
Brasília — O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, deve definir nesta semana o relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) que pretende reduzir a jornada de trabalho no Brasil, alterando a escala predominante de 6x1 para 5x2. A iniciativa prevê manutenção dos salários com diminuição das horas trabalhadas, movimento que tem gerado forte reação de entidades setoriais, especialmente no agronegócio, que apontam risco de aumento de custos e efeitos na produtividade.
Embora a discussão tenha foco amplo sobre condições de trabalho, renda e organização das empresas, a proposta chega ao Congresso em um momento de pressão por eficiência e competitividade, com alerta de que mudanças constitucionais podem reduzir a flexibilidade de negociação de escalas em diferentes atividades.
Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sustenta que a alteração da jornada representa, do ponto de vista do empregador, um aumento direto do custo da hora trabalhada. Segundo as projeções do órgão, o efeito pode chegar a 7,5% na ponta final da produção, a depender do setor e do perfil do negócio.
O estudo analisou um universo de 44 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Os dados indicam que 77% desse grupo trabalha mais de 40 horas por semana. A maioria é formada por profissionais de baixa renda, com remuneração entre um e dois salários mínimos.
Leitura do Ipea: reduzir horas mantendo salários tende a elevar o custo unitário do trabalho, exigindo ajustes de gestão, reorganização de turnos ou investimento em produtividade para compensação.
Especialistas e pesquisadores do Ipea destacam que a capacidade de absorver o novo custo varia conforme o tipo de operação. Áreas que dependem de grande volume de mão de obra — como comércio, segurança e serviços de limpeza — tendem a enfrentar os maiores desafios, pois a redução de jornada pode exigir contratações adicionais ou mudanças mais complexas na escala para manter a mesma entrega.
Na avaliação técnica, a mudança pode estimular reorganização interna e ganhos de eficiência em algumas empresas, mas também pode pressionar margens em negócios com menor capacidade de investimento ou com demanda rígida por presença física e turnos contínuos.
Recomposição de turnos para manter funcionamento sem perda de cobertura.
Possível elevação do custo total em operações que precisam manter o mesmo volume de trabalho.
Impacto na produtividade caso não haja investimentos em tecnologia e gestão.
Assimetria entre setores: efeitos diferentes conforme a intensidade de mão de obra.
Entidades representativas do agronegócio manifestaram preocupação com a proposta. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Sociedade Rural Brasileira (SRB) se posicionaram contra a imposição de uma mudança de escala por meio de emenda constitucional.
O argumento central é que a atividade rural tem características singulares — como sazonalidade das safras e dependência de condições climáticas — que dificultam a adoção de escalas rígidas. Para o setor, travar um modelo no texto constitucional reduziria a capacidade de adaptação ao ritmo do campo, que varia por cultura, região e etapa de produção.
Representantes do segmento afirmam ainda que o campo já opera com revezamento de equipes e que parte das cadeias produtivas adota jornadas flexíveis, ajustadas à realidade local e às janelas de plantio e colheita.
Na visão das associações, uma mudança ampla deveria preservar o espaço negocial entre sindicatos e empresas, permitindo a construção de acordos que considerem diferenças de região, cultura agrícola, tamanho da propriedade e nível de mecanização.
O setor sustenta que a gestão do trabalho no campo exige flexibilidade, sobretudo em períodos críticos de produção. A preocupação é que o desenho constitucional limite o conjunto de soluções que hoje são usadas para equilibrar demanda, condições climáticas e disponibilidade de mão de obra.
Em destaque: a crítica não é apenas à redução de jornada, mas ao formato. Para as entidades, o problema estaria na rigidez constitucional e no risco de engessar negociações setoriais.
Outra linha de argumentação apresentada pelo agronegócio está ligada ao impacto sobre a produtividade. As entidades defendem que o debate legislativo deveria priorizar medidas para melhorar o ambiente econômico, com ênfase em responsabilidade fiscal, queda de juros e redução da carga tributária — fatores frequentemente associados ao chamado “Custo Brasil”.
Segundo essa leitura, um aumento de custos decorrente da reorganização de jornadas pode pressionar a cadeia produtiva e dificultar a competitividade, especialmente em setores expostos à concorrência internacional e à volatilidade de preços.
As associações vinculam o avanço de produtividade no campo ao investimento em bens de capital, como máquinas agrícolas e tecnologia. A avaliação é que a rigidez na jornada — ao elevar custos e aumentar incertezas — pode desestimular investimentos e, por consequência, reduzir a capacidade de competir em mercados externos.
Tema O que está em jogo PEC 5x2 Mudança da escala 6x1 para 5x2 com manutenção salarial. Custo da hora Ipea aponta aumento do custo da hora trabalhada e impacto potencial na produção. Trabalhadores afetados Maioria com jornada acima de 40 horas; prevalência de baixa renda. Setores mais sensíveis Atividades intensivas em mão de obra tendem a enfrentar adaptação mais complexa. Agronegócio Crítica à rigidez constitucional e defesa de negociação coletiva e flexibilidade.
Com a definição do relator prevista para esta semana, a proposta deve ganhar novo ritmo na Câmara. O debate ocorre em torno do equilíbrio entre qualidade de vida do trabalhador, custos empresariais e produtividade, com pressões para que qualquer mudança considere diferenças entre setores e modelos de operação.
O tema tende a mobilizar entidades patronais e representantes de trabalhadores nas próximas etapas de tramitação, especialmente diante do potencial impacto econômico apontado por estudos e pelo setor produtivo.
Resumo: O artigo acompanha o foco da agenda agrícola no governo de Milei, que prometeu uma “revolução” no setor e a duplicação da colheita de cereais para 300 milhões de toneladas, mantendo cautela fiscal. A política de deduções fiscais de exportação (DEX) permanece central, com reduções já aplicadas à soja, ao trigo e ao milho, o que impacta os produtores, principalmente os de oleaginosas, pelo efeito direto nos preços. Também há ênfase em um novo regime de proteção à propriedade intelectual de sementes para estimular inovação, sob críticas sobre o atraso regulatório em comparação com o Brasil. Entidades como ASA e Carbap disputam a adoção da Lei UPOV 1991 e a forma de conciliar custos e controle sobre as sementes, com a expectativa de que as próximas semanas tragam uma solução definitiva.

