
O arroz, um dos principais alimentos da dieta brasileira, tem no Rio Grande do Sul seu maior polo produtivo. De acordo com dados oficiais do Estado, o RS responde por cerca de 70% da safra nacional, consolidando-se como o principal fornecedor do mercado interno. Com esse volume, o Brasil se mantém entre os maiores exportadores do cereal, ficando atrás apenas da China.
No Sul do Estado, em Pelotas, o produtor rural Augusto Rassier — que atua com arroz, soja e pecuária e também é administrador de empresas — afirma que a produção vai além do desempenho no campo: envolve o compromisso de manter alimento acessível, sem tornar a atividade inviável.
“O agronegócio está inserido na sociedade como um todo. Eu gostaria muito que o arroz tivesse um preço acessível para a população, desde que isso não o torne inviável de produzir. Então eu me sinto feliz por contribuir para o mundo em que vivo.”
A qualidade do arroz gaúcho é reconhecida mundialmente, e Rassier destaca que o padrão de excelência obtido no Estado é um diferencial competitivo importante. Ainda assim, ele avalia que a safra 2025/2026 deve ser marcada por obstáculos que pressionam a rentabilidade do produtor.
Entre os principais pontos de atenção, o agricultor cita o estoque de passagem elevado, que amplia a oferta e tende a reduzir os preços, ao mesmo tempo em que o custo de produção segue em patamar alto. Para ele, nesse cenário, a saída passa por elevar a produtividade com tecnologia, pesquisa e uma execução operacional mais eficiente.
“Diante desse cenário, o que pode salvar o produtor é a alta produtividade. E, para alcançar essa alta produtividade, precisamos de tecnologia, pesquisa e de uma operação extremamente bem executada, com eficiência das minhas plantadeiras e nos meus pulverizadores.”
O arroz produzido na propriedade de Rassier atravessa regiões e abastece famílias em diferentes partes do país. Segundo ele, o conceito de “grande produtor” não se limita a recordes de produtividade, mas inclui gestão eficiente e responsabilidade socioambiental. No contexto da lavoura gaúcha, esse desempenho é associado a práticas de administração que valorizam:
Ambiente de trabalho digno e seguro;
Valorização do capital humano e qualificação da equipe;
Respeito às leis de preservação e conformidade ambiental.
Em um setor cada vez mais cobrado por rastreabilidade, boas práticas e sustentabilidade, a combinação entre produtividade e responsabilidade aparece como uma estratégia para dar previsibilidade ao negócio e manter a competitividade do arroz brasileiro.
A rotina no campo também se conecta ao consumo dentro de casa. Na própria cozinha, Rassier celebra a colheita com um preparo simples do arroz e reforça que, para obter um resultado solto e saboroso, o segredo está em cuidar do essencial.
Dica do produtor: cebola e alho bem picados para aromatizar.
“O segredo é sempre uma cebola e um alho bem picados para dar uma aromatizada no arroz.”
O cenário descrito pelo produtor aponta para um momento de margens apertadas, em que decisões de manejo e investimento em tecnologia podem definir o resultado final. A seguir, um resumo dos fatores mencionados:
Fator Impacto esperado Resposta estratégica Estoque de passagem elevado Maior oferta e pressão sobre preços Ganho de eficiência e foco em produtividade Custo de produção alto Redução de margem e maior risco Planejamento, tecnologia e execução precisa Necessidade de alta produtividade Determina viabilidade em cenário de preços menores Pesquisa, inovação e operação bem calibrada
Para o produtor, a eficiência é uma aliada diária em uma atividade que exige deslocamentos constantes entre sede, lavoura e áreas de apoio. Ele reforça que a rotina inclui transportar peças, sementes e equipamentos, além de manter o fluxo de trabalho sem interrupções durante períodos de maior intensidade operacional.
Em um contexto em que tempo e previsibilidade são decisivos, Rassier avalia que contar com infraestrutura e logística adequadas ajuda a evitar perdas e atrasos, contribuindo para um ciclo agrícola mais estável.
Em resumo: o arroz do Rio Grande do Sul segue como peça central da segurança alimentar no Brasil, sustentado por uma produção de alto padrão. Para a próxima safra, porém, produtores sinalizam a necessidade de mais produtividade para enfrentar o impacto de estoques elevados e custos altos — uma equação que tende a ser resolvida com tecnologia, pesquisa e eficiência operacional.
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Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.