
O Brasil, por combinar energia competitiva e amplo espaço para expansão agrícola em áreas de pastagens degradadas, entrou de vez no radar de crescimento industrial da ADM, uma das maiores companhias globais de alimentos e originação de grãos. A empresa avalia ampliar a capacidade de esmagamento de soja no país, sustentada por um cenário de demanda interna mais aquecida por farelo e óleo, produtos-chave para a indústria de proteína animal e para o biodiesel.
Sem detalhar valores ou projetos específicos, Jayson Lee, vice-presidente de esmagamento de grãos e análise de riscos da empresa na América Latina, afirma que o Brasil é visto como um ativo estratégico para a expansão. Segundo ele, o conjunto de fatores domésticos favorece investimentos industriais que aumentem o volume processado e a oferta de produtos com maior valor agregado.
De acordo com o executivo, as fábricas da ADM no Brasil operam muito próximas da capacidade máxima, o que é considerado positivo do ponto de vista de eficiência e rentabilidade. Na avaliação da companhia, a continuidade de safras robustas e a tendência de alta na demanda doméstica por derivados da soja abrem uma janela de crescimento relevante no médio prazo.
Entre os principais motores desse movimento estão:
Demanda do setor de proteína animal, que utiliza o farelo como insumo essencial para rações;
Aumento do mandato de mistura obrigatória de biodiesel, que eleva o consumo de óleo de soja;
Busca por produtos de maior valor agregado, reduzindo a dependência de exportações de grão in natura.
Nos últimos movimentos, a ADM já reforçou sua estrutura com a expansão de três instalações de processamento de oleaginosas no país. O conjunto das melhorias adicionou 400 mil toneladas por ano à capacidade de esmagamento, distribuídas entre as unidades de Campo Grande (MS), Porto Franco (MA) e Uberlândia (MG).
O avanço se refletiu nos volumes operacionais. Em 2025, a companhia registrou 5,4 milhões de toneladas de soja processadas no Brasil, um recorde e 4% acima do total de 2024, indicando maior utilização dos ativos industriais e ganho de escala.
A perspectiva de expansão não se limita a uma empresa. Projeções do setor indicam que o Brasil deve registrar um novo recorde histórico no esmagamento em 2026, com estimativa de 61,5 milhões de toneladas. O aquecimento industrial está associado ao aumento da demanda por farelo e óleo e à maior valorização de produtos processados dentro do país.
As estimativas para 2026 apontam crescimento também nos principais derivados:
Indicador (Brasil) Projeção para 2026 Variação estimada Esmagamento de soja 61,5 milhões de toneladas Recorde histórico projetado Produção de farelo de soja 47,4 milhões de toneladas Alta estimada Produção de óleo de soja 12,3 milhões de toneladas Alta estimada
Contexto global: o Brasil, ao lado dos Estados Unidos, segue como um dos principais produtores de soja do mundo. Porém, grande parte da produção ainda é destinada à exportação do grão, enquanto o processamento doméstico cresce como alternativa para ampliar a participação em mercados de maior valor.
Para a ADM, ampliar o processamento local pode trazer ganhos que vão além do desempenho de uma única indústria. Ao direcionar parte maior da soja para o esmagamento, o país amplia a oferta de derivados e cria condições para fortalecer diferentes elos da cadeia produtiva. A estratégia tende a impulsionar:
Diversificação de produtos e maior integração industrial;
Geração de empregos em polos de processamento e logística;
Aumento de renda e fortalecimento da competitividade regional;
Elevação na arrecadação e estímulo a outros setores do mercado doméstico.
O executivo destaca que, em commodities agrícolas, há pouco espaço para diferenciação de preço, o que aumenta a importância da gestão ativa de custos. Assim, a decisão de processar na origem ou no destino depende de uma equação que pondera rentabilidade, resiliência e eficiência operacional, além da estratégia comercial do momento.
“A definição sobre processar ou não e onde, na origem ou no destino, passa por uma equação econômica que considera a rentabilidade, a resiliência e a eficiência operacional. Depende da estratégia comercial e do que é mais rentável no momento.”
Em um cenário de margens apertadas, a ADM aposta em alta utilização dos ativos industriais como principal alavanca de competitividade. Operar de forma contínua e com alto índice de ocupação reduz o custo médio por tonelada processada e facilita o escoamento de farelo e óleo para diferentes mercados.
Na prática, as unidades industriais funcionam como instrumentos para ajustar a estratégia comercial, equilibrando oferta, demanda, custos e logística. O objetivo é manter o sistema “rodando” com previsibilidade, reduzindo gargalos e aproveitando períodos de maior demanda do mercado doméstico.
Entre os principais desafios, a empresa aponta a logística como um dos fatores que mais pressionam as margens do setor. O Brasil ainda depende majoritariamente do transporte rodoviário, o que tende a encarecer o escoamento da produção e a reduzir a competitividade.
Para mitigar o problema, a diversificação de modais aparece como alternativa relevante. A ADM afirma que tem buscado novos fluxos logísticos e uso de tecnologia para traçar rotas mais eficientes e equilibrar custos de transporte e acesso a mercados estratégicos.
Por que modais importam? A mudança do rodoviário para outros meios pode reduzir o custo do frete de forma significativa, elevando a competitividade do farelo e do óleo e melhorando a rentabilidade do esmagamento.
Segundo a avaliação apresentada, o uso de ferrovias pode reduzir custos de frete em cerca de 30%, enquanto hidrovias podem gerar redução próxima de 50%, dependendo da rota e das condições de infraestrutura e integração.
Com maior demanda por biodiesel e pela cadeia de proteína animal, além de projeções recordes de esmagamento, a tendência é de um Brasil cada vez mais relevante não apenas como exportador de grão, mas como fornecedor de derivados que sustentam a indústria de alimentos e energia. Para empresas do setor, o desafio passa por ampliar capacidade, elevar eficiência e resolver gargalos logísticos — fatores que devem definir quem cresce com mais consistência no próximo ciclo.
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O custo com insumos para a safra de soja 2026/27 está 20% acima da média dos últimos cinco anos, segundo a Agrinvest Commodities. Em maio, o pacote de insumos por hectare chegou a 33,2 sacas de soja, o que representa um aumento de 5,7 sacas/ha frente à média dos últimos sete anos e 2,8 sacas/ha acima do mesmo período do ano passado.

