
O preço do boi gordo iniciou o ano em R$ 319 por arroba no estado de São Paulo e chegou a R$ 351, acumulando alta de 10%. O movimento impacta diretamente o mercado interno, ao elevar o custo da matéria-prima da carne bovina e aumentar a pressão sobre os preços ao consumidor.
No comércio internacional, a situação também mudou: com a valorização da arroba no campo e a queda do dólar no mercado doméstico, o boi gordo ficou ainda mais caro quando convertido para a moeda norte-americana. No início de janeiro, a arroba equivalia a US$ 58. Agora, está em US$ 68,5, uma alta de 18% em dólares.
Historicamente, são poucos os momentos em que a arroba ultrapassa o patamar de US$ 60. Situações semelhantes ocorreram em períodos específicos, como em 2008, 2010, 2021 e 2022 — quando o indicador chegou ao recorde de US$ 73.
Já em reais, o cenário mostra uma virada relevante: a arroba saiu de uma média anual de R$ 255 em 2023 e 2024 e avança para cerca de R$ 330 neste ano, reforçando o quadro de valorização no campo.
Segundo análise do Cepea, o comportamento recente do mercado está ligado aos investimentos feitos na pecuária em 2021 e 2022. Esse movimento elevou a oferta de animais em 2023, 2024 e no início de 2025, ao mesmo tempo em que modernizou a produção e aumentou a capacidade de entrega do setor.
Esse avanço na produção ajudou o Brasil a assumir protagonismo global, com crescimento suficiente para colocá-lo como maior produtor mundial de carne bovina, à frente dos Estados Unidos, conforme dados internacionais do setor.
Um dos pontos centrais dessa transformação é a expansão do sistema de confinamento, que vem ganhando escala com estruturas cada vez maiores. O país chegou a colocar 9,25 milhões de animais nesse modelo, o que representa aproximadamente 21% de todos os animais abatidos.
A maior produção sustentou tanto o avanço das exportações de carne bovina quanto uma recuperação gradual do consumo interno, que depende do poder de compra das famílias e dos preços no varejo.
Na transição para o início do ano, alguns fatores reduziram a oferta imediata. Entre eles:
Ritmo menor de saída de animais de confinamento, típico do período;
Chuvas que melhoram as condições de pastagem;
Manejo e estratégia de comercialização por parte dos pecuaristas;
Maior retenção de fêmeas para reprodução e inseminação.
O resultado foi um ajuste na disponibilidade de animais e uma queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos, refletindo negociações mais duras. Em termos práticos, a oferta no campo entrou em fase de ajuste e contribuiu para a manutenção dos preços em níveis elevados.
Em destaque: a oferta de boiadas no campo vem sendo ajustada, em um ambiente de negociação mais firme entre quem produz e quem compra.
Do lado externo, as exportações seguem com viés favorável. A China permanece como principal compradora, enquanto outros mercados voltaram a demandar carne brasileira, incluindo os Estados Unidos. A leitura do setor é que a baixa oferta de carne no mundo contribui para sustentar esse fluxo de compras.
Apesar do bom desempenho, o câmbio virou um fator decisivo para a competitividade. Com o dólar na casa de R$ 5,15 e a arroba a R$ 351, a carne brasileira pode perder vantagem em relação a concorrentes, principalmente quando há pressão de custos na origem.
Com uma produção mais enxuta vinda do campo, a disponibilidade de carne recuou ao menor nível dos últimos 14 meses, cenário que ajuda a explicar a firmeza das cotações.
Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade da sustentação de preços, ao menos até março e abril, em função do equilíbrio delicado entre oferta mais restrita e demanda — tanto no mercado interno quanto no externo.
No horizonte do segundo semestre, a avaliação é de maior incerteza, especialmente por causa do comportamento da China. A perspectiva é de que as compras do país asiático possam diminuir, o que exigiria do Brasil ajustes na estratégia de exportação.
Uma alternativa seria ampliar o envio de cortes mais baratos, como os do dianteiro, caso haja mudança no padrão de demanda. Além disso, existe a possibilidade de China e Estados Unidos aumentarem compras de carne da Argentina, realocando fluxos globais: mercados atendidos por argentinos tenderiam a buscar produto no Brasil, alterando o equilíbrio comercial.
Internamente, o ano tende a ter maior circulação de recursos, com fatores que podem dar suporte à demanda doméstica. Entre os elementos citados por analistas estão medidas de renda e eventos que historicamente elevam o consumo e o fluxo econômico.
Resumo do cenário: a arroba subiu no Brasil, o preço em dólar avançou ainda mais, a oferta ficou mais ajustada no curto prazo e o câmbio será determinante para manter a competitividade das exportações.
Indicador Início do ano Agora Variação Arroba (SP) em reais R$ 319 R$ 351 +10% Arroba em dólares US$ 58 US$ 68,5 +18%
Com oferta mais contida no curto prazo e exportações ainda aquecidas, o mercado segue atento à combinação entre câmbio, comportamento da China e ritmo de produção no campo — fatores que devem definir o rumo dos preços da carne bovina ao longo do ano.

