
Mercado do Boi Gordo em Fevereiro: Preços Firmes, Demanda Interna Acelerando e Exportações de Carne Bovina em Patamar Recorde
Resumo: O mercado do boi gordo permanece firme para fevereiro, com oferta de boiadas mais enxuta e demanda aquecida, sustentando um patamar de exportação recorde no início do ano, especialmente para China e EUA, além de bom consumo interno. Em São Paulo, o boi gordo subiu R$2,00/@, o boi China ficou estável porém com negócios acima da referência, e vaca/novilha estáveis. Minas Gerais registrou oferta reduzida com altas generalizadas: Triângulo Mineiro (+R$3,00/@), Belo Horizonte (+R$2,00/@ para boi gordo e vaca; +R$3,00/@ para a novilha), Norte (+R$3,00/@ boi gordo; +R$2,00/@ vaca; +R$5,00/@ novilha) e Sul (+R$5,00/@ para boi gordo e novilha; vaca estável). O indicador “boi China” avançou R$5,00/@ em relação a ontem. No acumulado, a exportação de carne bovina in natura atingiu 136,8 mil toneladas até a segunda semana de fevereiro, com média diária de 13,6 mil t e preço médio de US$ 5,6 mil por tonelada, 13,5% acima do mesmo período de 2025. (Autores: Pedro Gonçalves e Gustavo Duprat)
Mercado do boi gordo mantém preços firmes em fevereiro e segue sustentado por uma combinação de oferta restrita de animais prontos e demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto no externo. A leitura predominante entre agentes do setor é de que a disponibilidade de boiadas mais enxutas continua dando suporte às cotações, enquanto as vendas de carne bovina seguem em patamar elevado, inclusive em um período do ano que costuma trazer oscilações no consumo.
De um lado, a exportação de carne bovina in natura mantém desempenho expressivo no início do ano, impulsionada principalmente pelos embarques para China e Estados Unidos. Do outro, a demanda doméstica segue relativamente firme para janeiro e fevereiro, com bom ritmo de compras mesmo nas segundas quinzenas, quando tradicionalmente o consumo pode perder força.
Semana termina com mercado firme e ajustes pontuais nas cotações
Em São Paulo, o mercado abriu a sexta-feira oscilando entre estabilidade e alta. A cotação do boi gordo avançou R$ 2,00 por arroba. Já o “boi China” manteve a referência do dia anterior, embora tenham sido observados negócios acima do patamar indicado, sinalizando um ambiente de disputa por lotes que atendem padrões de exportação.
As cotações de vaca e novilha ficaram estáveis na comparação diária. O fator central por trás da sustentação dos preços foi a limitação da oferta de bovinos, que reduziu a possibilidade de pressão baixista por parte das indústrias.
Outro ponto observado foi o nível das escalas de abate, que atendiam, em média, a cinco dias úteis. Em geral, escalas mais curtas tendem a aumentar a necessidade de compra de boiadas, favorecendo movimentos de valorização da arroba em momentos de oferta contida.
Os valores informados são brutos e com prazo.
Minas Gerais: oferta reduzida eleva preços em todas as regiões
Em Minas Gerais, o cenário foi de oferta menor de bovinos, com raridade de negócios abaixo das referências de mercado. Na prática, isso limitou a margem de negociação para baixo e levou frigoríficos a pagar mais pela arroba, resultando em alta generalizada nas praças pecuárias do estado.
As variações de preços foram registradas em diferentes regiões, com destaque para o comportamento do boi gordo, além de movimentos em vaca e novilha, dependendo da praça e do volume disponível.
Principais ajustes por região em Minas Gerais
Região Boi gordo Vaca Novilha Boi China Triângulo Mineiro + R$ 3,00/@ + R$ 3,00/@ Estável — Região de Belo Horizonte + R$ 2,00/@ + R$ 2,00/@ + R$ 3,00/@ — Região Norte + R$ 3,00/@ + R$ 2,00/@ + R$ 5,00/@ — Região Sul + R$ 5,00/@ Estável + R$ 5,00/@ — Referência estadual — — — + R$ 5,00/@
Entre os destaques, o “boi China” registrou alta de R$ 5,00 por arroba em relação ao dia anterior, reforçando a percepção de que animais com padrão exportador têm encontrado espaço para valorização em meio à oferta curta.
Exportação de carne bovina in natura avança e sustenta expectativas
O mercado externo segue como um dos pilares do momento atual. Até a segunda semana de fevereiro, o volume exportado de carne bovina in natura alcançou 136,8 mil toneladas. A média diária ficou em 13,6 mil toneladas, representando um aumento de 43,7% frente ao embarcado por dia no mesmo período do ano anterior.
Além do ganho em volume, houve melhora no valor médio: a cotação média da tonelada ficou em US$ 5,6 mil, com alta de 13,5% na comparação anual. A leitura é de que a combinação de preços melhores e ritmo forte de embarques contribui para manter a indústria ativa, influenciando diretamente a disputa por matéria-prima no mercado do boi.
O que explica a firmeza do boi gordo em fevereiro
Oferta limitada de bovinos, com boiadas mais enxutas no curto prazo;
Escalas de abate relativamente curtas, elevando a necessidade de compra por parte das indústrias;
Exportações aquecidas, especialmente para China e Estados Unidos;
Consumo interno resiliente no período, mesmo com a proximidade das segundas quinzenas.
Com esses fatores combinados, o ambiente segue de atenção para pecuaristas e frigoríficos. A tendência de curto prazo depende, principalmente, do comportamento da oferta de animais terminados e da continuidade do ritmo das exportações, que até aqui permanecem como um componente decisivo na sustentação das cotações.
Informações de mercado compiladas a partir de dados setoriais e apurações do noticiário especializado.