Em maio de 2026, as exportações brasileiras de soja mostram ritmo sólido, com média diária de embarques de 758,8 mil toneladas, 13% acima de maio de 2025 (671,4 mil t/d). Até a terceira semana, o acumulado parcial é de 11,38 milhões de toneladas, abrindo a possibilidade de superar as 14,10 milhões de toneladas de maio do ano anterior, dependendo dos últimos cinco dias úteis do mês.

Em Mato Grosso, o custo de produção do milho para a safra 2026/27 subiu para R$ 3.686,80/ha em março de 2026, alta de 3,38% frente ao mês anterior, puxado por fertilizantes (R$ 1.474,59/ha, +5,67%) e defensivos (R$ 895,70/ha, +3,12%), em meio a tensões globais de oferta. Com o preço médio do milho projetado em R$ 43,48/saca, o produtor precisa de 99,06 sacas/ha de ureia, 125,37 sacas/ha de MAP e 81,85 sacas/ha de KCl para comprar uma tonelada de cada insumo, indicando encarecimento relativo.

Abiove projeta processamento de soja no Brasil em 2026 de 62,2 milhões de toneladas (+1,1% frente à estimativa anterior; +6,0% vs 2025), impulsionado pela safra robusta e demanda por derivados. Farelo: 47,9 Mt (+1,1%); óleo: 12,5 Mt (+1,2%).

Resumo: O Brasil busca convencer a China de que a presença de ervas daninhas nas cargas de soja é baixa e apresenta risco sanitário quase nulo