
Brasília — A Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica na tarde de quarta-feira (25/2), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que cria o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Com a decisão, o texto avança na tramitação e será analisado pelo Senado, etapa decisiva para a consolidação do tratado no âmbito brasileiro.
O avanço no Congresso ocorre após um novo passo dado no dia anterior: o acordo foi aprovado pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) na terça-feira (24/2), marcando o início formal do percurso legislativo nacional.
As tratativas entre os blocos não são recentes. As negociações tiveram início em 1999 e atravessaram diferentes ciclos políticos, crises econômicas e mudanças de prioridade tanto na Europa quanto na América do Sul. A conclusão técnica do texto ocorreu em 2019 — duas décadas após o começo das conversas.
A demora, porém, não se explica apenas por questões procedimentais. Ao longo do período, os lados divergiram em pontos considerados centrais, como agropecuária, indústria, padrões regulatórios e temas ligados a meio ambiente e clima.
Mesmo com o avanço institucional, o acordo ainda enfrenta resistência em países da União Europeia. Entre os críticos está a França, cujo presidente, Emmanuel Macron, declarou em 10 de fevereiro que o tratado seria um “mau negócio”.
O tratado envolve os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — e os 27 membros da União Europeia. Juntos, os blocos formam um mercado estimado em cerca de 718 milhões de habitantes, com um Produto Interno Bruto (PIB) combinado superior a US$ 22 trilhões, configurando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.
O texto estabelece a eliminação gradual de tarifas de importação (impostos cobrados sobre produtos estrangeiros) para bens agrícolas e industriais. O desenho prevê prazos escalonados, variando conforme o nível de sensibilidade econômica e o tipo de produto.
Segundo os termos do acordo, a União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas de importação sobre cerca de 95% dos produtos brasileiros, que representam 92% do que o bloco compra do Brasil em valor. A medida tende a favorecer principalmente setores com vocação exportadora, como o agronegócio e a indústria.
A retirada das tarifas ocorrerá em etapas: parte será eliminada imediatamente após a entrada em vigor do acordo, enquanto o restante terá redução gradual ao longo de prazos de 4, 7, 8, 10 e até 12 anos.
Do lado sul-americano, o Mercosul prevê eliminar tarifas sobre aproximadamente 91% dos produtos europeus, que equivalem a 85% do valor total das importações oriundas da União Europeia. Nesse caso, as tarifas serão zeradas imediatamente ou reduzidas progressivamente em períodos de 4, 8, 10 e até 15 anos.
O acordo detalha cronogramas específicos para áreas estratégicas da economia, com destaque para agropecuária e indústria. Já o setor automotivo receberá os prazos mais longos, numa tentativa de permitir adaptação gradual à concorrência internacional.
No setor agropecuário — apontado como um dos principais beneficiados — a União Europeia prevê zerar imediatamente 39% das tarifas de importação já no primeiro ano de vigência do tratado.
Entre os produtos citados como relevantes para o Mercosul, estão:
Carne bovina e carne de frango
Café
Açúcar e etanol
Soja
Frutas e suco de laranja
Do lado do Mercosul, 31% das tarifas sobre produtos agrícolas europeus serão eliminadas imediatamente, enquanto o restante seguirá um cronograma de redução ao longo dos anos.
Para o setor industrial, a União Europeia se compromete a eliminar tarifas sobre 100% dos produtos industriais exportados pelo Mercosul em até 10 anos. Dentro desse total, cerca de 80% das tarifas seriam zeradas já na entrada em vigor do acordo, ampliando o acesso de bens industrializados do bloco ao mercado europeu.
Ao mesmo tempo, o acordo tende a facilitar a importação de máquinas, equipamentos e tecnologias europeias, o que pode reduzir custos de produção e elevar a competitividade de segmentos industriais no Mercosul.
O setor automotivo terá a abertura mais lenta, com prazos mais longos para itens associados às novas rotas tecnológicas. O objetivo declarado é permitir uma transição gradual do parque industrial do Mercosul diante da concorrência internacional.
Prazos previstos para a abertura no segmento automotivo:
Categoria Prazo máximo Veículos elétricos Até 18 anos Veículos movidos a hidrogênio Até 25 anos Novas tecnologias automotivas Até 30 anos
O texto também traz projeções de impacto fiscal a partir da redução de tarifas, já que a diminuição do imposto de importação e de tributos incidentes sobre produtos estrangeiros tende a reduzir a arrecadação do governo brasileiro.
As estimativas indicam as seguintes perdas:
R$ 683 milhões em 2026
R$ 2,5 bilhões em 2027
R$ 3,7 bilhões em 2028
Em resumo: o acordo busca ampliar o comércio bilateral com a eliminação escalonada de tarifas, mas envolve negociações complexas, resistências políticas na Europa e efeitos fiscais associados à redução de impostos de importação.
Com a aprovação na Câmara, o próximo passo é a análise do Senado, que deverá avaliar o texto e seus desdobramentos econômicos, regulatórios e setoriais no cenário de integração entre Mercosul e União Europeia.
Resumo: O artigo acompanha o foco da agenda agrícola no governo de Milei, que prometeu uma “revolução” no setor e a duplicação da colheita de cereais para 300 milhões de toneladas, mantendo cautela fiscal. A política de deduções fiscais de exportação (DEX) permanece central, com reduções já aplicadas à soja, ao trigo e ao milho, o que impacta os produtores, principalmente os de oleaginosas, pelo efeito direto nos preços. Também há ênfase em um novo regime de proteção à propriedade intelectual de sementes para estimular inovação, sob críticas sobre o atraso regulatório em comparação com o Brasil. Entidades como ASA e Carbap disputam a adoção da Lei UPOV 1991 e a forma de conciliar custos e controle sobre as sementes, com a expectativa de que as próximas semanas tragam uma solução definitiva.

