
O avanço da agricultura no MATOPIBA — área que integra Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — está redesenhando a geografia produtiva do Brasil e consolidando o Tocantins como uma das regiões mais dinâmicas do agronegócio nacional. Com expansão contínua da área cultivada, aumento do volume exportado e novos investimentos em infraestrutura, o estado passa por uma transformação estrutural que desloca o eixo de crescimento agrícola para o Norte e o Nordeste.
Em um cenário de forte demanda global por alimentos, o Brasil se projeta para colher 353,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/2026, estabelecendo mais um recorde e reforçando sua relevância como fornecedor internacional. Dentro desse movimento, analistas apontam o MATOPIBA como o principal vetor de expansão da produção agrícola brasileira, com o Tocantins em posição estratégica.
O Tocantins apresenta um dos crescimentos mais consistentes da agricultura nacional. A área plantada com soja no estado já supera 1,5 milhão de hectares, com produção anual acima de 4,5 milhões de toneladas, de acordo com dados consolidados de órgãos federais e estaduais.
Embora o processo de ocupação agrícola tenha se iniciado nos anos 1990, a expansão ganhou força na última década, puxada por tecnologia, mecanização e valorização das commodities. O Tocantins se destaca no MATOPIBA ao reunir três condições consideradas decisivas para sustentar o crescimento:
Dados do IBGE indicam que a produção agrícola brasileira vem se concentrando em áreas de expansão recente, refletindo a migração da fronteira agrícola nacional — um movimento que ganha velocidade no MATOPIBA.
O avanço do agronegócio tocantinense não ocorre de forma homogênea. Ele se concentra em municípios que se tornaram polos de produção e logística, sustentando o aumento da área plantada e da produtividade.
| Município | Papel no agronegócio tocantinense |
|---|---|
| Campos Lindos | Maior produtor agrícola do Tocantins, com grandes áreas mecanizadas e produção voltada majoritariamente à exportação. |
| Pedro Afonso | Centro agrícola e industrial, com presença de armazenagem, processamento e distribuição de grãos. |
| Porto Nacional | Área estratégica pela proximidade com a Ferrovia Norte-Sul e expansão da produção de soja e milho. |
| Formoso do Araguaia | Um dos municípios com maior área plantada do estado, mantendo crescimento contínuo de produtividade. |
| Gurupi | Polo técnico e científico, com instituições de pesquisa e serviços especializados para o setor. |
Em conjunto, esses municípios formam um núcleo produtivo que sustenta a expansão do setor e amplia a relevância econômica do Tocantins dentro do MATOPIBA.
Com o aumento da produção, o Tocantins passou a ocupar posição mais visível no comércio internacional de grãos. Mais de 80% da soja colhida no estado segue para exportação, com predominância de destinos na Ásia. A China, maior importadora mundial da commodity, aparece como principal mercado.
O ganho de competitividade está diretamente ligado ao fortalecimento de corredores logísticos, que reduzem custos de transporte e melhoram a eficiência do escoamento. Entre as rotas mais relevantes, destacam-se:
A combinação entre produção crescente e logística mais eficiente fortalece o papel do Tocantins no fornecimento global de soja e outros grãos.
O agronegócio é hoje o principal motor econômico do Tocantins e representa mais de 40% do PIB estadual. A expansão do setor tem reflexos diretos na arrecadação, no mercado de trabalho e no ritmo de crescimento urbano em cidades com forte presença agrícola.
Entre os efeitos mais citados por especialistas e agentes do setor, estão:
O movimento também estimula investimentos privados em áreas como armazenagem, transporte, processamento industrial e tecnologia agrícola, reforçando a tendência de modernização do setor no estado.
O MATOPIBA é considerado a última grande fronteira agrícola brasileira em escala. Ao contrário de regiões tradicionais do Sul e Sudeste, onde a expansão territorial é mais limitada, a área ainda reúne zonas com potencial produtivo significativo.
Para especialistas, o crescimento do MATOPIBA será determinante para o papel do Brasil no abastecimento global nas próximas décadas. Nesse contexto, o Tocantins se posiciona como peça central por sua capacidade de ampliar produção e por sua integração logística com corredores de exportação.
O avanço da produção de grãos no Tocantins já não é visto como tendência pontual, mas como uma mudança estrutural que reposiciona o estado na economia nacional e no mercado global. Dentro da nova geografia agrícola brasileira, o Tocantins deixa de ser apenas uma fronteira em expansão e passa a se consolidar como um centro estratégico de produção e exportação de alimentos.
Em meio a recordes de safra e à crescente demanda internacional, o estado emerge como um dos pontos mais relevantes do agronegócio brasileiro, sustentando a dinâmica de crescimento do MATOPIBA e reforçando o protagonismo do país no sistema alimentar global.

Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.