
Mato Grosso deve colher 51,56 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (06) pelo Imea, em conjunto com a Aprosoja MT e o Iagro MT. O volume representa um aumento de 1,31% em relação ao ciclo anterior e mantém o estado acima do patamar de 50 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo.
O levantamento técnico foi baseado em um amplo trabalho de campo. As equipes percorreram mais de 34 mil quilômetros e realizaram quase mil avaliações diretas nas lavouras, reforçando o objetivo de entregar uma fotografia detalhada da produção estadual e de suas variações regionais.
De acordo com o Imea, a produtividade média da soja em Mato Grosso avançou de 60,45 para 66,03 sacas por hectare, indicando melhora no desempenho agrícola em comparação ao ciclo anterior. O resultado, no entanto, não foi suficiente para consolidar um novo recorde absoluto de produtividade no estado, em função de obstáculos climáticos enfrentados durante a colheita.
“A precisão desses dados é fundamental para o planejamento estratégico do produtor e para a formação de preços no mercado”, destacou o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, ao enfatizar a importância da transparência e da segurança nas informações que orientam o setor produtivo.
Apesar dos números expressivos, a safra foi marcada por contrastes climáticos. Segundo o analista Henrique Eggers, o excesso de chuva durante a colheita em algumas regiões elevou o volume de grãos avariados e provocou perda de peso, reduzindo o potencial de avanço na produtividade.
Esse cenário ajuda a explicar por que, mesmo com aumento na média estadual, o desempenho não se traduziu em um recorde histórico. A avaliação ressalta como a qualidade do grão e o timing da colheita podem influenciar diretamente os resultados finais, especialmente em períodos com alta variabilidade climática.
A análise regional também apontou disparidades dentro do estado. O Norte de Mato Grosso apresentou o melhor desempenho em peso de grãos, evidenciando condições mais favoráveis de desenvolvimento e colheita em comparação com outras áreas.
Já o Nordeste registrou um número de grãos por planta abaixo da média estadual, um indicador que pode sinalizar limitações agronômicas e impactos climáticos específicos, com efeito direto na produtividade e no volume final colhido.
Para além da produção, o debate se volta cada vez mais à rentabilidade. O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, chamou atenção para os desafios projetados para a safra 2026/27, especialmente em um ambiente de custos elevados e incertezas no mercado.
Embora Mato Grosso tenha alcançado a marca de 13 milhões de hectares cultivados, a combinação entre valorização do dólar no período de compra de insumos, queda nos preços de comercialização e o aumento de incertezas relacionadas a conflitos no Oriente Médio tem pressionado as margens dos agricultores.
Em destaque: a temporada foi descrita como um exemplo de resiliência, mas o setor observa desaceleração no ritmo de expansão da área plantada diante do encarecimento dos custos de produção.
A divulgação reforça a relevância de estimativas robustas para orientar decisões no campo e na cadeia de suprimentos. Dados técnicos mais precisos contribuem para o planejamento do produtor, a gestão de riscos e o acompanhamento de tendências em produtividade, qualidade e rentabilidade.
Em um ambiente de volatilidade, o setor acompanha não apenas o volume produzido, mas também fatores como qualidade dos grãos, custos de insumos, câmbio e contexto geopolítico, elementos que interferem diretamente na formação de preços e no desempenho econômico das propriedades.
Indicador Resultado (safra 2025/26) Produção estimada 51,56 milhões de toneladas Variação em relação ao ciclo anterior + 1,31% Produtividade média 66,03 sacas por hectare Produtividade anterior 60,45 sacas por hectare Área cultivada 13 milhões de hectares Trabalho de campo Mais de 34 mil km e quase mil avaliações
Excesso de chuva durante a colheita aumentou grãos avariados e reduziu peso em algumas regiões.
Norte com melhor desempenho em peso de grãos.
Nordeste abaixo da média estadual em número de grãos por planta.
Pressão sobre margens por custos, câmbio e preços de comercialização.
Desaceleração no avanço da área plantada diante do encarecimento da produção.
Com a safra 2025/26 projetada acima de 51 milhões de toneladas, Mato Grosso mantém sua posição central na produção brasileira de soja, mas a análise reforça que o desempenho do ciclo seguinte dependerá cada vez mais de gestão de custos, estratégias de comercialização e adaptação ao clima.

Resumo: O Ministério da Agricultura está negociando com a Fazenda um aumento de 10% nos recursos do Plano Safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior, o que pode elevar o volume destinado à agricultura empresarial para próximo de R$ 570 bilhões. A agricultura familiar fica sob a condução de outro ministério. O objetivo é manter a taxa de juros “teto” em um dígito, e o novo Plano Safra deve ser anunciado em 1º de julho.

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