
Uberlândia (MG) — A Justiça de Minas Gerais deferiu o pedido de recuperação judicial da Aliança Agrícola do Cerrado, trading controlada pelo grupo russo Sodrugestvo. A empresa busca renegociar R$ 1,16 bilhão em dívidas com cerca de 1 mil credores, em um processo que mira a reorganização financeira e a continuidade das operações.
A decisão foi assinada pela juíza Claudiana Silva de Freitas, da 10ª Vara Cível de Uberlândia. Com o deferimento, a companhia passa a contar com um período de 180 dias de suspensão de cobranças e execuções relacionadas às dívidas incluídas no processo, medida conhecida no mercado como “stay period”, utilizada para dar fôlego às empresas enquanto estruturam um plano de reequilíbrio.
Além da suspensão temporária das cobranças, a magistrada fixou o prazo de 60 dias para que a Aliança apresente um plano de pagamento das dívidas e de recuperação dos negócios, etapa central para que credores avaliem a viabilidade do reordenamento proposto.
O deferimento abre um período de reorganização em que a empresa tenta preservar operações, empregos e ativos, enquanto negocia condições com credores.
O pedido de recuperação judicial abrange não apenas a trading, mas também outras companhias do mesmo grupo: Aliança Transportes Agrícola do Cerrado Logística (ATAC Logística) e Aliagro Trading. A representação jurídica é do escritório Attie, Brito e Bastos Advogados Associados.
A solicitação de recuperação judicial foi apresentada em janeiro, mas havia sido negada no primeiro momento. Na ocasião, a juíza levantou questionamentos sobre a capacidade de a companhia se reerguer e sustentar um processo de recuperação com chances concretas de êxito.
Posteriormente, após recurso, a empresa obteve uma tutela antecipada para suspender execuções de dívidas, bloqueio de bens e penhora de ativos. Menos de um mês depois, a mesma magistrada deferiu o pedido de recuperação judicial, consolidando a proteção legal temporária enquanto a reestruturação é organizada.
Entre os maiores credores informados no processo estão bancos e instituições financeiras de grande porte. A lista inclui:
Credor Valor informado Banco do Brasil R$ 135 milhões Ecoagro Participações R$ 110,6 milhões Macquarie Bank R$ 104 milhões Santander R$ 95,6 milhões XP Investimentos R$ 80 milhões
Em comunicado, a Aliança Agrícola do Cerrado atribuiu o agravamento da situação financeira a um conjunto de fatores de mercado, entre eles:
queda nos preços da soja;
alta volatilidade no mercado de trading;
aumento relevante dos custos financeiros, com impacto direto na liquidez;
dificuldade crescente de serviço da dívida, conforme a companhia.
De acordo com a empresa, esses fatores afetaram a capacidade de honrar compromissos e sustentaram a necessidade de reorganização por meio da recuperação judicial, com o objetivo de ajustar prazos, condições e estrutura de pagamento.
A Aliança informou que conta atualmente com cerca de 200 empregados. A sede fica em Uberlândia (MG), e há unidades industriais em São Joaquim da Barra (SP) e Bataguassu (MS).
Embora a recuperação judicial seja um mecanismo jurídico voltado à reorganização de dívidas, o caso também tem impacto sobre a cadeia produtiva ligada à soja e ao escoamento de grãos, já que a companhia atua no segmento de trading e logística, com efeitos em fornecedores, prestadores de serviço e parceiros comerciais.
Como parte da estratégia de reestruturação, a empresa afirmou ter fechado um contrato de industrialização de soja com a ADM do Brasil. Segundo a Aliança, o acordo deve permitir o uso de 80% da capacidade das unidades industriais, contribuindo para:
manutenção de mais de 200 empregos;
preservação dos ativos, com realização de investimentos necessários;
redução da exposição direta à volatilidade do mercado no curto prazo.
A expectativa informada pela companhia é gerar uma receita líquida de aproximadamente R$ 140 milhões, descrita como menos dependente das oscilações do mercado da soja. A projeção é apresentada como um dos pilares para sustentar o plano de continuidade operacional enquanto ocorre a negociação com credores.
Com a recuperação judicial deferida, o foco da empresa passa a ser a elaboração e apresentação do plano dentro do prazo estabelecido. Em geral, esse documento detalha condições de pagamento, propostas de renegociação, medidas de eficiência operacional e estratégias para recompor o caixa.
O desfecho do processo dependerá, principalmente, da capacidade da companhia de demonstrar viabilidade e de construir adesão suficiente entre os credores, em um ambiente marcado por juros elevados, pressão de custos e incertezas do mercado de commodities.

Resumo: O Ministério da Agricultura está negociando com a Fazenda um aumento de 10% nos recursos do Plano Safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior, o que pode elevar o volume destinado à agricultura empresarial para próximo de R$ 570 bilhões. A agricultura familiar fica sob a condução de outro ministério. O objetivo é manter a taxa de juros “teto” em um dígito, e o novo Plano Safra deve ser anunciado em 1º de julho.

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