
A colheita da soja em Mato Grosso do Sul segue em andamento e, até 13 de fevereiro, o Estado havia colhido 14,9% da área estimada, o equivalente a cerca de 714 mil hectares, conforme acompanhamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS.
O avanço é desigual entre as regiões, com maior concentração de trabalhos no sul do Estado. A diferença no ritmo reflete, sobretudo, o comportamento do clima nas últimas semanas, que interferiu no desenvolvimento das lavouras e na evolução das operações em campo.
Entre as regiões monitoradas, o sul registra o maior progresso, com 19% da área colhida. Na sequência aparecem as regiões centro, com 10,3%, e norte, com 5,9%.
As informações constam no Boletim nº 647, elaborado a partir de levantamentos junto a produtores rurais, sindicatos e empresas de assistência técnica nos principais municípios produtores do Estado, em parceria com o Sistema Famasul.
Na comparação com o mesmo período da safra 2024/2025, o índice atual está 13,8 pontos percentuais abaixo. No ciclo anterior, Mato Grosso do Sul registrava 28,7% da área colhida até 13 de fevereiro.
“O avanço da colheita reflete as condições enfrentadas ao longo de janeiro. Tivemos estiagem prolongada e temperaturas elevadas, principalmente na região sul, o que impactou o desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, o desempenho em campo.”
— Flavio Aguena, assessor técnico da Aprosoja/MS
O cenário climático foi decisivo para o ritmo da colheita no início da safra. Em dezembro de 2025, mais de 75% das lavouras apresentavam boas condições. Porém, em janeiro, houve piora expressiva em função de veranicos, com períodos superiores a 20 dias sem chuva em algumas localidades.
Levantamentos de campo indicam que mais de 640 mil hectares foram impactados, com destaque para municípios como Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai. A combinação de chuvas irregulares e temperaturas elevadas aumentou a pressão sobre o sistema produtivo e contribuiu para a diferença em relação ao ritmo de colheita observado no ciclo anterior.
Apesar das adversidades, a avaliação atual aponta que 63% das lavouras no Estado são classificadas como boas. Outras 23,2% são consideradas regulares e 13,8% entram na categoria de ruins.
As áreas com maior comprometimento estão associadas a um conjunto de fatores que se intensificaram com o clima, incluindo irregularidade das chuvas, presença de solos arenosos, alta incidência de pragas e falhas no estande de plantas.
Chuvas mal distribuídas ao longo de janeiro
Solos arenosos, com menor retenção de umidade
Maior pressão de pragas em determinadas regiões
Falhas no estande e perdas de vigor das plantas
Temperaturas elevadas, especialmente no sul do Estado
Indicador Resultado Área colhida até 13 de fevereiro 14,9% (aprox. 714 mil ha) Avanço por região Sul: 19% | Centro: 10,3% | Norte: 5,9% Comparação com 2024/2025 13,8 p.p. abaixo (ano anterior: 28,7%) Áreas impactadas por veranicos Mais de 640 mil ha Condição das lavouras Boas: 63% | Regulares: 23,2% | Ruins: 13,8%
Para a safra 2025/2026, a estimativa aponta área cultivada de 4,794 milhões de hectares, o que representa crescimento de 5,9% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média projetada é de 52,82 sacas por hectare, com expectativa de produção de 15,195 milhões de toneladas.
O desempenho final, no entanto, dependerá da evolução do clima nas próximas semanas e da capacidade de as lavouras manterem o potencial produtivo nas áreas onde o estresse hídrico e térmico foi mais intenso. Para o setor, o acompanhamento regionalizado segue como ferramenta estratégica para orientar decisões de manejo e planejamento das operações de colheita.
Em destaque: a colheita de soja em MS avança, mas a diferença em relação ao ano passado reforça o impacto dos veranicos e das temperaturas elevadas sobre o ritmo e as condições das lavouras.
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Resumo: O artigo acompanha o foco da agenda agrícola no governo de Milei, que prometeu uma “revolução” no setor e a duplicação da colheita de cereais para 300 milhões de toneladas, mantendo cautela fiscal. A política de deduções fiscais de exportação (DEX) permanece central, com reduções já aplicadas à soja, ao trigo e ao milho, o que impacta os produtores, principalmente os de oleaginosas, pelo efeito direto nos preços. Também há ênfase em um novo regime de proteção à propriedade intelectual de sementes para estimular inovação, sob críticas sobre o atraso regulatório em comparação com o Brasil. Entidades como ASA e Carbap disputam a adoção da Lei UPOV 1991 e a forma de conciliar custos e controle sobre as sementes, com a expectativa de que as próximas semanas tragam uma solução definitiva.

