que se reflete em conhecimento, educação e crescimento social. Com clima favorável, tecnologia avançada e compromisso com a sustentabilidade, o Brasil segue ampliando sua liderança em biocombustíveis e reforçando a capacidade de conciliar produção, preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
Em um cenário global que exige soluções energéticas mais limpas, a expansão do etanol e do biodiesel a partir de soja e milho reforça a relevância do agro brasileiro e coloca Mato Grosso como peça-chave desse avanço.

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