
O Brasil realizou o primeiro embarque de DDG (grãos secos de destilaria) para a China, marco que consolida a abertura comercial do mercado chinês ao coproduto do etanol de milho e amplia a presença brasileira no comércio internacional de insumos para nutrição animal. A remessa, com cerca de 62 mil toneladas, saiu do Porto de Imbituba, em Santa Catarina, no dia 14, sendo a primeira operação do tipo após a assinatura do protocolo sanitário bilateral entre os dois países.
O movimento é considerado estratégico para a cadeia do milho e para a indústria de biocombustíveis, já que o DDG é um dos principais coprodutos do etanol de milho. Além de diversificar mercados, a operação reforça a competitividade do Brasil na oferta de ingredientes destinados à alimentação animal em grandes economias importadoras, como a chinesa.
A viabilização do embarque ocorreu após um trabalho de coordenação institucional conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Com a formalização do acordo sanitário, a estrutura de defesa agropecuária iniciou o processo de registro, habilitação e inspeção das unidades interessadas em acessar o mercado chinês.
Segundo as informações disponíveis, 13 estabelecimentos brasileiros foram oficialmente autorizados a exportar DDG para a China. As avaliações técnicas envolveram verificação de:
Boas práticas de fabricação;
Controles de segurança e qualidade;
Rastreabilidade;
Atendimento a requisitos específicos exigidos pelas autoridades chinesas.
A autorização sanitária é um dos pontos centrais para sustentar exportações regulares e previsíveis, reduzindo riscos de barreiras e interrupções no fluxo comercial.
O DDG é um coproduto obtido no processamento do milho para a produção de etanol. Após as etapas de fermentação e destilação, componentes como proteínas, fibras e lipídios que não foram convertidos em álcool ficam concentrados. Em seguida, esse material é seco e transformado em um insumo amplamente usado na alimentação animal.
Com a expansão do etanol de milho, o DDG ganhou maior visibilidade, tanto pelo volume disponível quanto pelo papel na composição de dietas animais. A abertura da China, nesse contexto, tende a elevar a atratividade do produto brasileiro ao conectar oferta crescente com demanda de grande escala.
O desempenho recente reforça o avanço do coproduto no comércio exterior. Em 2024, o Brasil exportou aproximadamente 791 mil toneladas de DDG. No mesmo ano, a China importou mais de US 66 milhões em produtos dessa categoria voltados à nutrição animal, indicando um mercado com apetite relevante por ingredientes do segmento.
Já em 2025, as exportações brasileiras de DDG e DDGS alcançaram 879.358 toneladas, registrando crescimento de 9,77% em relação ao ano anterior, de acordo com dados oficiais compilados por entidade do setor. Os embarques chegaram a 25 mercados, ampliando a presença dos chamados Brazilian Distillers Grains no cenário internacional.
Indicador Resultado Primeira remessa à China Cerca de 62 mil toneladas (Porto de Imbituba) Estabelecimentos habilitados 13 unidades autorizadas Exportações do Brasil em 2024 Aproximadamente 791 mil toneladas de DDG Exportações do Brasil em 2025 879.358 toneladas (DDG e DDGS), +9,77% Mercados atendidos em 2025 25 destinos Importações da China em 2024 Mais de US 66 milhões na categoria
O avanço das vendas externas ocorre em paralelo à expansão da indústria de etanol de milho. A projeção é de produção próxima de 10 bilhões de litros, cenário que eleva a disponibilidade de coprodutos derivados do processamento do grão e fortalece a integração entre o setor de biocombustíveis e a cadeia de proteína animal.
Para a China, a entrada de fornecedores adicionais pode representar maior diversidade de origens e alternativas para formulação de rações, enquanto para o Brasil a abertura do mercado tende a criar oportunidades de ganho em escala, agregação de valor e estabilidade de demanda.
No segmento de maior valor agregado, a empresa FS anunciou a primeira venda de HPDDG brasileiro ao mercado chinês. O contrato, firmado em janeiro, prevê o envio de 3 mil toneladas métricas, com carga já posicionada no Porto de Santos e embarque programado para os próximos dias.
O HPDDG, desenvolvido a partir da biorrefinaria de milho da companhia, marca a entrada do Brasil na exportação de ingredientes com maior densidade proteica para a China, ampliando o portfólio nacional além das categorias tradicionais.
De acordo com o diretor comercial da FS, Victor Trenti, a operação reforça o potencial brasileiro de fornecer insumos de maior valor agregado para a nutrição animal em mercados de grande escala, sustentando a estratégia de posicionamento do país como fornecedor relevante de coprodutos do etanol de milho.
Em síntese, o primeiro embarque de DDG para a China sinaliza um novo patamar para as exportações brasileiras do coproduto, apoiado por habilitações sanitárias, crescimento de volumes e ampliação de destinos. Com a indústria de etanol de milho em trajetória de expansão, a tendência é que o Brasil avance tanto em escala quanto em produtos premium, como o HPDDG, fortalecendo sua presença na cadeia global de nutrição animal.
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