
Resumo: O Banco do Brasil entra em 2026 com a inadimplência ainda elevada, especialmente no agronegócio, e sinaliza que o primeiro trimestre deve ser decisivo para confirmar uma recuperação mais consistente. A estratégia do banco combina recomposição de margens, crescimento em linhas com garantias e foco em sustentabilidade de resultados, mantendo o payout em 30%.
O Banco do Brasil começa 2026 com um cenário ainda pressionado pela inadimplência acima de 90 dias, que permanece em 5,17%. No agronegócio, o índice atinge 6,09%, mantendo o setor como um dos principais pontos de atenção do mercado em relação ao desempenho do banco.
Segundo a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, o início do ano tende a continuar impactado por operações rurais contratadas sob uma metodologia anterior. A expectativa apresentada pela administração é de que a inadimplência permaneça elevada no primeiro trimestre, comece a ceder a partir do segundo trimestre e apresente melhora mais consistente apenas no segundo semestre.
“2026 começa sob pressão, com o primeiro trimestre ainda impactado por operações rurais contratadas sob metodologia antiga.”
Para 2026, o Banco do Brasil projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com ROE (retorno sobre patrimônio) na faixa de 10% a 13%. A administração avalia que superar esse patamar é improvável no momento, reforçando uma postura de maior cautela diante do ambiente de crédito.
O banco informou ainda que o payout — parcela do lucro distribuída aos acionistas — será mantido em 30%, sem expectativa de dividendos extraordinários no curto prazo. A mensagem central é de priorização da sustentabilidade dos resultados.
Tema Sinalização para 2026 Inadimplência (> 90 dias) Elevada no 1º tri, tendência de melhora a partir do 2º tri e mais consistente no 2º semestre Lucro líquido ajustado Entre R$ 22 bi e R$ 26 bi ROE Entre 10% e 13% Payout 30%, sem dividendos extraordinários no curto prazo Estratégia comercial Recomposição de margens com menor risco, expansão de crédito consignado e linhas com garantia
No plano comercial, a instituição pretende recompor margens com foco em menor risco. Entre as prioridades, está a ampliação da atuação no crédito consignado, com meta de alcançar 20% de participação, incluindo o consignado privado. O banco também pretende expandir linhas com garantias e aprofundar relacionamento com clientes de maior valor.
Ao mesmo tempo, a gestão avalia os efeitos de medidas como a antecipação de contribuições ao Fundo Garantidor de Crédito, além do ambiente ainda desafiador no agronegócio — um segmento relevante para a carteira e para a percepção de risco do banco.
Analistas apontam que um dos principais vetores positivos está no desempenho operacional, especialmente na margem financeira. Após um início mais fraco em 2025, essa linha do balanço voltou a ganhar tração ao longo do ano, sinalizando uma reversão gradual do movimento anterior.
A leitura de parte do mercado é que a melhora não se limita a um efeito pontual. Há avaliação de que existe um componente mais estrutural, associado à qualidade da carteira — com destaque para o agronegócio e o crédito corporativo — e a níveis considerados confortáveis de cobertura de provisões.
Outro ponto citado é que a carteira de crédito voltada ao agro pode apresentar qualidade relativamente superior à média do sistema, dada a maior presença de grandes produtores e operações com garantias reais.
No pano de fundo macroeconômico, a taxa Selic em patamar elevado (em 15%) — ainda que com expectativa de cortes graduais — tende a manter um ambiente favorável para geração de margem financeira em determinadas linhas, especialmente as indexadas ao CDI e também no crédito rural.
Esse contexto pode sustentar um lucro recorrente mais robusto no curto prazo e, por consequência, contribuir para a manutenção de dividendos, desde que a qualidade dos ativos não sofra nova deterioração.
No campo de avaliação de preço, há quem enxergue oportunidade caso o banco consiga entregar ROE acima do custo de capital com inadimplência sob controle. A ação é descrita como negociando com múltiplos comprimidos, em parte por carregar um desconto estrutural associado ao risco de ingerência política, historicamente atribuído a bancos com participação estatal.
Mesmo com fundamentos melhorando, esse prêmio de risco tende a persistir, especialmente em contexto pré-eleitoral. Para investidores institucionais, o desconto em métricas como preço sobre valor patrimonial e preço sobre lucro funciona como compensação ao risco de ruídos políticos no curto prazo.
Para investidores focados em renda, o papel segue no radar pela projeção de dividend yield em torno de 7% a 8% em 2026, considerando payout próximo de 30%. A percepção, no cenário-base, é de que esse nível pode ser sustentável se o banco mantiver o custo de crédito dentro das projeções e se a inadimplência não voltar a acelerar.
Por outro lado, o principal ponto de atenção é direto: a tese de “máquina de renda” depende da estabilidade da qualidade dos ativos. Se o risco de crédito voltar a pressionar, o dividendo tende a carregar maior incerteza.
Entre os alertas mais relevantes está o custo de crédito. A volatilidade dos resultados do banco pode aumentar conforme variam as despesas com provisões para devedores duvidosos, o que afeta o lucro trimestral.
Além disso, mudanças regulatórias podem contribuir para manter a inadimplência estatisticamente elevada por mais tempo, o que aumenta a necessidade de monitoramento, especialmente ao longo do início de 2026.
Inadimplência acima de 90 dias e ritmo de reversão;
Custo de crédito em relação às projeções divulgadas;
Margem ajustada ao risco, para avaliar a qualidade do resultado;
Crescimento seletivo da carteira, evitando expansão com piora de risco.
O agronegócio permanece como o segmento mais sensível na análise do risco do Banco do Brasil. Uma safra recorde de soja tende a favorecer volumes financiados e o fluxo de caixa no setor, mas maior volume não garante melhor margem. Preços domésticos pressionados e custo financeiro elevado podem afetar produtores mais alavancados.
No milho, o cenário é descrito como mais apertado. Já no ciclo do gado, há sinais de reversão que podem ajudar margens, mas o acompanhamento da inadimplência rural continua sendo crucial ao longo do primeiro e do segundo trimestre de 2026.
Para quem busca valorização, a tese passa por uma eventual reprecificação, desde que três condições se confirmem: controle do custo de crédito, manutenção do ROE acima do custo de capital e ausência de interferência estratégica relevante. Nesse cenário, múltiplos comprimidos e lucro recorrente podem sustentar desempenho positivo ao longo de 2026.
Para investidores de renda, o dividend yield competitivo pode permanecer atrativo, mas a estratégia exige disciplina, sobretudo porque o payout é mais conservador e a trajetória do lucro é determinante para a sustentabilidade dos proventos.
Já para perfis mais conservadores, a recomendação implícita no cenário é de cautela e monitoramento do 1º trimestre. Caso haja deterioração adicional na inadimplência ou frustração com projeções, a tendência é de aguardar maior visibilidade antes de ampliar exposição.
Em síntese: 2026 começa com pressão no crédito, sobretudo no agro, mas com sinais de retomada operacional e uma estratégia voltada a margens e risco. O mercado deve mirar o desempenho do início do ano para definir se a recuperação ganha tração ou se o desconto associado às incertezas seguirá justificável.
Resumo: O artigo acompanha o foco da agenda agrícola no governo de Milei, que prometeu uma “revolução” no setor e a duplicação da colheita de cereais para 300 milhões de toneladas, mantendo cautela fiscal. A política de deduções fiscais de exportação (DEX) permanece central, com reduções já aplicadas à soja, ao trigo e ao milho, o que impacta os produtores, principalmente os de oleaginosas, pelo efeito direto nos preços. Também há ênfase em um novo regime de proteção à propriedade intelectual de sementes para estimular inovação, sob críticas sobre o atraso regulatório em comparação com o Brasil. Entidades como ASA e Carbap disputam a adoção da Lei UPOV 1991 e a forma de conciliar custos e controle sobre as sementes, com a expectativa de que as próximas semanas tragam uma solução definitiva.

