
Movimento levou a moeda americana ao menor patamar desde maio de 2024, em meio a maior apetite por ativos associados a matérias-primas.
O dólar voltou a perder força frente ao real e encerrou a sessão desta terça-feira com queda de 0,60%, cotado a R$ 5,1246. Foi o quinto dia consecutivo de recuo, refletindo um cenário de maior demanda por moedas de países exportadores de commodities, o que favoreceu divisas emergentes e pressionou a moeda americana.
Com o novo recuo, o dólar registrou o menor nível de fechamento desde 21 de maio de 2024, quando havia terminado a sessão a R$ 5,1162. A sequência de desvalorizações reforça a percepção de que o mercado tem encontrado espaço para reduzir posições defensivas, especialmente quando cresce o interesse por ativos sensíveis ao ciclo global de matérias-primas.
A leitura predominante do mercado é que a demanda por moedas ligadas a commodities vem sustentando um fluxo mais favorável a economias exportadoras, como o Brasil. Em momentos em que investidores buscam exposição a matérias-primas, a tendência é que moedas de países produtores ganhem tração, enquanto o dólar pode perder parte do seu apelo como proteção.
Destaque: a moeda americana acumulou cinco sessões seguidas em queda e atingiu R$ 5,1246, patamar próximo ao visto pela última vez em maio de 2024.
Embora o câmbio seja influenciado por uma combinação ampla de fatores — como juros, cenário externo, percepção de risco e fluxos financeiros — o movimento recente indica que a dinâmica internacional, especialmente a preferência por ativos relacionados a commodities, tem pesado no curto prazo.
Indicador Resultado Fechamento do dólar R$ 5,1246 Variação no dia -0,60% Sequência de quedas 5 sessões consecutivas Menor patamar desde 21 de maio de 2024 Referência histórica citada R$ 5,1162 (fechamento em 21/05/2024)
No mercado acionário, o Ibovespa chegou a renovar recorde intradiário durante a manhã, mas perdeu força ao longo do pregão e encerrou o dia em queda de 0,13%. O comportamento do índice sugere uma sessão marcada por alternância entre otimismo e realização de lucros, em um ambiente de cautela típica de períodos com elevada atenção aos movimentos de câmbio e de ativos ligados ao cenário global.
Ibovespa: renovou recorde intradiário pela manhã
Encerramento: recuo de 0,13% no fim do pregão
Contexto: sessão com perda de fôlego após avanço inicial
A trajetória do dólar é acompanhada de perto por empresas e consumidores porque afeta custos de importação, preços de itens dolarizados e decisões de investimento. Em setores dependentes de insumos externos, uma moeda americana mais fraca pode aliviar parte das pressões de custo. Por outro lado, exportadores monitoram o câmbio porque mudanças na cotação influenciam a competitividade e a receita em reais.
Para o mercado financeiro, a cotação também funciona como termômetro de risco e de fluxo internacional: quando há maior busca por ativos de países emergentes e por commodities, o real tende a encontrar suporte; em momentos de aversão a risco, o movimento costuma ser o oposto, com fortalecimento do dólar.
O recuo do dólar para a casa de R$ 5,12 reforça um momento de menor pressão cambial, associado à rotação de investidores para moedas e ativos sensíveis ao desempenho de commodities.
Em resumo: o dólar caiu pelo quinto dia seguido e terminou em R$ 5,1246, no menor nível desde maio de 2024, impulsionado pela demanda por moedas ligadas a commodities. Enquanto isso, o Ibovespa oscilou, chegou a renovar recorde intradiário e fechou em leve baixa de 0,13%.

Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.

Resumo: O Golfo Pérsico enfrenta o maior desafio de segurança alimentar desde 2008, com o conflito com o Irã ameaçando o serviço de portos e interrompendo a navegação pelo Estreito de Ormuz. A recente escalada indica que o Irã intensifica sua retaliação, lançando novos ataques contra países vizinhos e ampliando a instabilidade regional.

Resumo: O Brasil ficará com 42,5% da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo Mercosul–União Europeia, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse rateio foi definido por um entendimento firmado entre associações setoriais do Mercosul, com base no peso relativo das exportações de cada país. O acordo estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas, divididas em 55 mil toneladas de carne fresca/refrigerada e 44 mil de carne congelada, com tarifa de 7,5%. A implementação será gradual ao longo de seis anos. Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a UE variaram nos últimos anos entre 3 mil e 7 mil toneladas mensais, com valores entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, refletindo a valorização da proteína no mercado internacional.

Resumo: Em Chicago, os contratos futuros de óleo de soja para maio subiram 2,9% para 69,54 centavos de dólar por libra; a soja avançou 2,5% para US$ 12,31 por bushel; o trigo subiu 3,1% para US$ 6,36 por bushel; o milho, 2,6% para US$ 4,72 por bushel, em 9 de março. O óleo de soja acumula a 11ª alta consecutiva, a maior sequência desde 2008, impulsionada pela demanda por culturas usadas em biocombustíveis diante de interrupções no fornecimento de combustível. O petróleo acima de US$ 100 por barril coincidiu com cortes na produção do Golfo e com o estreito de Ormuz quase fechado, elevando custos de frete e pressionando os grãos; o conflito entre EUA, Israel e o Irã está afetando o comércio de fertilizantes, sustentando os preços, segundo Joe Davis, da Futures International. Na China, óleos vegetais e farinhas de oleaginosas também subiram, com a farinha de soja em Dalian em 3.066 yuan/t e o óleo de palma atingindo o limite diário; movimentos semelhantes ocorreram para óleo de colza e farinha de colza em Zhengzhou. O aumento dos preços do petróleo alimenta preocupações inflacionárias globais, com impactos esperados nos preços da gasolina e, possivelmente, dos alimentos; embora muitos produtores tenham assegurado insumos para 2026, podem enfrentar dificuldades no próximo ano se o estreito de Ormuz não se reabrir em breve.

A ausência do Brasil no encontro em Miami reforça o entendimento de que a relação EUA–Brasil, sob Trump e Lula, segue ativa, porém marcada por distância estratégica e disputas de influência no continente.