
A colheita da safra 2025/26 de soja alcançou 30% da área cultivada no Brasil até a quinta-feira (19), segundo levantamento da AgRural. O percentual representa um avanço relevante em relação à semana anterior, quando o índice era de 21%, mas ainda permanece abaixo do patamar observado no mesmo período do ano passado, que era de 39%.
Apesar da melhora no ritmo durante a semana, o desempenho nacional continua sendo o mais lento para esta época do ano desde a safra 2020/21. O cenário reflete uma combinação de fatores agronômicos e climáticos que vêm interferindo no calendário do campo e na capacidade de acelerar os trabalhos em diferentes regiões produtoras.
O avanço da colheita foi impulsionado principalmente por um período de tempo mais firme no Centro-Oeste, o que favoreceu a entrada de máquinas nas áreas prontas e permitiu maior continuidade das operações. A região tem papel central no desempenho do país, já que concentra uma parcela expressiva da produção nacional de soja.
Mesmo com essa janela mais favorável, o mercado e o setor produtivo seguem atentos ao comportamento do clima e ao andamento do ciclo das lavouras, pois o ritmo geral continua aquém do observado em temporadas recentes.
De acordo com a avaliação consolidada no levantamento, o atraso não se explica por um único motivo. Há uma sobreposição de fatores que, em diferentes intensidades, têm impactado estados e microrregiões:
Esse conjunto de condições ajuda a entender por que, mesmo com avanço semanal consistente, a colheita ainda está atrás do ritmo registrado no ano anterior. Em termos práticos, a lentidão tende a pressionar o encadeamento logístico da safra e pode alterar o planejamento de produtores que também dependem de janelas de tempo para outras atividades no ciclo agrícola.
Mesmo com progresso na semana, o índice nacional permanece no menor nível para o período desde 2020/21, refletindo atrasos no plantio e impacto climático.
No Rio Grande do Sul, as chuvas registradas na semana passada foram consideradas positivas para as lavouras, especialmente diante do quadro de restrição hídrica observado em parte do estado. No entanto, a precipitação ocorreu de forma irregular, o que significa que várias áreas seguem com umidade do solo baixa.
A situação preocupa porque uma parcela significativa das lavouras gaúchas ainda está na fase de enchimento de grãos, um estágio crítico para definição do potencial produtivo. Com isso, a safra no estado segue sob risco de quebra e depende de novas chuvas para conter o avanço de perdas.
A expectativa, segundo o panorama descrito no levantamento, é que a continuidade das precipitações seja determinante para estabilizar o quadro em regiões onde o déficit hídrico persiste. Sem reposição adequada de água no solo, o desempenho das lavouras pode se deteriorar, com reflexos na produtividade.
| Indicador | Situação |
|---|---|
| Colheita no Brasil (até 19) | 30% da área cultivada |
| Semana anterior | 21% |
| Mesmo período do ano passado | 39% |
| Principal motor do avanço | Tempo mais firme no Centro-Oeste |
| Fatores do atraso | Plantio tardio, ciclo alongado e chuvas na colheita |
| RS | Chuvas ajudaram, mas foram irregulares; lavouras ainda em enchimento de grãos |
Com a colheita avançando, mas ainda em ritmo inferior ao habitual, o acompanhamento das condições climáticas e do estágio das lavouras deve seguir no centro das atenções. A depender do comportamento do tempo, o país pode ganhar velocidade em regiões onde a maturação está mais adiantada ou, ao contrário, enfrentar novas interrupções onde as chuvas persistirem.
No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a necessidade de regularidade das precipitações segue como ponto-chave para reduzir o risco de perdas na fase final de desenvolvimento das plantas. Já em áreas onde a colheita depende de tempo seco, a estabilidade climática será determinante para manter o fluxo de máquinas e reduzir atrasos.
Em um cenário de safras cada vez mais sensíveis a variações de clima e calendário, os números desta semana reforçam a importância do monitoramento constante de campo, do planejamento operacional e da gestão de risco para atravessar períodos de instabilidade.

Resumo: Nesta segunda-feira (09/03/2026), Canarana, no leste de Mato Grosso, amanheceu com céu fechado, 22°C de temperatura e 96% de umidade, com sensação térmica de 23°C. A probabilidade de chuva é alta, em 88%, com pancadas esperadas principalmente à tarde e à noite. As temperaturas devem variar entre 21°C (mínima) e 26°C (máxima), mantendo o tempo abafado devido à umidade. Ventos fracos (≈2,7 km/h), pressão de 1011 hPa e boa visibilidade (≈10 km) completam o quadro do dia. A tendência é de instabilidade climática ao longo da semana, com nova chuva prevista para terça-feira (~20°C) e tempo predominantemente nublado com menor intensidade de precipitação na quarta-feira, refletindo o padrão típico do período chuvoso em Mato Grosso. Para acompanhar atualizações, confira a previsão do tempo em outras cidades.

Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.

Resumo: O microcrédito rural especialmente via Banco do Nordeste (BNB), tem sido divisor de águas para produtores familiares em Minas Gerais. A trajetória de Ovídio Soares Vilela, que em 1973 vendia apenas 13 litros de leite por dia e hoje gerencia uma fazenda com 25 funcionários e produção diversificada, ilustra a transformação possibilitada por linhas de crédito com juros baixos e prazos maiores.

Resumo: O Golfo Pérsico enfrenta o maior desafio de segurança alimentar desde 2008, com o conflito com o Irã ameaçando o serviço de portos e interrompendo a navegação pelo Estreito de Ormuz. A recente escalada indica que o Irã intensifica sua retaliação, lançando novos ataques contra países vizinhos e ampliando a instabilidade regional.

Resumo: O Brasil ficará com 42,5% da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo Mercosul–União Europeia, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse rateio foi definido por um entendimento firmado entre associações setoriais do Mercosul, com base no peso relativo das exportações de cada país. O acordo estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas, divididas em 55 mil toneladas de carne fresca/refrigerada e 44 mil de carne congelada, com tarifa de 7,5%. A implementação será gradual ao longo de seis anos. Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a UE variaram nos últimos anos entre 3 mil e 7 mil toneladas mensais, com valores entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, refletindo a valorização da proteína no mercado internacional.