Resumo: o consumo de caprinos e ovinos no Irã caiu, elevando a demanda por aves e, consequentemente, as importações de milho. com a moeda local em queda, as compras devem cair, tornando as importações mais caras. a lacuna de demanda iraniana pode ser preenchida pela china, que já foi a maior fornecedora do milho brasileiro, mas isso dependerá do preço e dos estoques. um analista destaca que o Irã foi a salvação das exportações brasileiras em 2025 e, sem ele, não seriam atingidas 40 milhões de toneladas escoadas; outro afirma que a china é carta fora do baralho no momento, após ter abastecido seus estoques e prever reduzir compras por três anos. há ainda a visão de que não há outro comprador com o mesmo potencial de absorção no curto prazo. por fim, parte do milho que deixar de ir ao Irã pode ficar no mercado interno para atender à indústria de etanol de milho.

Resumo: Brasil e Espanha avançam na cooperação em irrigação, gestão sustentável da água e desenvolvimento regional, por meio do Memorando de Entendimentos assinado entre o MIDR e o Ministério da Agricultura espanhol em 2025. O secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, lidera uma delegação com representantes da ANA para intercâmbio de conhecimentos, visitas técnicas a áreas irrigadas e centros de pesquisa na Andaluzia, visando aprender boas práticas, entender marcos regulatórios e fortalecer capacidades institucionais. A missão incluiu visitas ao perímetro irrigado Genil-Cabra, à Comunidade de Irrigantes de Santaella, ao CENTA e à Universidade de Córdoba, com foco em soluções como reutilização de água e uso de gêmeos digitais na agricultura. O objetivo é compartilhar práticas brasileiras, atrair cooperação e investimentos, além de discutir políticas públicas de gestão da água e planejamento hidrológico; a missão será concluída com reunião no Ministério da Agricultura da Espanha.

A guerra no Oriente Médio aumenta a incerteza nas rotas logísticas e no fornecimento de energia, com o estreito de Hormuz, que concentra pelo menos 20% da produção mundial de petróleo, em foco. O Insper Agro Global aponta que desvios de rota, maior percepção de risco e prêmios de seguro elevam os custos de transporte, o que impacta diretamente a cadeia de suprimentos do agronegócio brasileiro. A instabilidade também ameaça o estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez, ampliando riscos para o comércio agropecuário global.

Resumo: Durante fiscalização na BR-277, a Polícia Rodoviária Federal flagrou um caminhão com toras de eucalipto transportando 44 toneladas, 15 acima do limite permitido de 29 t. O motorista, de 34 anos, conduzia com CNH suspensa e já havia sido autuado pela mesma infração em dezembro, caracterizando reincidência. O veículo foi retido e o transbordo da carga excedente foi determinado para que o caminhão seguisse dentro dos limites legais. Ao todo, foram registradas 11 autuações. A PRF reforça que o excesso de peso representa risco à segurança, aumenta a distância de frenagem e danifica o pavimento.