
O crédito para custeio na suinocultura encolheu de forma relevante em 2025, em um cenário marcado por juros elevados e maior cautela na concessão de financiamentos. Segundo avaliação do consultor Machado, as taxas para operações de custeio no segmento chegaram a 18% ao ano, encarecendo o capital de giro e reduzindo a disposição de produtores em contratar novas linhas.
Os dados preliminares do financiamento da atividade constam na ABCSData, plataforma de inteligência de mercado que reúne informações atualizadas sobre o setor e foi apresentada em Florianópolis durante o 333 Experience Congress Brasil. O levantamento consolida tanto operações de produtores integrados quanto de independentes, oferecendo um retrato do comportamento do crédito no último ano.
De acordo com a plataforma, o crédito de custeio destinado à suinocultura recuou 21% em 2025, alcançando R$ 1,8 bilhão. No período, foram registradas 28,7 mil operações, com valor médio de R$ 60,9 mil por contratação. A maior parte dos recursos foi originada em bancos públicos, que responderam por R$ 1,2 bilhão do total.
Em destaque: mesmo com sinais de recuperação na suinocultura em 2025, o acesso ao crédito não acompanhou o ritmo, reforçando o peso dos juros altos e das restrições de financiamento no custeio do setor.
No recorte por porte, médios produtores foram responsáveis por 68,5% das contratações, enquanto os pequenos ficaram com 31,3%. O dado sugere que, em períodos de crédito mais caro, produtores com maior escala tendem a ter mais condições de absorver o custo financeiro — ainda que o aumento do endividamento siga sendo uma preocupação.
Volume total (2025): R$ 1,8 bilhão
Queda anual: 21%
Número de operações: 28,7 mil
Ticket médio: R$ 60,9 mil
Participação de bancos públicos: R$ 1,2 bilhão
Taxas citadas para custeio: até 18% ao ano
Embora 2025 tenha sido descrito como um ano de recuperação para a suinocultura, a leitura é que o avanço ocorreu sem mudanças estruturais significativas. Para Machado, houve crescimento da produção, mas não de forma sustentada por investimentos robustos em melhorias de instalações ou incorporação de tecnologia.
A avaliação é que boa parte do ganho veio da produtividade dentro da mesma estrutura física, o que limita a capacidade de expansão de longo prazo e aumenta a sensibilidade do setor a oscilações de custo, preço e crédito. Em um ambiente de juros elevados, a postergação de investimentos tende a se intensificar, pressionando a modernização da atividade.
Entre os recortes regionais, um ponto chamou atenção: Minas Gerais teve o segundo maior volume de crédito contratado para a suinocultura em 2025, somando R$ 371 milhões, apesar de possuir apenas o quarto maior rebanho do país. A explicação passa pela estrutura produtiva local: o estado concentra o maior rebanho independente, o que pode demandar mais financiamento direto por parte do produtor.
Já em Santa Catarina, principal estado produtor, a plataforma indica que a unidade federativa liderou o ranking de crédito em 2025. No entanto, o perfil é diferente: predominam produtores integrados ou cooperados, o que pode alterar a forma como o financiamento é contratado e distribuído ao longo da cadeia.
Indicador Dado (2025) Leitura Crédito de custeio R$ 1,8 bilhão (queda de 21%) Recuo indica restrição de financiamento e custo financeiro elevado Operações 28,7 mil Movimentação relevante, porém com menor volume total Ticket médio R$ 60,9 mil Valor sugere foco em custeio e capital de giro de menor escala Minas Gerais R$ 371 milhões (2º maior volume) Peso do rebanho independente pode elevar demanda por crédito direto
Para o segundo semestre de 2026, a expectativa indicada por Machado é de recuperação dos preços dos suínos, desde que não ocorram problemas relacionados à exportação. A leitura segue um padrão histórico do setor: a suinocultura tende a apresentar reação na segunda metade do ano, com a demanda crescendo especialmente no último trimestre, impulsionada pelos festejos de fim de ano.
Em um contexto de crédito mais restrito, a eventual melhora de preços pode aliviar margens no curto prazo, mas não elimina o desafio de financiamento para custeio e modernização. A combinação entre custo do dinheiro, necessidade de capital para manter a atividade e volatilidade de mercado segue como ponto central para decisões de produtores e agentes financeiros.

A Aurora Coop inaugura hoje a ampliação da unidade de abate de suínos de São Gabriel do Oeste (MS), tornando-se a segunda maior planta da cooperativa, atrás apenas da de Chapecó (SC). O projeto, iniciado há mais de três anos, surgia em meio a uma expectativa de demanda mais positiva, com consumo per capita de carne suína em crescimento desde 2019 e aumento das exportações brasileiras, fatos que respondem por cerca de 60% da receita da Aurora. No entanto, o cenário atual apresenta um mercado interno enfraquecido e oferta abundante de carne suína. Diante disso, a cooperativa planeja se adaptar: não ofertar grandes volumes, investir em itens processados e ampliar as exportações. O presidente Neivor Canton destacou que a lacuna de consumo surpreendeu o planejamento original e que a empresa precisará ajustar suas estratégias para sustentar a operação da unidade ampliada, mantendo o foco na exportação e nos produtos processados.

Resumo: O carimbo na carne suína é uma marca do Serviço de Inspeção Federal (SIF), ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que atesta a segurança do alimento. Segundo Enrico Ortolani, consultor do Globo Rural, não é preciso descartar a parte carimbada. A tinta usada não é tóxica e costuma ser feita a partir de corantes vegetais, álcool de cereais e glicerina. Em síntese, o SIF garante a qualidade da carne, e o carimbo pode ser consumido com segurança.