
A Associação Nacional de Criadores-Herd-Book Collares (ANC) alcançou um marco histórico em 2025 ao registrar 100.186 animais, resultado que representa um crescimento de 65,4% em comparação com 2024, quando foram contabilizados 60.543 registros. O levantamento reúne informações de mais de 30 raças bovinas inspecionadas pela entidade e reforça o momento de expansão da pecuária nacional, impulsionada por produtividade, controle genético e qualidade dos rebanhos.
Para o setor, o avanço chama atenção por consolidar uma tendência de profissionalização, com produtores cada vez mais atentos à origem, à rastreabilidade e ao desempenho zootécnico dos animais. O aumento expressivo também sinaliza maior adesão a práticas que contribuem para uma pecuária mais competitiva e sustentável.
De acordo com a superintendente de Registro Genealógico da ANC, Silvia Freitas, o salto no volume de registros reflete uma mudança clara de comportamento: o produtor passou a valorizar com mais intensidade a procedência dos animais e o potencial produtivo associado à genética.
“Quando cresce o número de matrizes e machos registrados, sabemos que o produtor está mais atento à procedência e ao potencial produtivo do rebanho. Isso se traduz em avanços no fenótipo e, principalmente, no melhoramento genético.”
Na prática, o registro genealógico é visto como um passo estratégico para a evolução da pecuária, pois permite controle de linhagens, seleção mais eficiente e a formação de rebanhos com desempenho superior. Com informações consistentes sobre cada indivíduo, as decisões de seleção se tornam mais assertivas, reduzindo riscos e favorecendo ganhos ao longo das gerações.
A ANC destaca que o trabalho de inspeção técnica contribui diretamente para elevar a produtividade e a lucratividade dos criadores. Segundo Silvia Freitas, conhecer o histórico e as características dos animais é um fator decisivo para melhorar indicadores de desempenho, com reflexos em ganho de peso, qualidade de carcaça e eficiência alimentar.
A lógica é simples: quando o produtor reúne dados confiáveis e consegue comparar indivíduos dentro de padrões claros, ele aumenta a chance de selecionar animais mais adequados ao seu sistema de produção. Com isso, o rebanho tende a apresentar maior consistência, reduzindo variações e melhorando a previsibilidade de resultados.
“Nosso objetivo é que cada nova geração seja superior à anterior. Isso só é possível com uma seleção bem estruturada, baseada em informações precisas sobre cada indivíduo.”
Além do impacto técnico, a padronização promovida pela inspeção pode influenciar a formação de lotes mais homogêneos, característica valorizada em diferentes mercados. Em um cenário de crescente exigência por qualidade e transparência na cadeia produtiva, esse tipo de informação passa a ser um diferencial de competitividade.
A superintendente aponta ainda que a evolução dos registros em 2025 está associada à confiança dos produtores no trabalho técnico realizado pela associação. A inspeção assegura que os animais avaliados atendam a padrões raciais definidos, contribuindo para a padronização do rebanho e para a valorização comercial de animais e lotes.
“Os animais aprovados em nossa inspeção apresentam características morfológicas produtivas e são criados com foco em melhoramento genético. Isso eleva o padrão dos rebanhos e fortalece o agronegócio brasileiro.”
O crescimento também é interpretado como reflexo de uma pecuária mais conectada a processos e ferramentas de gestão. A busca por informação organizada e controle acompanha a necessidade de melhorar resultados em um ambiente de custos, exigências sanitárias e demandas de mercado cada vez mais complexos.
| Ano | Animais registrados | Variação |
|---|---|---|
| 2024 | 60.543 | — |
| 2025 | 100.186 | +65,4% |
Com mais de um século de atuação, a ANC reforça seu papel na valorização da genética bovina brasileira e no desenvolvimento de uma pecuária alinhada a padrões de eficiência e sustentabilidade. O desempenho de 2025, ao ultrapassar a marca de 100 mil animais registrados, é apontado como evidência de que o setor vem ampliando a adoção de práticas voltadas à melhoria contínua dos rebanhos.
O avanço dos registros genealógicos também confirma uma tendência de adequação a novas demandas do mercado, que incluem rastreabilidade, maior controle sobre a qualidade e foco em resultados produtivos. Para a cadeia da carne e da genética bovina, a organização de informações e a seleção criteriosa se consolidam como pilares para ampliar a competitividade nacional e internacional.
Ao indicar maior conscientização dos produtores e reforçar a importância da inspeção técnica, o levantamento da ANC em 2025 ajuda a dimensionar a transformação em curso na pecuária: um setor que avança em direção a rebanhos mais consistentes, produtivos e alinhados às exigências atuais de desempenho e sustentabilidade.

Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.