Resumo: o consumo de caprinos e ovinos no Irã caiu, elevando a demanda por aves e, consequentemente, as importações de milho. com a moeda local em queda, as compras devem cair, tornando as importações mais caras. a lacuna de demanda iraniana pode ser preenchida pela china, que já foi a maior fornecedora do milho brasileiro, mas isso dependerá do preço e dos estoques. um analista destaca que o Irã foi a salvação das exportações brasileiras em 2025 e, sem ele, não seriam atingidas 40 milhões de toneladas escoadas; outro afirma que a china é carta fora do baralho no momento, após ter abastecido seus estoques e prever reduzir compras por três anos. há ainda a visão de que não há outro comprador com o mesmo potencial de absorção no curto prazo. por fim, parte do milho que deixar de ir ao Irã pode ficar no mercado interno para atender à indústria de etanol de milho.

Resumo: Brasil e Espanha avançam na cooperação em irrigação, gestão sustentável da água e desenvolvimento regional, por meio do Memorando de Entendimentos assinado entre o MIDR e o Ministério da Agricultura espanhol em 2025. O secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, lidera uma delegação com representantes da ANA para intercâmbio de conhecimentos, visitas técnicas a áreas irrigadas e centros de pesquisa na Andaluzia, visando aprender boas práticas, entender marcos regulatórios e fortalecer capacidades institucionais. A missão incluiu visitas ao perímetro irrigado Genil-Cabra, à Comunidade de Irrigantes de Santaella, ao CENTA e à Universidade de Córdoba, com foco em soluções como reutilização de água e uso de gêmeos digitais na agricultura. O objetivo é compartilhar práticas brasileiras, atrair cooperação e investimentos, além de discutir políticas públicas de gestão da água e planejamento hidrológico; a missão será concluída com reunião no Ministério da Agricultura da Espanha.

A guerra no Oriente Médio aumenta a incerteza nas rotas logísticas e no fornecimento de energia, com o estreito de Hormuz, que concentra pelo menos 20% da produção mundial de petróleo, em foco. O Insper Agro Global aponta que desvios de rota, maior percepção de risco e prêmios de seguro elevam os custos de transporte, o que impacta diretamente a cadeia de suprimentos do agronegócio brasileiro. A instabilidade também ameaça o estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez, ampliando riscos para o comércio agropecuário global.

Resumo: Durante fiscalização na BR-277, a Polícia Rodoviária Federal flagrou um caminhão com toras de eucalipto transportando 44 toneladas, 15 acima do limite permitido de 29 t. O motorista, de 34 anos, conduzia com CNH suspensa e já havia sido autuado pela mesma infração em dezembro, caracterizando reincidência. O veículo foi retido e o transbordo da carga excedente foi determinado para que o caminhão seguisse dentro dos limites legais. Ao todo, foram registradas 11 autuações. A PRF reforça que o excesso de peso representa risco à segurança, aumenta a distância de frenagem e danifica o pavimento.