Resumo: O mercado de pecuária brasileiro está em cautela após dados do Ministério do Comércio Chinês mostrarem que o Brasil já atingiu metade da cota de exportação de carne bovina para 2026, fixada em 1,106 milhão de toneladas, com previsão de alcance já em junho. Se a cota não for ampliada, o excedente da produção pode enfrentar uma tarifa de salvaguarda de 55% para entrar na China, forçando o escoamento para o mercado interno e pressionando os preços. Analistas apontam que a arroba do boi gordo deve recuar no segundo semestre, com a cotação próxima de R$ 346,50 sob pressão. Em resposta, entidades buscam diversificar mercados, ampliando vendas para a Europa e outros países asiáticos que demandam o produto brasileiro, ainda que em volumes menores que a China. Cotas de Exportação 2026 (China): Brasil 1.106.000 t; Argentina 511.000 t; Uruguai 324.000 t. Mesmo com a cautela, o consumidor pode sentir alívio nos preços nos açougues caso o volume seja redirecionado para o mercado interno. Sobre a Salvaguarda Chinesa: o teto regula o mercado interno; volumes que excedem o limite pagam 55% de tarifa adicional; a medida vale até o final de 2028, com pequenos aumentos anuais na cota. O texto encerra questionando se a queda de preço chegará à mesa do consumidor mato-grossense ou se custos logísticos manterão os valores estáveis, além de como o pecuarista deve se preparar para esse cenário.
Resumo: A pecuária brasileira enfrenta falta de vacinas contra clostridioses, com o problema transcendente não se limitando a Minas Gerais e afetando o abastecimento nacional após a saída de uma empresa que detinha cerca de 40% do mercado. A CNA informou ao MAPA que está buscando acelerar a recomposição de estoques. Na Expozebu, a CNA e o Sindan mostraram que as demais indústrias estão ampliando a capacidade de produção para atender à demanda emergencial, mas a regularização deve ocorrer somente no segundo semestre. Clostridiose é um grupo de doenças virais graves e frequentemente letais, cuja prevenção depende principalmente da vacinação. Enquanto a vacinação não está amplamente disponível, o Sistema Faemg/Senar orienta pecuaristas a reforçar boas práticas de manejo, com suplementação mineral, alimentação adequada, descarte correto de carcaças e priorização de animais não vacinados quando houver vacinas. O Mapa atribui o desabastecimento a decisões mercadológicas de fabricantes que descontinuaram produção entre o fim de 2025 e janeiro deste ano, e afirmou que atua para estimular a ampliação da fabricação e de importações, bem como acelerar fiscalização e liberação das vacinas.

A palma forrageira tem ganhado espaço em Minas Gerais, principalmente no Norte de Minas, como alternativa de alimentação do rebanho diante das secas. A 4ª edição do Palmatech ocorre até 7 de maio, em Janaúba e Nova Porteirinha, promovida pela Epamig, com o SimPalma e o PalmaDay no Campo Experimental de Gorutuba. A expectativa é de mais de 200 participantes; os painéis abordarão uso da palma na alimentação animal, formas de cultivo e manejo, desafios e pesquisas em andamento.armazenem a palma por tempo indeterminado, assegurando alimentação caso haja escassez.

Resumo: A FIAPE (Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz), em sua 38ª edição, ocorre até domingo, 3 de maio, no Parque de Feiras e Exposições de Estremoz. A organização é da Câmara Municipal, com o apoio da Associação de Criadores de Gado de Estremoz (ACORE). O destaque é o setor agropecuário, com cerca de mil animais em exposição, principalmente bovinos e ovinos. Segundo Manuel Ramalho, presidente da ACORE, a FIAPE é um espaço importante de promoção, troca e venda entre criadores; se houvesse mais espaço, haveria mais animais. Participam produtores de norte a sul do país, além de representantes estrangeiros.

A JBJ Agropecuária, controlada por José Batista Júnior (Júnior Friboi), formalizou a aquisição da Fazenda Conforto, em Nova Crixás (GO), proprietária de um dos maiores confinamentos de gado bovino do país. Júnior Friboi é irmão de Wesley e Joesley Batista, controladores da JBS. O texto também cita a expansão de uma unidade de bovinos pela Próxima MBRF no Uruguai, além de promover conteúdos sobre Valor One e ferramentas de mercado.