Resumo: Brasil e Espanha avançam na cooperação em irrigação, gestão sustentável da água e desenvolvimento regional, por meio do Memorando de Entendimentos assinado entre o MIDR e o Ministério da Agricultura espanhol em 2025. O secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, lidera uma delegação com representantes da ANA para intercâmbio de conhecimentos, visitas técnicas a áreas irrigadas e centros de pesquisa na Andaluzia, visando aprender boas práticas, entender marcos regulatórios e fortalecer capacidades institucionais. A missão incluiu visitas ao perímetro irrigado Genil-Cabra, à Comunidade de Irrigantes de Santaella, ao CENTA e à Universidade de Córdoba, com foco em soluções como reutilização de água e uso de gêmeos digitais na agricultura. O objetivo é compartilhar práticas brasileiras, atrair cooperação e investimentos, além de discutir políticas públicas de gestão da água e planejamento hidrológico; a missão será concluída com reunião no Ministério da Agricultura da Espanha.

A guerra no Oriente Médio aumenta a incerteza nas rotas logísticas e no fornecimento de energia, com o estreito de Hormuz, que concentra pelo menos 20% da produção mundial de petróleo, em foco. O Insper Agro Global aponta que desvios de rota, maior percepção de risco e prêmios de seguro elevam os custos de transporte, o que impacta diretamente a cadeia de suprimentos do agronegócio brasileiro. A instabilidade também ameaça o estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez, ampliando riscos para o comércio agropecuário global.

Resumo: O conflito no Oriente Médio elevou significativamente os custos logísticos e de demurrage no transporte marítimo. A demurrage pode variar de US$ 325 a US$ 475 por contêiner refrigerado de 40 pés por dia, e um atraso de duas semanas pode chegar a cerca de US$ 6.400 por contêiner. Navios de 800–1.200 TEUs podem gerar custo diário próximo de US$ 570 mil em uma operação com 1.200 contêineres a US$ 475/dia. Pesquisadores do Insper Agro Global apontam que, além da demurrage, há desvios de rota, maior percepção de risco e prêmios de seguro mais altos, elevando as despesas operacionais. O bloqueio ou restrição de navegação pelas vias como o Estreito de Hormuz e Bab el-Mandeb ameaça cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo e mercadorias, com impactos também no Canal de Suez. A MSC aplicou uma Sobretaxa de Risco de Guerra (WSR) de até US$ 4.000 por contêiner refrigerado e US$ 800 adicionais por contêiner para desvio; a empresa também anunciou o redirecionamento de remessas. Hapag-Lloyd e CMA foram entre as primeiras a suspender travessias pelo Hormuz e a aplicar WSR, com tarifas variando de US$ 1.500 a US$ 4.000 por contêiner refrigerado. No Brasil, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira afirma que não deve haver interrupções nos envios para a região, destacando que cerca de 75% das exportações brasileiras para o mercado árabe são alimentos essenciais e que rotas alternativas, como o Golfo de Omã, estão sendo consideradas.

Resumo: O Atlas do Mercado de Terras 2025, do Incra, mostra um preço médio nacional de R$ 22.951,94 por hectare, com variações significativas por região e tipo de uso (agricultura vs. não agrícola). Mogiana (SP) apresenta extremos: não agrícola ~ R$ 2.433.233,91/ha e agrícola ~ R$ 80.911,18/ha, destacando a presença de café, cana e turismo rural. Regiões Sul e Sudeste concentram os maiores preços, com Xanxerê (SC) em torno de R$ 173.298,67/ha; a Região Metropolitana do Maranhão alcança ~ R$ 299.279,01/ha e, para uso não agrícola, até ~ R$ 405.641,35/ha. Oeste Amazonense figura entre os menores valores, cerca de R$ 1.525,62/ha, devido a logística precária, áreas protegidas e menor demanda. A média nacional subiu 28% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2022. Fatores que elevam ou reduzem o preço incluem produtividade, proximidade a mercados, logística, economia, situação legal e uso da terra. O Incra aplica métodos para eliminar outliers na metodologia. Observação: 1 hectare equivale a 10 mil m². Para 2025/2026, não há preço fixo, mas a tendência é de valorização em polos consolidados (ex.: Mato Grosso, Matopiba) com avanços infraestruturais como a Ferrovia Norte-Sul; áreas preservadas ou com conflitos tendem a preços mais baixos.