
Soja x fertilizantes 2026: relação de troca deve piorar com SSP, KCl e MAP, aponta Scot Consultoria
Resumo: A relação de troca entre soja e fertilizantes vem piorando e deve permanecer nesse movimento em 2026, segundo a Scot Consultoria. Em fevereiro, eram necessárias 18 sacas de soja para 1 tonelada de SSP, 23 para KCl e 35 para MAP; as projeções para março são 18,5; 23,2; 33,5, e para julho, 21,8; 28,6; 40,7, respectivamente.
Soja x fertilizantes: relação de troca piora e deve pressionar custos do produtor até julho, aponta Scot
A relação de troca entre a soja e fertilizantes essenciais ao manejo da lavoura — indicador que mede quantas sacas do grão são necessárias para comprar uma tonelada do insumo — voltou a se deteriorar no início de 2026 e pode piorar ainda mais até meados do ano, segundo estimativas da Scot Consultoria.
Entre fevereiro e julho, a quantidade de sacas de soja exigida para adquirir uma tonelada de fertilizante pode aumentar em até 20%, refletindo uma combinação de alta nos preços internacionais, restrições de oferta e incertezas geopolíticas que afetam um mercado no qual o Brasil depende fortemente de importações.
Alta nos preços dos principais fertilizantes
Dados compilados pela Scot indicam que os preços médios de fertilizantes amplamente utilizados por produtores de soja no Brasil subiram na comparação entre 2025 e 2026, com destaque para produtos na forma granulada como o cloreto de potássio (KCl), o superfosfato simples (SSP) e o fosfato monoamônico (MAP).
Na primeira quinzena de fevereiro, a cotação média do MAP foi de R$ 4.624,20 por tonelada, ficando 5,4% acima da média de 2025. No mesmo período, o SSP avançou 7,1%, para R$ 2.381,07 por tonelada. Já o KCl registrou alta de 7,9%, com preço médio de R$ 3.042,79 por tonelada.
Em resumo: com fertilizantes mais caros, o produtor precisa entregar mais sacas de soja para comprar a mesma quantidade de insumo, elevando o custo efetivo da adubação e pressionando margens.
Relação de troca já piorou em fevereiro
A elevação das cotações tem impacto direto sobre a relação de troca. Em 23 de fevereiro, a Scot registrou que eram necessárias 18 sacas de soja para a compra de uma tonelada de SSP, acima da média de 16,1 sacas por tonelada observada ao longo de 2025.
Para o KCl, a relação de troca no mesmo dia foi de 23 sacas por tonelada, superior à média de 20,4 sacas por tonelada no ano anterior. Já no caso do MAP, a última referência apontou 35 sacas de soja para a compra de uma tonelada, frente a 31,8 sacas por tonelada na média de 2025.
Todos os insumos considerados no levantamento estão na forma granulada, conforme a consultoria.
Comparativo: sacas de soja por tonelada (referências da Scot)
Fertilizante Relação de troca (23 de fevereiro) Média de 2025 SSP (granulado) 18 sacas/tonelada 16,1 sacas/tonelada KCl (granulado) 23 sacas/tonelada 20,4 sacas/tonelada MAP (granulado) 35 sacas/tonelada 31,8 sacas/tonelada
Projeções: piora pode se intensificar até julho
A Scot projeta que a relação de troca deve continuar se deteriorando ao longo de 2026, ampliando a pressão sobre o custo de produção da sojicultura. Pelas estimativas, já em março a relação de troca pode atingir 18,5 sacas por tonelada para o SSP, 23,2 sacas por tonelada para o KCl e 33,5 sacas por tonelada para o MAP.
Para julho, o cenário projetado é de deterioração ainda mais acentuada. Produtores podem ter de desembolsar 21,8 sacas de soja por tonelada de SSP, o que representaria uma alta de 15% em relação ao valor médio de fevereiro. No caso do KCl, a relação de troca pode chegar a 28,6 sacas por tonelada, avanço de 20% ante a média de fevereiro. Já para o MAP, a estimativa é de 40,7 sacas por tonelada, aumento de 19% na mesma comparação.
Destaque: o KCl aparece com a projeção de maior deterioração percentual até julho, reforçando o impacto potencial sobre a estratégia de compra de insumos e o planejamento financeiro do produtor.
Projeção da relação de troca (sacas de soja por tonelada)
Fertilizante Março (estimativa) Julho (estimativa) SSP 18,5 sacas/tonelada 21,8 sacas/tonelada KCl 23,2 sacas/tonelada 28,6 sacas/tonelada MAP 33,5 sacas/tonelada 40,7 sacas/tonelada
Por que os fertilizantes estão mais caros?
De acordo com a Scot, o encarecimento dos fertilizantes está ligado a fatores externos e à elevada dependência brasileira do mercado internacional. O Brasil segue como grande importador: no ano passado, o país trouxe do exterior 45,5 milhões de toneladas e a expectativa é de que, neste ano, as compras externas ultrapassem 47 milhões de toneladas.
Entre os fatores que têm sustentado preços mais firmes está a instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que interfere no trânsito de cargas e aumenta o custo logístico e a percepção de risco — com atenção especial ao Estreito de Ormuz, rota estratégica associada ao fluxo de petróleo e gás natural, insumos energéticos relevantes para a produção de fertilizantes.
Outro ponto levantado é que a China mantém restrições à exportação de fosfatados e nitrogenados, priorizando o abastecimento interno — movimento que também é observado nos Estados Unidos. Além disso, o conjunto de sanções comerciais sobre a Rússia, importante fornecedora global de nutrientes agrícolas, tende a elevar custos financeiros e aumentar a volatilidade, mesmo sem interromper totalmente o comércio.
Dependência de importação amplia exposição a custos externos.
Tensões geopolíticas elevam risco logístico e financeiro.
Restrições de exportação reduzem oferta global de alguns nutrientes.
Sanções e incertezas aumentam volatilidade e custo de transação.
Impacto na sojicultura e no planejamento do produtor
Segundo a consultoria, mesmo com um alívio cambial recente, a combinação de fertilizantes mais caros e o ambiente geopolítico incerto mantém os custos da sojicultura pressionados. Na prática, isso significa maior risco econômico, exigindo atenção redobrada ao cronograma de compras, às decisões de adubação e à gestão de caixa.
“Mesmo com o alívio cambial recente, a alta da cotação dos fertilizantes e o ambiente geopolítico incerto mantêm pressionados os custos da sojicultura, deteriorando a relação de troca e elevando o risco econômico da atividade.”
Com a perspectiva de piora até julho, o produtor tende a enfrentar uma janela mais desafiadora para fechar compras de insumos, especialmente se o preço da soja não acompanhar o movimento de alta dos fertilizantes. O indicador de relação de troca, nesse contexto, segue como um dos termômetros mais relevantes para avaliar o momento de compra e o impacto no custo total de produção.




