
Produção mundial de ração chega a 1,44 bilhão de toneladas em 2025; aquicultura lidera crescimento, Brasil impulsiona exportações e Agrotins 2026
A produção mundial de ração atingiu 1,44 bilhão de toneladas em 2025, alta de 2,9% em relação a 2024, com África e América Latina puxando o crescimento e a América do Norte registrando retração de 0,7%. Segundo a Alltech, que analisou 38.837 fábricas em 142 países, o desempenho variou por região e foi impactado por custos elevados, doenças, regulações, tensões geopolíticas, volatilidade de insumos, cadeia de suprimentos e normas de sustentabilidade. O destaque ficou com a aquicultura, que cresceu 4,7% globalmente, liderando com África (+27,5%) e América Latina (+11,4%), impulsionada por tilápia no Brasil, camarão no Equador e salmão no Chile.
Produção global de ração animal chega a 1,44 bilhão de toneladas e expõe desafios sanitários e econômicos
A indústria mundial de ração animal colocou 1,44 bilhão de toneladas no mercado no último ano, registrando alta de 2,9% em relação a 2024. O avanço ocorreu em um cenário marcado por volatilidade de custos, pressões regulatórias, instabilidades climáticas e um agravamento de doenças animais com impacto direto sobre cadeias de suprimento e fluxos comerciais.
Os dados fazem parte do levantamento anual da Alltech, que em 2025 mapeou 38.837 fábricas distribuídas por 142 países. O relatório aponta que, embora o crescimento global tenha sido positivo, o desempenho foi desigual entre regiões, refletindo diferenças de demanda por proteínas, capacidade produtiva e condições econômicas locais.
África lidera expansão; América do Norte é a única região em queda
A África foi o principal destaque do ano, com crescimento médio de 11,5% na produção de ração. Já a América do Norte foi a única região a registrar retração, com queda de 0,7%, influenciada principalmente por mudanças de dinâmica nos Estados Unidos.
Segundo o estudo, o setor enfrentou uma combinação de fatores que dificultam previsibilidade: mercados de insumos instáveis, entraves logísticos, oscilações climáticas e exigências crescentes de sustentabilidade. Além disso, o relatório reforça que surtos sanitários deixaram de ser episódios pontuais e passaram a operar como ameaças endêmicas, alterando custos, disponibilidade de produtos e decisões de investimento.
Doenças endêmicas pressionam cadeias produtivas
A indústria de alimentação animal observa com preocupação o avanço de enfermidades que afetam diferentes espécies e regiões. A gripe aviária está disseminada em todos os continentes, enquanto a peste suína africana permanece enraizada na Europa e na Ásia, com impactos recorrentes sobre produção, comércio e preços.
O relatório indica que grandes surtos não são mais facilmente erradicáveis e podem determinar a economia da cadeia de suprimentos e os fluxos internacionais.
Aquicultura cresce acima da média e tem impulso na América Latina e na África
Entre os oito segmentos acompanhados, a aquicultura apresentou o melhor desempenho no ano, com crescimento global de 4,7%. A expansão foi ainda mais forte na África, com alta de 27,5%, e na América Latina, com avanço de 11,4%.
O relatório atribui parte desse resultado ao desempenho de países-chave. O Brasil contribuiu com a expansão ao aumentar a produção de tilápia. Também tiveram papel relevante o Equador, com a cadeia do camarão, e o Chile, importante produtor de salmão, sustentando a demanda por ração voltada ao cultivo intensivo.
Avicultura concentra o maior volume de ração no mundo
Apesar do destaque da aquicultura em crescimento, a avicultura segue como o principal destino da produção mundial de ração. A alimentação de frangos somou 400 milhões de toneladas, enquanto a de aves de postura alcançou 180 milhões. Na sequência, a ração para suínos totalizou 381 milhões de toneladas.
Mesmo com expansão acelerada, a aquicultura ainda representa um volume menor: foram 55,5 milhões de toneladas demandadas no período, segundo o levantamento.
Distribuição por segmentos (destaques)
Segmento Volume (toneladas) Observação Frangos 400 milhões Maior destino da ração global Suínos 381 milhões Segmento entre os maiores em volume Aves de postura 180 milhões Produção sensível a custos e sanidade Aquicultura 55,5 milhões Segmento de maior crescimento no ano
Ração para pets cresce, mas muda perfil de consumo nos EUA
A produção de ração para animais de estimação aumentou 2,4% no período. O avanço foi puxado principalmente pela África (alta de 11,7%) e pela Ásia (crescimento de 5,6%).
Na América do Norte, porém, houve recuo de 0,6%, associado a uma mudança no padrão de consumo nos Estados Unidos: os consumidores estariam migrando de cães de grande porte para cães menores e gatos, que demandam menos ração, reduzindo o volume total do segmento.
China lidera produção; Brasil avança com exportações e demanda interna
O ranking de maiores produtores globais permanece liderado pela China, com 330 milhões de toneladas, seguida pelos Estados Unidos, com 267 milhões, e pelo Brasil, com 90 milhões.
De acordo com a avaliação, a indústria brasileira teve expansão ampla, apoiada por três fatores principais:
forte impulso das exportações de proteínas;
demanda doméstica resiliente por carnes e derivados;
melhoria das estruturas de custos em parte das cadeias produtivas.
Custos de produção são a principal preocupação da indústria
Em 2025, a preocupação mais citada pelos participantes do levantamento foi o custo de produção, apontado por 29% dos respondentes. Entre os itens que mais pesam, o relatório destaca:
matérias-primas;
mão de obra;
energia.
Também aparecem como fatores relevantes a inflação, a ocorrência de doenças animais, o baixo retorno ao produtor e a regulamentação — combinação que eleva a pressão sobre margens e pode acelerar ajustes na oferta.
Perspectivas: menos previsibilidade e mais riscos em 2026
O relatório sinaliza que a fase de crescimento considerado “linear e previsível” para o sistema agroalimentar está se encerrando, dando lugar a uma convergência de obstáculos estruturais, ambientais e econômicos.
Para 2026, as principais preocupações incluem:
custos para consumidores e produtores em diferentes mercados;
efeitos da geopolítica sobre produção, circulação de mercadorias e preços;
impacto de guerras tarifárias e estratégias comerciais;
eventos climáticos mais frequentes e intensos;
ameaças biológicas com potencial de desorganizar cadeias produtivas.
Na avaliação, a aquicultura — que liderou o desempenho em 2025 — tende a perder ritmo no mundo neste ano, embora deva manter crescimento na América Latina. Já os setores de avicultura e de pets se mostram mais otimistas; o segmento equino deve permanecer estável; e bovinos podem registrar demanda menor.




