
Produtores e indústrias do Rio Grande do Sul anunciaram o lançamento de uma iniciativa privada voltada à promoção e valorização da carne gaúcha, com foco em diferenciar o produto no mercado e recuperar o protagonismo da pecuária no estado.
Com o argumento de que a carne produzida no Rio Grande do Sul apresenta características próprias em comparação a outras regiões do país, o Instituto Desenvolve Pecuária e o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado (Sicadergs) lançam uma campanha para reforçar a identidade do produto e ampliar seu reconhecimento junto aos consumidores.
No mesmo movimento, será apresentado o Fundo de Promoção da Carne Gaúcha (Fundocarne), estrutura criada para financiar projetos de marketing, comunicação e ações estratégicas voltadas exclusivamente à carne do estado. A apresentação ocorre durante a Abertura da Colheita do Arroz, evento que reúne lideranças do agronegócio e autoridades.
A presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli, defende que o setor precisa comunicar melhor os diferenciais do que é produzido no território gaúcho. Segundo ela, o objetivo é evitar que o produto seja tratado apenas como uma mercadoria padronizada, sem reconhecimento de origem e qualidade.
“Nossa carne não pode ser vendida como uma commodity. Tem valor agregado por ser oriunda de raças britânicas, de estar em cima de um Pampa. O bioma Pampa é totalmente conectado com a atividade. Tem responsabilidade ambiental, sanitária. As pessoas vêm buscar a história do churrasco do fogo de chão.”
Na avaliação da dirigente, o consumo deve ser apresentado como uma experiência, conectando tradição, cultura e atributos produtivos. Ela cita que países vizinhos já trabalham essa narrativa com eficiência, reforçando que o Rio Grande do Sul compartilha semelhanças em padrão de carne e identidade pecuária.
O Fundocarne é um fundo privado com gestão compartilhada entre pecuaristas e indústrias. A proposta é estruturar uma governança em que os diferentes elos da cadeia contribuam e, ao mesmo tempo, definam prioridades para ações de promoção do produto.
Natureza: iniciativa privada voltada à promoção setorial;
Gestão: compartilhada entre produtores e indústrias;
Foco: projetos de valorização e comunicação da carne gaúcha;
Alcance: consumidores do RS e outros mercados brasileiros, com perspectiva de exportação.
Após o lançamento da campanha, a estratégia é organizar ações para atingir tanto o público do estado quanto consumidores de outras regiões do Brasil. A argumentação central é que o sistema produtivo local — associado ao bioma Pampa, às raças britânicas e a padrões de responsabilidade — resultaria em um produto com posicionamento distinto.
Em síntese, o setor busca evitar que a carne gaúcha receba o mesmo tratamento de precificação e comercialização típico de produtos indiferenciados, reforçando a necessidade de reconhecimento do seu valor agregado.
Ponto central Objetivo Diferenciação Posicionar a carne como produto com identidade e valor agregado. Promoção Financiar campanhas e ações focadas no consumidor e em mercados estratégicos. Competitividade Unir a cadeia e melhorar o ambiente de negócios do setor no RS. Mercados Consolidar destinos existentes e buscar novas oportunidades, inclusive externas.
Para o presidente-executivo do Sicadergs, Ronei Lauxen, a prioridade inicial do fundo é promover integração entre os participantes da cadeia, criando base para ações coordenadas. Ele avalia que há espaço para o Rio Grande do Sul retomar relevância na atividade, em um momento em que o mercado é descrito como estagnado.
“Tem bastante coisa que a gente pode trabalhar para buscar de novo o protagonismo da pecuária gaúcha. Vemos que outros estados estão crescendo bastante e o Rio Grande do Sul ficou meio parado nessa atividade.”
Na visão do sindicato, ampliar reconhecimento e organizar esforços pode impactar também a presença do produto no exterior. O plano citado inclui fortalecer mercados já existentes e avaliar a abertura de novos destinos, com a valorização da carne gaúcha como eixo da estratégia.
Além das ações de comunicação e mercado, a cadeia produtiva também aponta a necessidade de avançar em produtividade no segmento industrial. O diagnóstico apresentado é de ociosidade em unidades de processamento, o que amplia a urgência de debates e medidas conjuntas para destravar gargalos.
De acordo com a entidade, existem diferentes temas a serem discutidos para melhorar o ambiente de negócios do setor, considerado relevante para a economia gaúcha. A proposta é que o novo fundo e a campanha sirvam como plataforma de articulação, reunindo produtores e indústrias em torno de objetivos comuns.
Em destaque: a estratégia combina diferenciação de produto, promoção estruturada e coordenação setorial para reposicionar a carne gaúcha e sustentar crescimento no mercado interno e externo.
Conteúdo jornalístico reescrito a partir de informações publicadas originalmente em veículo de imprensa.

Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.

Resumo: O microcrédito rural especialmente via Banco do Nordeste (BNB), tem sido divisor de águas para produtores familiares em Minas Gerais. A trajetória de Ovídio Soares Vilela, que em 1973 vendia apenas 13 litros de leite por dia e hoje gerencia uma fazenda com 25 funcionários e produção diversificada, ilustra a transformação possibilitada por linhas de crédito com juros baixos e prazos maiores.

Resumo: O Golfo Pérsico enfrenta o maior desafio de segurança alimentar desde 2008, com o conflito com o Irã ameaçando o serviço de portos e interrompendo a navegação pelo Estreito de Ormuz. A recente escalada indica que o Irã intensifica sua retaliação, lançando novos ataques contra países vizinhos e ampliando a instabilidade regional.

Resumo: O Brasil ficará com 42,5% da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo Mercosul–União Europeia, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse rateio foi definido por um entendimento firmado entre associações setoriais do Mercosul, com base no peso relativo das exportações de cada país. O acordo estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas, divididas em 55 mil toneladas de carne fresca/refrigerada e 44 mil de carne congelada, com tarifa de 7,5%. A implementação será gradual ao longo de seis anos. Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a UE variaram nos últimos anos entre 3 mil e 7 mil toneladas mensais, com valores entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, refletindo a valorização da proteína no mercado internacional.

Resumo: Em Chicago, os contratos futuros de óleo de soja para maio subiram 2,9% para 69,54 centavos de dólar por libra; a soja avançou 2,5% para US$ 12,31 por bushel; o trigo subiu 3,1% para US$ 6,36 por bushel; o milho, 2,6% para US$ 4,72 por bushel, em 9 de março. O óleo de soja acumula a 11ª alta consecutiva, a maior sequência desde 2008, impulsionada pela demanda por culturas usadas em biocombustíveis diante de interrupções no fornecimento de combustível. O petróleo acima de US$ 100 por barril coincidiu com cortes na produção do Golfo e com o estreito de Ormuz quase fechado, elevando custos de frete e pressionando os grãos; o conflito entre EUA, Israel e o Irã está afetando o comércio de fertilizantes, sustentando os preços, segundo Joe Davis, da Futures International. Na China, óleos vegetais e farinhas de oleaginosas também subiram, com a farinha de soja em Dalian em 3.066 yuan/t e o óleo de palma atingindo o limite diário; movimentos semelhantes ocorreram para óleo de colza e farinha de colza em Zhengzhou. O aumento dos preços do petróleo alimenta preocupações inflacionárias globais, com impactos esperados nos preços da gasolina e, possivelmente, dos alimentos; embora muitos produtores tenham assegurado insumos para 2026, podem enfrentar dificuldades no próximo ano se o estreito de Ormuz não se reabrir em breve.