
Os preços da soja iniciaram a semana no campo negativo na Bolsa de Chicago, refletindo principalmente a queda do farelo de soja e a cautela do mercado diante de incertezas comerciais nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o óleo de soja manteve trajetória de alta, oferecendo suporte parcial às cotações.
Na manhã desta segunda-feira, os contratos futuros da soja registravam perdas moderadas nos principais vencimentos. O movimento foi influenciado pela desvalorização do farelo, com recuos superiores a 1% no início do pregão, em um cenário em que os investidores seguem atentos ao comportamento dos derivados do complexo soja.
Enquanto o farelo pressionava os preços, o óleo de soja seguia em alta, ajudando a limitar quedas mais intensas. Essa divergência reforça a percepção de que o mercado tenta equilibrar fatores de curto prazo, observando tanto a demanda por subprodutos quanto a sensibilidade dos preços às notícias macroeconômicas.
O foco dos traders permanece nos derivados, mas o pano de fundo da semana é a instabilidade gerada por mudanças em tarifas comerciais nos Estados Unidos.
Além dos fundamentos ligados a oferta e demanda, o mercado começou a nova semana reagindo às novas sinalizações de tarifas nos Estados Unidos. Após uma decisão da Suprema Corte americana ter derrubado medidas anunciadas anteriormente, novas propostas de taxação voltaram a circular, elevando o nível de atenção dos operadores.
A possibilidade de uma tarifa global maior, anunciada na sequência, aumentou a percepção de risco e ampliou o monitoramento sobre como essas mudanças podem afetar as relações comerciais dos EUA com economias estratégicas para o complexo soja.
Com as incertezas comerciais, cresce a expectativa sobre os desdobramentos nas relações dos EUA com China e Índia, consideradas economias fundamentais para o equilíbrio do mercado global de soja. O entendimento é que qualquer alteração no ritmo de compras, nas condições de importação ou nas rotas comerciais pode repercutir em preços, prêmios e estratégias de comercialização.
Na prática, o mercado passou a operar com monitoramento constante de declarações e decisões políticas, buscando antecipar possíveis ajustes de demanda e reposicionamento de compradores internacionais.
Destaque: a combinação de derivados em direções opostas e incertezas tarifárias tende a manter o pregão sensível a novas manchetes.
No Brasil, as atenções se voltam para os prêmios da soja nos portos. A leitura do mercado é que o novo conjunto de notícias externas pode favorecer uma retomada desses prêmios, à medida que compradores e tradings reavaliam origens, disponibilidade e custos de importação.
Com isso, a semana é vista como potencialmente mais intensa para o mercado nacional, sobretudo pela necessidade de ajuste entre o que acontece em Chicago, o comportamento do câmbio e a formação de preços nos terminais de exportação.
| Indicador | Direção no início da semana | Observação |
|---|---|---|
| Soja (Chicago) | Baixa | Acompanha pressão do farelo |
| Farelo de soja | Queda | Recuos acima de 1% no início do pregão |
| Óleo de soja | Alta | Oferece suporte às cotações |
| Tarifas nos EUA | Incerteza | Mercado monitora impacto nas relações comerciais |
| Prêmios no Brasil | Expectativa de retomada | Possível reação diante do cenário externo |
Com o mercado dividido entre a pressão do farelo, o suporte do óleo e as incertezas em torno das tarifas americanas, a tendência é de que os próximos pregões continuem reagindo rapidamente a novas informações. Para o Brasil, a perspectiva de mudanças nos prêmios nos portos adiciona um componente doméstico relevante, reforçando a expectativa de uma semana de decisões e ajustes na formação de preços.

Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.

Resumo: O atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, deverá assumir o Ministério da Agricultura a partir de abril. Carlos Fávaro deixará o comando da pasta para concorrer nas eleições de outubro e não conseguiu indicar um sucessor.

Resumo: O Golfo Pérsico enfrenta o maior desafio de segurança alimentar desde 2008, com o conflito com o Irã ameaçando o serviço de portos e interrompendo a navegação pelo Estreito de Ormuz. A recente escalada indica que o Irã intensifica sua retaliação, lançando novos ataques contra países vizinhos e ampliando a instabilidade regional.

Resumo: O Brasil ficará com 42,5% da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo Mercosul–União Europeia, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse rateio foi definido por um entendimento firmado entre associações setoriais do Mercosul, com base no peso relativo das exportações de cada país. O acordo estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas, divididas em 55 mil toneladas de carne fresca/refrigerada e 44 mil de carne congelada, com tarifa de 7,5%. A implementação será gradual ao longo de seis anos. Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a UE variaram nos últimos anos entre 3 mil e 7 mil toneladas mensais, com valores entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, refletindo a valorização da proteína no mercado internacional.

Resumo: Em Chicago, os contratos futuros de óleo de soja para maio subiram 2,9% para 69,54 centavos de dólar por libra; a soja avançou 2,5% para US$ 12,31 por bushel; o trigo subiu 3,1% para US$ 6,36 por bushel; o milho, 2,6% para US$ 4,72 por bushel, em 9 de março. O óleo de soja acumula a 11ª alta consecutiva, a maior sequência desde 2008, impulsionada pela demanda por culturas usadas em biocombustíveis diante de interrupções no fornecimento de combustível. O petróleo acima de US$ 100 por barril coincidiu com cortes na produção do Golfo e com o estreito de Ormuz quase fechado, elevando custos de frete e pressionando os grãos; o conflito entre EUA, Israel e o Irã está afetando o comércio de fertilizantes, sustentando os preços, segundo Joe Davis, da Futures International. Na China, óleos vegetais e farinhas de oleaginosas também subiram, com a farinha de soja em Dalian em 3.066 yuan/t e o óleo de palma atingindo o limite diário; movimentos semelhantes ocorreram para óleo de colza e farinha de colza em Zhengzhou. O aumento dos preços do petróleo alimenta preocupações inflacionárias globais, com impactos esperados nos preços da gasolina e, possivelmente, dos alimentos; embora muitos produtores tenham assegurado insumos para 2026, podem enfrentar dificuldades no próximo ano se o estreito de Ormuz não se reabrir em breve.