
Uma iniciativa inédita de certificação de soja para a cadeia de produção de combustível sustentável de aviação (SAF) foi anunciada como a primeira do tipo no mundo, reforçando a importância de rastreabilidade e credenciais ambientais em um mercado que avança sob pressão de metas climáticas.
O movimento ocorre em um momento decisivo para o setor aéreo. A partir do próximo ano, companhias no Brasil e no exterior passam a enfrentar metas mais rígidas de redução de emissões. Para cumprir esses compromissos, as empresas precisarão adquirir combustíveis que tragam certificação reconhecida e comprovem, de forma auditável, o nível de redução de gases de efeito estufa ao longo de toda a cadeia.
O produto recebeu a certificação “ISCC CORSIA PLUS Low-LUC Risk”, considerada uma das mais rigorosas para SAF. Na prática, o selo atesta que a soja cultivada para originar o óleo utilizado na produção não provocou desmatamento após 2008, um marco relevante para requisitos internacionais de sustentabilidade.
Segundo a diretora de Soluções para Combustíveis Renováveis da Bunge, Cristini Kubo, a lógica por trás do rigor é direta: não há ganho climático real em substituir combustível fóssil por um produto associado a desmatamento.
A certificação foi emitida pela International Sustainability & Carbon Certification (ISCC), uma das três certificadoras reconhecidas pelo Corsia, o programa da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) voltado ao controle e compensação de emissões na aviação internacional.
Para garantir a entrega de SAF derivado de óleo de soja certificado, não basta certificar apenas a matéria-prima. Toda a cadeia precisa atender aos critérios exigidos, envolvendo:
Produtores de soja (com comprovação de práticas e histórico de uso do solo);
Unidade de esmagamento da Bunge em Rondonópolis;
Refinaria Reduc, onde ocorre o coprocessamento;
Base de distribuição da Vibra no Galeão, que já conta com certificação ISCC Corsia Plus desde 2024.
O desenho, descrito pelos participantes como um projeto piloto, busca demonstrar que o Brasil tem condições de estruturar uma cadeia de fornecimento de SAF com padrão internacional, do campo ao abastecimento.
De acordo com Daniel Sales, gerente executivo de Comercialização no Mercado Interno da Petrobras, o entrave atual do SAF não está na capacidade de refino em si, mas na disponibilidade de matéria-prima devidamente certificada para atender exigências ambientais e regulatórias.
Hoje, a Reduc é a única refinaria da Petrobras com certificação para produzir querosene de aviação coprocessado com conteúdo renovável. Quando demandada, a unidade já produz querosene com 1% de conteúdo renovável.
Até aqui, a produção realizada utilizou como matéria-prima renovável óleo de milho certificado, fornecido pela FS. A nova etapa, com foco em óleo de soja certificado, amplia as opções e responde à necessidade de escala do mercado de aviação.
A Petrobras espera concluir até o fim do ano a certificação de outras três refinarias para a produção de querosene de aviação coprocessado:
Regap, em Betim (MG);
Revap, em São José dos Campos (SP);
Replan, em Paulínia (SP).
Com a certificação dessas unidades, a companhia avalia que poderá atender toda a demanda por SAF até 2029. Parte das refinarias deve operar com até 5% de conteúdo renovável no combustível final entregue às companhias aéreas, conforme a demanda e os requisitos de mercado.
Embora existam outras matérias-primas possíveis para produzir combustível sustentável de aviação, as empresas envolvidas no projeto indicam que o óleo de soja deve ser a principal opção no Brasil, principalmente pela capacidade do país de oferecer escala.
Na avaliação de Cristini Kubo, o diferencial está no volume disponível: entre as alternativas, é o óleo de soja que o Brasil consegue suprir em grande escala, o que é decisivo diante do crescimento esperado da demanda por SAF.
Um ponto técnico central do processo é a forma de comprovar a redução de emissões. A certificação da soja dentro do padrão Corsia pode ser feita com:
Dados padrão, baseados em médias globais para a produção de soja;
Dados primários, coletados diretamente em cada fazenda e auditados no processo de certificação.
Se a certificação fosse conduzida com dados padrão, a redução de emissões estimada seria mais limitada, em torno de 30%. Para assegurar uma redução de 70%, a Bunge utilizou dados primários de produtores participantes do Programa de Agricultura Regenerativa da empresa.
Além disso, a certificação foi viabilizada pelo avanço em rastreabilidade: segundo Kubo, a empresa afirma conseguir rastrear 100% das compras de soja, tanto diretas quanto indiretas, elevando a transparência exigida pelo mercado internacional de combustíveis sustentáveis.
Fator O que significa Selo ISCC CORSIA PLUS Low-LUC Risk Comprova critérios rigorosos e ausência de desmatamento após 2008 na cadeia certificada Cadeia certificada Garante que a sustentabilidade não se perde entre produção, processamento, refino e distribuição Gargalo atual Oferta de matéria-prima certificada é mais crítica do que capacidade industrial Dados primários Permitem comprovar reduções maiores de emissões quando comparados a médias globais Escala do óleo de soja Tende a ser a principal rota no Brasil por disponibilidade e volume de oferta
Em um cenário de novas exigências climáticas para a aviação, a certificação de soja voltada ao SAF reforça o papel da agricultura rastreável e de cadeias auditadas para destravar investimentos e garantir que a descarbonização do setor aéreo venha acompanhada de integridade ambiental.
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O aumento da frequência de secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos está transformando a maneira como o segmento de seguro rural avalia os riscos no agronegócio brasileiro.

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) informa que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro encerraram o mês de abril de 2026 com 2,54 milhões de toneladas. Volume significa leve redução de 6% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram entregues 2,70 milhões de toneladas.

Um estudo da ABStartups, em parceria com a USP, com base em 170 agtechs brasileiras, revela um ecossistema ainda enxuto e relativamente jovem, mas em desenvolvimento acelerado. Quase metade das startups já captou investimento, sendo 54,8% desses recursos oriundos do próprio estado de origem. Em termos de maturidade, 39,4% têm até três anos e 32,9% já passaram de cinco; 51,4% passaram por pivotagem, indicando forte capacidade de adaptação para atender demandas do campo.

O azeite Alto da Serra Blend, produzido em Cristina, no Sul de Minas, ganhou a Medalha de Ouro na Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC) 2026, realizada na Itália, no dia 26, em Palmi, Calábria. O azeite, extraído no Campo Experimental da Epamig, em Maria da Fé, ficou entre os cinco melhores da América do Sul e disputou o prêmio Raúl C. Castellani. O olivicultor Alisson Moreira celebrou: foi o primeiro concurso em que participam e o foco é a qualidade, tornando-se muito gratificante. A atividade começou após conhecer a boa adaptação da oliveira à região; o sítio fica em Cristina, próximo a Maria da Fé. O cultivo familiar ocupa 1,5 hectare, com altitude de 1,5 mil metros, e conta com 340 oliveiras. A primeira produção, em 2022, rendeu cerca de 12 litros; em 2024 surgiu a marca Alto da Serra, que vende diretamente na propriedade, em empórios parceiros e pelo Instagram. Em 2026, foram produzidos 304 litros de azeite. Segundo os especialistas, a qualidade do azeite motivou a participação em concursos, e o produtor já cogita fazer um curso de sommelier para aprofundar o conhecimento sobre as características do produto.

A agricultura continuará sendo uma atividade marcada por incertezas. Não existe solução capaz de eliminar completamente os riscos associados ao clima, aos mercados e à dinâmica de custos. Ainda assim, algumas operações conseguem atravessar turbulências com mais estabilidade do que outras.