
Soja no Brasil: clima desafiador, safra desigual e demanda da China impulsionam preços, exportações e movimentação na Bolsa de Chicago
Resumo: O mercado brasileiro de soja continua influenciado pelo clima, pela velocidade de colheita e pela demanda externa. A colheita avança de forma desigual: RS em estágio inicial com chuvas irregulares; SC com liquidez limitada e foco no abastecimento da indústria de carne; PR com cerca de 20% da área colhida (aprox. 347 mil ha) e expectativa de safra recorde de 22 milhões de toneladas; no Centro-Oeste, MS tem 6,2% da área colhida e MT cerca de 40%, enfrentando excesso de chuvas, umidade nos grãos e fretes elevados. Os preços regionais mostram variações entre portos e cidades produtoras, refletindo o cenário local.
Exportações do agronegócio paulista abrem 2026 com superávit e reforçam liderança nacional
O agronegócio de São Paulo iniciou 2026 com um resultado expressivo no comércio exterior. Em janeiro, o setor registrou superávit de US$ 1,31 bilhão, sustentado por US$ 1,84 bilhão em exportações e US$ 530 milhões em importações, segundo dados oficiais da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. O desempenho recoloca São Paulo na liderança nacional das exportações do agro, com 17,1% de participação nos embarques brasileiros do setor.
Destaque do mês: as exportações do agronegócio representaram 40,9% de todas as vendas externas do Estado, enquanto as importações do setor responderam por 8% do total.
Eficiência, tecnologia e sustentabilidade no centro da estratégia
A avaliação do governo estadual é que o resultado reflete uma estratégia baseada em eficiência produtiva, inovação e boas práticas ambientais. A gestão do agro paulista atribui o desempenho à combinação de diversidade de culturas e alta produtividade por hectare, mesmo com uma área territorial menor do que a de outros estados com grande peso no agronegócio brasileiro.
No ranking nacional, São Paulo ficou à frente de Mato Grosso, com 16,7% de participação, e de Minas Gerais, com 11,5%. Para o Estado, os números reforçam a relevância do campo na economia paulista e na competitividade do Brasil no mercado global.
Complexo sucroalcooleiro lidera e concentra um quarto das vendas externas do agro
O principal motor das exportações do agro paulista em janeiro foi o complexo sucroalcooleiro, que somou US$ 465,32 milhões, equivalente a 25,3% do total exportado pelo setor. Dentro do grupo, o açúcar respondeu por 96,9% do valor, enquanto o etanol representou 3,1%.
Ranking dos principais grupos exportadores
Na sequência do sucroalcooleiro, os produtos florestais e o setor de carnes tiveram forte participação. O recorte por grupos evidencia a diversificação do agro paulista e a concentração do desempenho em cadeias com alto volume e demanda estável.
| Grupo | Valor exportado (US$) | Participação no total | Principais itens |
|---|---|---|---|
| Complexo sucroalcooleiro | US$ 465,32 milhões | 25,3% | Açúcar (96,9%) e etanol (3,1%) |
| Produtos florestais | US$ 346,9 milhões | 18,8% | Celulose (75,3%) e papel (21,1%) |
| Carnes | US$ 305,81 milhões | 16,6% | Carne bovina (82,8%) |
| Sucos | US$ 163,86 milhões | 8,9% | Suco de laranja (96,1%) |
| Café | US$ 132,5 milhões | 7,2% | Café verde (76,7%) e solúvel (19,5%) |
Juntos, esses cinco grupos responderam por 76,8% das exportações do agronegócio paulista no mês, indicando a força de cadeias tradicionais, mas também a importância de portfólios diversificados para manter a resiliência em períodos de oscilação de preços.
Complexo soja tem participação menor em janeiro, mas expectativa é de alta com a colheita
O complexo soja ocupou a décima posição no ranking estadual, com US$ 49,96 milhões (o equivalente a 2,7% do total). Dentro do grupo, a soja em grão respondeu por 29,8% e o farelo de soja por 48,1%.
A leitura do setor é que os embarques tendem a crescer a partir de fevereiro, acompanhando o avanço da colheita e a recomposição do fluxo exportador, especialmente em um cenário de demanda externa aquecida por derivados e grãos.
Comparação com 2025: florestais, carnes e soja avançam; açúcar, café e sucos recuam
Na comparação com janeiro de 2025, os dados indicam crescimento nas exportações de produtos florestais (+22,8%), carnes (+11,6%) e do complexo soja (+7,2%). Já os setores sucroalcooleiro (-25%), café (-20,4%) e sucos (-53,1%) registraram retração.
Essas variações são associadas a oscilações nos preços internacionais e nos volumes embarcados, fatores que mudam conforme condições de mercado, sazonalidade e competitividade entre países exportadores.
China mantém liderança entre destinos; União Europeia e EUA vêm na sequência
Entre os principais destinos das exportações do agronegócio paulista, a China permaneceu na liderança, com 21,9% de participação. Na sequência aparecem a União Europeia (18,1%) e os Estados Unidos (8,1%).
- China: destaque para compras de produtos florestais, carnes e soja.
- União Europeia: mercado relevante e diversificado para itens agroindustriais.
- EUA: destino importante para categorias com maior valor agregado e fluxos consolidados.
Agro paulista amplia peso na balança e consolida protagonismo
Com o superávit registrado em janeiro e a participação de 17,1% nas exportações do agronegócio brasileiro, São Paulo reforça seu papel como um dos principais polos de produção e agroindústria do país. O resultado também evidencia a relevância do setor para o desempenho externo do Estado, já que a fatia do agro nas vendas internacionais paulistas segue elevada.
A expectativa para os próximos meses é de que o comportamento dos mercados internacionais, o ritmo de embarques e a sazonalidade de cadeias como soja e açúcar continuem determinando a intensidade do fluxo exportador. Para o setor, a combinação entre produtividade, inovação e gestão eficiente tende a permanecer como diferencial competitivo.
Dados consolidados por equipes técnicas vinculadas ao Instituto de Economia Agrícola e à estrutura de pesquisa e análise do Estado.




