
Mato Grosso deixou de ser apenas um grande produtor brasileiro e passou a atuar como uma potência global no mercado de grãos, especialmente na soja. O desempenho do estado na última temporada reforça esse status: a produção avançou de cerca de 38 milhões de toneladas para mais de 50 milhões de toneladas, um marco que amplia a influência mato-grossense sobre cadeias alimentares em diferentes países.
O volume é tão expressivo que, se o estado fosse uma nação independente, figuraria como a terceira maior potência mundial na produção de soja, superando países tradicionalmente associados ao grão e ficando atrás apenas dos maiores líderes globais do setor.
O crescimento não é atribuído a um único fator. Segundo a avaliação de especialistas e agentes do setor, o avanço resulta da combinação entre resiliência do produtor e um pacote tecnológico cada vez mais sofisticado, que inclui melhorias no manejo, na eficiência operacional e na tomada de decisão no campo.
Um dos pontos mais destacados é a capacidade de transformar áreas antes vistas como de baixa aptidão agrícola em regiões altamente produtivas. Com investimento consistente em manejo inteligente e em práticas associadas à sustentabilidade, produtores conseguiram elevar a produtividade e consolidar “cinturões de riqueza” em diferentes polos do estado.
Em destaque: o avanço de Mato Grosso na soja é resultado de tecnologia, estratégia de manejo e adaptação do produtor às condições do campo.
Ao contrário da percepção comum fora das regiões produtoras, o crescimento do agronegócio no estado convive com um discurso de rigor ambiental e com o foco em eficiência no uso das áreas já abertas. O modelo enfatiza a intensificação produtiva e a otimização do que já está consolidado, mantendo extensões de biomas nativos preservadas.
Na prática, o cenário descrito pelo setor combina ciência aplicada ao campo — com adoção de tecnologia e melhoria de processos — e um compromisso com a manutenção de áreas nativas, reforçando a narrativa de que o ganho de escala pode ocorrer com uso mais eficiente da terra.
Apesar do protagonismo, a competitividade da soja mato-grossense ainda enfrenta um conjunto de dificuldades conhecido como “Custo Mato Grosso”. O termo sintetiza a pressão de custos e entraves estruturais que afetam a rentabilidade e elevam a complexidade para quem produz longe dos principais centros consumidores e portos.
Mesmo com a liderança e com safras robustas, o produtor segue operando com desafios que impactam diretamente o resultado final, incluindo variáveis relacionadas a logística e ao escoamento, além de custos adicionais típicos de uma produção em grande escala em áreas distantes dos principais corredores de exportação.
| Indicador | Informação |
|---|---|
| Produção anterior | Cerca de 38 milhões de toneladas |
| Última temporada | Acima de 50 milhões de toneladas |
| Posição simbólica no mundo | Equivalente à terceira maior potência global em soja (se fosse um país) |
A relevância de Mato Grosso extrapola a porteira. Em um cenário de volatilidade global, mudanças de clima e pressão por oferta, a safra do estado ajuda a definir preços, disponibilidade e estratégias de abastecimento em diferentes mercados. Na prática, o volume produzido influencia a cadeia de alimentos — do farelo usado na ração ao óleo e produtos derivados — e contribui para calibrar o ritmo de exportações.
Esse papel central torna ainda mais evidente a necessidade de enfrentar gargalos estruturais. À medida que o estado amplia a produção e reforça seu protagonismo, cresce também a demanda por soluções que reduzam custos e aumentem a eficiência do escoamento, mantendo a competitividade do grão brasileiro no cenário internacional.
Resumo: Mato Grosso atingiu um novo patamar na produção de soja, ultrapassando 50 milhões de toneladas e consolidando influência global. O avanço está associado à tecnologia e ao manejo eficiente, com foco em produtividade e preservação de áreas nativas. Ainda assim, desafios estruturais e o “Custo Mato Grosso” seguem como obstáculos para a competitividade do produtor.

Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.