
O mercado agropecuário começou a semana com movimentos mistos entre proteínas e grãos no Brasil. Dados do Cepea indicam valorização do boi gordo, enquanto o café arábica amplia as perdas no acumulado do mês. Já soja e trigo apresentam oscilações conforme a região, e o açúcar cristal registra comportamento diferente entre a capital paulista e o porto de Santos.
As cotações refletem negociações em praças de referência e ajudam produtores, indústrias e compradores a medir tendências de curto prazo. A leitura do dia reforça que, mesmo com parte do complexo de proteínas em ajuste, há sustentação para o boi em São Paulo, ao passo que o café segue pressionado no mês.
O Indicador do boi gordo registrou alta de 0,91%, com a arroba negociada a R$ 348,55 no estado de São Paulo. No acumulado do mês, a valorização chega a 6,62%. Em moeda norte-americana, o valor equivale a US$ 67,30.
O que é boi gordo? É o animal pronto para abate, com peso mínimo de 16 arrobas líquidas de carcaça, referência para o mercado interno e também para exportações.
No segmento de aves, tanto o frango congelado quanto o frango resfriado tiveram queda de 0,14% nos atacados da Grande São Paulo, São José do Rio Preto e Descalvado. O congelado foi negociado a R$ 7,29 o quilo, enquanto o resfriado ficou em R$ 7,31.
Apesar do ajuste no dia, os dois produtos ainda mantêm alta superior a 3% no acumulado mensal, sinalizando um mercado que, por enquanto, sustenta parte dos ganhos recentes.
A carcaça suína especial permaneceu estável, cotada a R$ 10,17 por quilo na Grande São Paulo. No entanto, o produto acumula queda de 8,63% no mês, o que indica um cenário de correção mais forte em fevereiro.
Já o suíno vivo apresentou estabilidade em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em São Paulo, houve leve alta de 0,44%, com o quilo a R$ 6,87. Nas principais praças, os preços variam de R$ 6,59 a R$ 6,87.
No mercado de grãos, o milho teve recuo de 0,09%, com a saca de 60 quilos a R$ 68,74. Mesmo com a queda pontual, o cereal acumula alta de 3,99% no mês, refletindo sustentação de preços no curto prazo.
A soja apresentou comportamento diferente dentro do Paraná. No interior do estado, a saca de 60 quilos teve leve alta de 0,04%, cotada a R$ 121,30. Já em Paranaguá, um dos principais corredores de exportação, houve recuo de 0,44%, com a saca a R$ 128,49.
No acumulado mensal, as duas praças continuam em valorização, mostrando que a correção diária não altera, por enquanto, a trajetória do mês.
O trigo ficou estável no Paraná, onde a tonelada foi negociada a R$ 1.161,05. No Rio Grande do Sul, o cereal avançou 1,49%, com preço médio de R$ 1.085,50 por tonelada.
No mercado cafeeiro, o café arábica iniciou o dia em queda de 0,68%, cotado a R$ 1.806,48 a saca de 60 quilos em São Paulo. No acumulado do mês, a retração chega a 13,75%, reforçando um movimento de desvalorização mais acentuado em fevereiro.
O café robusta, por sua vez, subiu 1,48%, com a saca a R$ 1.042,95. Ainda assim, também registra perdas superiores a 13% no mês, sugerindo que a alta do dia ocorre dentro de um cenário mensal negativo.
O açúcar cristal apresentou comportamento misto nas principais praças paulistas. Na capital, a saca de 50 quilos caiu 1,42%, para R$ 100,45. Em Santos, no mercado FOB, houve alta de 1,37%, com a saca cotada a R$ 107,98.
Abaixo, um quadro com os valores informados para as principais commodities e proteínas acompanhadas no levantamento:
| Produto | Variação no dia | Preço de referência | Observação |
|---|---|---|---|
| Boi gordo | +0,91% | R$ 348,55 por arroba (SP) | Alta mensal de 6,62% |
| Frango congelado | -0,14% | R$ 7,29 por kg | Alta mensal acima de 3% |
| Frango resfriado | -0,14% | R$ 7,31 por kg | Alta mensal acima de 3% |
| Carcaça suína especial | 0,00% | R$ 10,17 por kg | Queda mensal de 8,63% |
| Suíno vivo (SP) | +0,44% | R$ 6,87 por kg | Faixa: R$ 6,59 a R$ 6,87 |
| Milho | -0,09% | R$ 68,74 por saca (60 kg) | Alta mensal de 3,99% |
| Soja (interior do PR) | +0,04% | R$ 121,30 por saca (60 kg) | Praça com valorização no mês |
| Soja (Paranaguá) | -0,44% | R$ 128,49 por saca (60 kg) | Praça com valorização no mês |
| Trigo (PR) | 0,00% | R$ 1.161,05 por tonelada | Estabilidade na praça |
| Trigo (RS) | +1,49% | R$ 1.085,50 por tonelada | Alta na praça gaúcha |
| Café arábica | -0,68% | R$ 1.806,48 por saca (60 kg) | Queda mensal de 13,75% |
| Café robusta | +1,48% | R$ 1.042,95 por saca | Perdas mensais acima de 13% |
| Açúcar cristal (capital) | -1,42% | R$ 100,45 por saca (50 kg) | Queda na praça |
| Açúcar cristal (Santos, FOB) | +1,37% | R$ 107,98 por saca (50 kg) | Alta no porto |
Os números divulgados são do Cepea e representam referências de negociação em regiões produtoras e polos de comercialização acompanhados pela instituição.

Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.