
As operações no terminal portuário da Cargill em Santarém (PA) continuam paralisadas na manhã desta segunda-feira, 23, após a manutenção da ocupação por manifestantes indígenas. A interrupção do funcionamento foi confirmada pela assessoria da trading norte-americana de grãos, que afirma que a unidade permanece sem atividades desde a retirada de funcionários na última sexta-feira.
O episódio amplia a tensão entre comunidades locais e a empresa em torno dos planos de dragagem dos rios utilizados no escoamento de grãos como soja e milho até os mercados de exportação. Para os manifestantes, a intervenção no leito do rio pode trazer impactos ao ambiente e ao modo de vida ribeirinho.
No domingo, 22, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou a suspensão da licitação de dragagem e informou a adoção de medidas administrativas em resposta à ocupação do terminal portuário fluvial, registrada na madrugada de sábado, 21.
Em comunicado, o ministério ressaltou que considera “fundamental que o diálogo seja mantido” para a construção de soluções. A suspensão do processo licitatório ocorre em meio à pressão de lideranças indígenas que reivindicam respostas sobre possíveis efeitos das obras na região.
De acordo com o Conselho Tapajós e Arapiuns, a licitação de dragagem representa uma ameaça ao modo de vida das comunidades que vivem às margens do rio Tapajós. O grupo afirma que as intervenções podem afetar a qualidade da água e comprometer a pesca, atividade essencial para alimentação e subsistência local.
Os protestos começaram em 22 de janeiro, quando os manifestantes passaram a bloquear o acesso de veículos ao terminal da Cargill. Nas semanas seguintes, as mobilizações se intensificaram, com relatos de interceptação de balsas no rio. Segundo o conselho, após cerca de 30 dias sem retorno do governo federal, houve a decisão de elevar o nível do protesto e ocupar as instalações da multinacional.
A Cargill informou que as operações no terminal foram “completamente interrompidas” após a ocupação e que há indícios de vandalismo e danos a ativos. A empresa afirma que a evacuação foi necessária diante do avanço dos manifestantes sobre a área privada do terminal.
O terminal de Santarém tem papel central no fluxo de exportação de grãos na região. Segundo dados do setor portuário citados no contexto do caso, a unidade movimentou mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho em 2025, volume que representou mais de 70% dos grãos embarcados no porto paraense.
| Indicador | Informação |
|---|---|
| Status do terminal | Operações paralisadas com ocupação em curso |
| Motivo do protesto | Contestação à licitação de dragagem no Tapajós |
| Medida do governo | Suspensão da licitação e medidas administrativas |
| Relevância logística | Movimentação de soja e milho com forte peso no porto |
A empresa informou ter acionado a Justiça Federal para retirar os manifestantes do interior do terminal. No entanto, a Subseção Judiciária de Santarém negou analisar o pedido em regime de plantão.
O Ministério Público Federal também se manifestou sobre a tentativa de intimação para desocupação em 48 horas. O órgão contestou a medida e classificou o procedimento como irregular, ao apontar que teria sido feito de forma genérica, sem identificação individual e sem notificação pessoal dos indígenas.
Para as lideranças indígenas, a dragagem pode comprometer a qualidade da água e a pesca no Tapajós, afetando diretamente comunidades ribeirinhas.
A continuidade da paralisação mantém sob atenção o corredor logístico do Pará, por onde parte relevante da produção de grãos segue para exportação. Ao mesmo tempo, o caso reforça o debate sobre licenciamento, impactos socioambientais e governança em obras de infraestrutura em áreas sensíveis na Amazônia.
Enquanto o governo sinaliza disposição para manter o diálogo e já suspendeu a licitação de dragagem, a ocupação permanece como ponto de tensão imediata. A expectativa é que as próximas decisões administrativas e judiciais, somadas a eventuais mesas de negociação, determinem o rumo do impasse e a retomada — ou não — das operações no terminal.
Contexto-chave: a disputa envolve o equilíbrio entre a eficiência do transporte fluvial de grãos e as preocupações de comunidades indígenas sobre riscos ambientais e sociais associados à dragagem no Tapajós.

Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.

Resumo: O atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, deverá assumir o Ministério da Agricultura a partir de abril. Carlos Fávaro deixará o comando da pasta para concorrer nas eleições de outubro e não conseguiu indicar um sucessor.

Resumo: A FAEG expressa preocupação com relatos de dificuldade no fornecimento de diesel para a agropecuária goiana, alertando que a continuidade do problema pode comprometer operações críticas durante a colheita da soja 2025/2026 e a implantação da segunda safra de milho. O diesel é essencial para máquinas, transporte, preparo de solo e plantio. Entidades do setor relatam entraves na entrega por TRRs. A ANP informou que acompanha o abastecimento e que os estoques são considerados suficientes, com possibilidade de medidas regulatórias se houver irregularidades. Produtores também apontam forte aumento de preços, com o diesel S500 passando de cerca de R$ 5,35 para acima de R$ 8,00 por litro em algumas regiões. A FAEG afirma que interrupções podem atrasar a colheita, prejudicar o calendário da segunda safra e gerar prejuízos, e está acionando PROCON, ANP e MME para assegurar a regularidade no abastecimento, mantendo o monitoramento da situação.

Resumo: O Golfo Pérsico enfrenta o maior desafio de segurança alimentar desde 2008, com o conflito com o Irã ameaçando o serviço de portos e interrompendo a navegação pelo Estreito de Ormuz. A recente escalada indica que o Irã intensifica sua retaliação, lançando novos ataques contra países vizinhos e ampliando a instabilidade regional.

Resumo: O Brasil ficará com 42,5% da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo Mercosul–União Europeia, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse rateio foi definido por um entendimento firmado entre associações setoriais do Mercosul, com base no peso relativo das exportações de cada país. O acordo estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas, divididas em 55 mil toneladas de carne fresca/refrigerada e 44 mil de carne congelada, com tarifa de 7,5%. A implementação será gradual ao longo de seis anos. Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a UE variaram nos últimos anos entre 3 mil e 7 mil toneladas mensais, com valores entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, refletindo a valorização da proteína no mercado internacional.