Resumo: o consumo de caprinos e ovinos no Irã caiu, elevando a demanda por aves e, consequentemente, as importações de milho. com a moeda local em queda, as compras devem cair, tornando as importações mais caras. a lacuna de demanda iraniana pode ser preenchida pela china, que já foi a maior fornecedora do milho brasileiro, mas isso dependerá do preço e dos estoques. um analista destaca que o Irã foi a salvação das exportações brasileiras em 2025 e, sem ele, não seriam atingidas 40 milhões de toneladas escoadas; outro afirma que a china é carta fora do baralho no momento, após ter abastecido seus estoques e prever reduzir compras por três anos. há ainda a visão de que não há outro comprador com o mesmo potencial de absorção no curto prazo. por fim, parte do milho que deixar de ir ao Irã pode ficar no mercado interno para atender à indústria de etanol de milho.

Resumo: Brasil e Espanha avançam na cooperação em irrigação, gestão sustentável da água e desenvolvimento regional, por meio do Memorando de Entendimentos assinado entre o MIDR e o Ministério da Agricultura espanhol em 2025. O secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, lidera uma delegação com representantes da ANA para intercâmbio de conhecimentos, visitas técnicas a áreas irrigadas e centros de pesquisa na Andaluzia, visando aprender boas práticas, entender marcos regulatórios e fortalecer capacidades institucionais. A missão incluiu visitas ao perímetro irrigado Genil-Cabra, à Comunidade de Irrigantes de Santaella, ao CENTA e à Universidade de Córdoba, com foco em soluções como reutilização de água e uso de gêmeos digitais na agricultura. O objetivo é compartilhar práticas brasileiras, atrair cooperação e investimentos, além de discutir políticas públicas de gestão da água e planejamento hidrológico; a missão será concluída com reunião no Ministério da Agricultura da Espanha.

A guerra no Oriente Médio aumenta a incerteza nas rotas logísticas e no fornecimento de energia, com o estreito de Hormuz, que concentra pelo menos 20% da produção mundial de petróleo, em foco. O Insper Agro Global aponta que desvios de rota, maior percepção de risco e prêmios de seguro elevam os custos de transporte, o que impacta diretamente a cadeia de suprimentos do agronegócio brasileiro. A instabilidade também ameaça o estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez, ampliando riscos para o comércio agropecuário global.

Resumo: Durante fiscalização na BR-277, a Polícia Rodoviária Federal flagrou um caminhão com toras de eucalipto transportando 44 toneladas, 15 acima do limite permitido de 29 t. O motorista, de 34 anos, conduzia com CNH suspensa e já havia sido autuado pela mesma infração em dezembro, caracterizando reincidência. O veículo foi retido e o transbordo da carga excedente foi determinado para que o caminhão seguisse dentro dos limites legais. Ao todo, foram registradas 11 autuações. A PRF reforça que o excesso de peso representa risco à segurança, aumenta a distância de frenagem e danifica o pavimento.