
Soja em Mato Grosso enfrenta filas de caminhões de até 25 km na BR-163 rumo a Miritituba; obras de R$105 milhões prometem aliviar o escoamento
A colheita de soja em Mato Grosso está gerando filas de caminhões de até 25 km até a BR-163, em direção ao porto de Miritituba, devido à ausência de obras de manutenção e asfaltamento na via Transportuária. As melhorias, estimadas em cerca de R$ 105 milhões e que incluem um novo acesso, devem ficar prontas entre maio e novembro deste ano. A chuva agrava o problema, fazendo muitos caminhões não conseguirem subir a estrada ou atolarem. O possível redirecionamento de cargas de Santarém para Miritituba, por protestos na Cargill, pode ter contribuído, mas a Adecon lembra que a maior parte das cargas segue pelos rios. O gargalo em Santarém depende do recebimento na Cargill: se a operação estiver parada, há represamento que desloca cargas para Miritituba; além disso, Santarém também não está recebendo barcaças, agravando o problema além de simples atrasos de caminhões.
Filas de caminhões chegam a 25 km em rota de grãos para Miritituba e expõem gargalos logísticos no Norte
Com a colheita de soja avançando em Mato Grosso, o escoamento da safra enfrenta atrasos e filas extensas na conexão com a BR-163. Chuvas, falta de manutenção e obras pendentes agravam o cenário.
O avanço da colheita da soja em Mato Grosso já provoca reflexos diretos na logística de transporte rumo aos portos do Norte. Nas últimas semanas, foram registradas filas de caminhões de até 25 quilômetros no trajeto que leva à BR-163 e segue em direção ao porto de Miritituba, importante ponto de transbordo para o embarque de grãos em barcaças.
O principal motivo apontado para o congestionamento é a ausência de obras de manutenção e asfaltamento na via conhecida como Transportuária, acesso estratégico para a movimentação de cargas. As intervenções previstas incluem melhorias estruturais e a construção de um novo acesso, com orçamento estimado em cerca de R$ 105 milhões. A expectativa é que as entregas ocorram no período entre maio e novembro deste ano.
Chuva intensifica atoleiros e amplia o tempo de espera
De acordo com Vanderlei Ataídes, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Pará (Aprosoja-PA), o volume de chuva tem impacto direto na fluidez do tráfego. Em diversos pontos, caminhões não conseguem subir trechos críticos ou acabam atolando, o que interrompe a circulação e faz as filas crescerem rapidamente.
“A cada ano que passa, aumenta a demanda de cargas. Ano passado houve esse problema, mas não desse tamanho.”
Vanderlei Ataídes, Aprosoja-PA
O cenário reforça uma realidade recorrente em corredores logísticos do Norte: a combinação entre alta demanda na safra e infraestrutura insuficiente cria gargalos que se repetem, especialmente em períodos de chuva.
Desvio de cargas e represamento elevam pressão sobre Miritituba
Outro fator que pode ter agravado o congestionamento é o eventual redirecionamento de cargas que normalmente seguiriam para Santarém. A mudança de rota estaria relacionada a protestos de indígenas envolvendo operações da Cargill, o que teria contribuído para aumentar a pressão sobre Miritituba.
Apesar disso, o diretor executivo da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (Adecon), Edeon Vaz Ferreira, avalia que o volume de caminhões que segue do Centro-Oeste para Santarém é relativamente pequeno, já que boa parte da movimentação na região é realizada por vias fluviais.
Ainda assim, Edeon ressalta que há um componente logístico relevante: Santarém tem um terminal de grande porte dedicado ao recebimento de grãos, e quando esse fluxo é interrompido, o sistema tende a represar cargas em outros pontos do corredor.
Destaque: Segundo o diretor da Adecon, o problema não se resume ao desvio de caminhões: há um efeito em cadeia quando terminais deixam de receber grãos e barcaças também deixam de operar no ritmo esperado.
“Mas o único terminal grande que recebe grãos em Santarém é o da Cargill, e se ela não está recebendo, há represamento. E esse represamento, obviamente, vai para Miritituba para que possa colocar nas barcaças e levar para Santarém. O problema é que Santarém também não está recebendo barcaças. Então o problema é muito maior que a paralisação ou desvio de caminhões”, afirmou Edeon.
Obras previstas e risco de novos gargalos durante a safra
Com o fluxo de caminhões aumentando ano após ano, a expectativa em torno das obras na Transportuária cresce. A projeção de entrega das melhorias entre maio e novembro, porém, mantém o setor em alerta quanto à possibilidade de o corredor seguir operando com capacidade limitada justamente durante um período crítico de escoamento.
Especialistas do setor logístico apontam que, em corredores de exportação, o impacto de um trecho com baixa qualidade de pavimento vai além da lentidão: há aumento no custo do frete, risco de quebras mecânicas, maior consumo de combustível e perda de eficiência no transbordo para as barcaças.
Pontos centrais do problema (resumo)
Filas de até 25 km no acesso à BR-163 rumo a Miritituba.
Chuvas provocam atoleiros e dificultam a subida de caminhões em trechos críticos.
Falta de manutenção e asfaltamento na via Transportuária é apontada como principal causa.
Obras estimadas em cerca de R$ 105 milhões, com previsão de entrega entre maio e novembro.
Represamento logístico pode ser ampliado por interrupções no recebimento em Santarém.
Panorama das informações citadas
Item O que foi informado Local Mato Grosso, BR-163 e acesso ao porto de Miritituba Problema Congestionamento e filas devido a falhas de infraestrutura e chuvas Extensão das filas Até 25 km Obras Manutenção, asfaltamento e construção de novo acesso Orçamento Cerca de R$ 105 milhões Prazo estimado Entre maio e novembro deste ano
Enquanto as obras não saem do papel ou não alcançam o estágio necessário para melhorar a trafegabilidade, o corredor de exportação segue vulnerável a interrupções. Com a safra avançando e a demanda por transporte crescendo, o desafio logístico na rota até Miritituba permanece como um dos pontos mais sensíveis do escoamento de grãos no país.




