
A indústria mundial de ração animal colocou 1,44 bilhão de toneladas no mercado no último ano, registrando alta de 2,9% em relação a 2024. O avanço ocorreu em um cenário marcado por volatilidade de custos, pressões regulatórias, instabilidades climáticas e um agravamento de doenças animais com impacto direto sobre cadeias de suprimento e fluxos comerciais.
Os dados fazem parte do levantamento anual da Alltech, que em 2025 mapeou 38.837 fábricas distribuídas por 142 países. O relatório aponta que, embora o crescimento global tenha sido positivo, o desempenho foi desigual entre regiões, refletindo diferenças de demanda por proteínas, capacidade produtiva e condições econômicas locais.
A África foi o principal destaque do ano, com crescimento médio de 11,5% na produção de ração. Já a América do Norte foi a única região a registrar retração, com queda de 0,7%, influenciada principalmente por mudanças de dinâmica nos Estados Unidos.
Segundo o estudo, o setor enfrentou uma combinação de fatores que dificultam previsibilidade: mercados de insumos instáveis, entraves logísticos, oscilações climáticas e exigências crescentes de sustentabilidade. Além disso, o relatório reforça que surtos sanitários deixaram de ser episódios pontuais e passaram a operar como ameaças endêmicas, alterando custos, disponibilidade de produtos e decisões de investimento.
A indústria de alimentação animal observa com preocupação o avanço de enfermidades que afetam diferentes espécies e regiões. A gripe aviária está disseminada em todos os continentes, enquanto a peste suína africana permanece enraizada na Europa e na Ásia, com impactos recorrentes sobre produção, comércio e preços.
O relatório indica que grandes surtos não são mais facilmente erradicáveis e podem determinar a economia da cadeia de suprimentos e os fluxos internacionais.
Entre os oito segmentos acompanhados, a aquicultura apresentou o melhor desempenho no ano, com crescimento global de 4,7%. A expansão foi ainda mais forte na África, com alta de 27,5%, e na América Latina, com avanço de 11,4%.
O relatório atribui parte desse resultado ao desempenho de países-chave. O Brasil contribuiu com a expansão ao aumentar a produção de tilápia. Também tiveram papel relevante o Equador, com a cadeia do camarão, e o Chile, importante produtor de salmão, sustentando a demanda por ração voltada ao cultivo intensivo.
Apesar do destaque da aquicultura em crescimento, a avicultura segue como o principal destino da produção mundial de ração. A alimentação de frangos somou 400 milhões de toneladas, enquanto a de aves de postura alcançou 180 milhões. Na sequência, a ração para suínos totalizou 381 milhões de toneladas.
Mesmo com expansão acelerada, a aquicultura ainda representa um volume menor: foram 55,5 milhões de toneladas demandadas no período, segundo o levantamento.
Segmento Volume (toneladas) Observação Frangos 400 milhões Maior destino da ração global Suínos 381 milhões Segmento entre os maiores em volume Aves de postura 180 milhões Produção sensível a custos e sanidade Aquicultura 55,5 milhões Segmento de maior crescimento no ano
A produção de ração para animais de estimação aumentou 2,4% no período. O avanço foi puxado principalmente pela África (alta de 11,7%) e pela Ásia (crescimento de 5,6%).
Na América do Norte, porém, houve recuo de 0,6%, associado a uma mudança no padrão de consumo nos Estados Unidos: os consumidores estariam migrando de cães de grande porte para cães menores e gatos, que demandam menos ração, reduzindo o volume total do segmento.
O ranking de maiores produtores globais permanece liderado pela China, com 330 milhões de toneladas, seguida pelos Estados Unidos, com 267 milhões, e pelo Brasil, com 90 milhões.
De acordo com a avaliação, a indústria brasileira teve expansão ampla, apoiada por três fatores principais:
forte impulso das exportações de proteínas;
demanda doméstica resiliente por carnes e derivados;
melhoria das estruturas de custos em parte das cadeias produtivas.
Em 2025, a preocupação mais citada pelos participantes do levantamento foi o custo de produção, apontado por 29% dos respondentes. Entre os itens que mais pesam, o relatório destaca:
matérias-primas;
mão de obra;
energia.
Também aparecem como fatores relevantes a inflação, a ocorrência de doenças animais, o baixo retorno ao produtor e a regulamentação — combinação que eleva a pressão sobre margens e pode acelerar ajustes na oferta.
O relatório sinaliza que a fase de crescimento considerado “linear e previsível” para o sistema agroalimentar está se encerrando, dando lugar a uma convergência de obstáculos estruturais, ambientais e econômicos.
Para 2026, as principais preocupações incluem:
custos para consumidores e produtores em diferentes mercados;
efeitos da geopolítica sobre produção, circulação de mercadorias e preços;
impacto de guerras tarifárias e estratégias comerciais;
eventos climáticos mais frequentes e intensos;
ameaças biológicas com potencial de desorganizar cadeias produtivas.
Na avaliação, a aquicultura — que liderou o desempenho em 2025 — tende a perder ritmo no mundo neste ano, embora deva manter crescimento na América Latina. Já os setores de avicultura e de pets se mostram mais otimistas; o segmento equino deve permanecer estável; e bovinos podem registrar demanda menor.

Resumo: O Ministério da Agricultura está negociando com a Fazenda um aumento de 10% nos recursos do Plano Safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior, o que pode elevar o volume destinado à agricultura empresarial para próximo de R$ 570 bilhões. A agricultura familiar fica sob a condução de outro ministério. O objetivo é manter a taxa de juros “teto” em um dígito, e o novo Plano Safra deve ser anunciado em 1º de julho.

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