
Mercado do boi gordo mantém preços firmes em fevereiro e segue sustentado por uma combinação de oferta restrita de animais prontos e demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto no externo. A leitura predominante entre agentes do setor é de que a disponibilidade de boiadas mais enxutas continua dando suporte às cotações, enquanto as vendas de carne bovina seguem em patamar elevado, inclusive em um período do ano que costuma trazer oscilações no consumo.
De um lado, a exportação de carne bovina in natura mantém desempenho expressivo no início do ano, impulsionada principalmente pelos embarques para China e Estados Unidos. Do outro, a demanda doméstica segue relativamente firme para janeiro e fevereiro, com bom ritmo de compras mesmo nas segundas quinzenas, quando tradicionalmente o consumo pode perder força.
Em São Paulo, o mercado abriu a sexta-feira oscilando entre estabilidade e alta. A cotação do boi gordo avançou R$ 2,00 por arroba. Já o “boi China” manteve a referência do dia anterior, embora tenham sido observados negócios acima do patamar indicado, sinalizando um ambiente de disputa por lotes que atendem padrões de exportação.
As cotações de vaca e novilha ficaram estáveis na comparação diária. O fator central por trás da sustentação dos preços foi a limitação da oferta de bovinos, que reduziu a possibilidade de pressão baixista por parte das indústrias.
Outro ponto observado foi o nível das escalas de abate, que atendiam, em média, a cinco dias úteis. Em geral, escalas mais curtas tendem a aumentar a necessidade de compra de boiadas, favorecendo movimentos de valorização da arroba em momentos de oferta contida.
Os valores informados são brutos e com prazo.
Em Minas Gerais, o cenário foi de oferta menor de bovinos, com raridade de negócios abaixo das referências de mercado. Na prática, isso limitou a margem de negociação para baixo e levou frigoríficos a pagar mais pela arroba, resultando em alta generalizada nas praças pecuárias do estado.
As variações de preços foram registradas em diferentes regiões, com destaque para o comportamento do boi gordo, além de movimentos em vaca e novilha, dependendo da praça e do volume disponível.
Região Boi gordo Vaca Novilha Boi China Triângulo Mineiro + R$ 3,00/@ + R$ 3,00/@ Estável — Região de Belo Horizonte + R$ 2,00/@ + R$ 2,00/@ + R$ 3,00/@ — Região Norte + R$ 3,00/@ + R$ 2,00/@ + R$ 5,00/@ — Região Sul + R$ 5,00/@ Estável + R$ 5,00/@ — Referência estadual — — — + R$ 5,00/@
Entre os destaques, o “boi China” registrou alta de R$ 5,00 por arroba em relação ao dia anterior, reforçando a percepção de que animais com padrão exportador têm encontrado espaço para valorização em meio à oferta curta.
O mercado externo segue como um dos pilares do momento atual. Até a segunda semana de fevereiro, o volume exportado de carne bovina in natura alcançou 136,8 mil toneladas. A média diária ficou em 13,6 mil toneladas, representando um aumento de 43,7% frente ao embarcado por dia no mesmo período do ano anterior.
Além do ganho em volume, houve melhora no valor médio: a cotação média da tonelada ficou em US$ 5,6 mil, com alta de 13,5% na comparação anual. A leitura é de que a combinação de preços melhores e ritmo forte de embarques contribui para manter a indústria ativa, influenciando diretamente a disputa por matéria-prima no mercado do boi.
Oferta limitada de bovinos, com boiadas mais enxutas no curto prazo;
Escalas de abate relativamente curtas, elevando a necessidade de compra por parte das indústrias;
Exportações aquecidas, especialmente para China e Estados Unidos;
Consumo interno resiliente no período, mesmo com a proximidade das segundas quinzenas.
Com esses fatores combinados, o ambiente segue de atenção para pecuaristas e frigoríficos. A tendência de curto prazo depende, principalmente, do comportamento da oferta de animais terminados e da continuidade do ritmo das exportações, que até aqui permanecem como um componente decisivo na sustentação das cotações.
Informações de mercado compiladas a partir de dados setoriais e apurações do noticiário especializado.

Resumo: As informações indicam que os EUA pediram à Ucrânia que facilite restrições às importações de potássio originário da Bielorrússia e que Kyiv pressione países europeus a adotarem posição semelhante. A notícia ressalta que o potássio é um nutriente essencial para solos e para elevar a produção agrícola; antes das sanções ocidentais, a Bielorrússia dependia dele para obter receitas em moeda estrangeira. As sanções foram impostas por motivos políticos, incluindo repressão interna e apoio de Moscou à guerra contra a Ucrânia, o que impactou as exportações de potássio da Bielorrússia e suas fontes de divisas. A iniciativa, segundo fontes familiarizadas, busca ampliar o isolamento econômico da Bielorrússia, aumentando a pressão para tornar o comércio mais restrito ou menos viável no curto prazo. Não houve confirmação oficial dos governos envolvidos, e os próximos passos dependem de negociações entre Washington, Kyiv e aliados europeus, com avaliação de impactos econômicos no setor agroindustrial.
Resumo: A escassez de fertilizantes causada pelo conflito com o Irã e pelo bloqueio do estreito de Ormuz pode reduzir a produção global de alimentos e elevar os preços. O CEO da Yara, Svein Tore Holsether, afirmou à BBC que até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas, o que pode equivaler a até 10 bilhões de refeições a menos por semana. Não aplicar fertilizante nitrogenado pode reduzir a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra, com impactos mais imediatos na Ásia, Sudeste Asiático, África e América Latina. Regiões como a África Subsaariana podem sofrer efeitos ainda maiores, e o tempo de plantio varia globalmente. A ONU/Programa Mundial de Alimentos estima que as consequências do conflito podem levar 45 milhões de pessoas a mais à fome em 2026, com a insegurança alimentar na Ásia-Pacífico aumentando cerca de 24%. No Reino Unido, a inflação de alimentos pode chegar a 10% em dezembro, com sinais de custos mais altos para produtores já aparecendo.

Resumo: O preço do bezerro manteve a valorização em 2026, atingindo novo patamar histórico acima de R$ 3.400 por cabeça ao final de abril (Cepea, Mato Grosso do Sul). Na parcial de abril, houve alta de 3,3% em relação a março e 10,9% frente a 2025, com o preço médio nominal até o dia 27 de abril em R$ 3.347,2, o oitavo mês consecutivo de alta e o maior da série. O ágio do bezerro frente ao boi gordo atingiu 39,1% na parcial de abril de 2026, o maior para o período do ano desde 2021, embora ainda abaixo dos recordes históricos de 2021 e 2015. Do lado do mercado, os dados de futuros sinalizam expectativa de queda, o que preocupa o produtor no curto prazo. Em outro tema, a demanda chinesa por carne bovina foi revisada para baixo em mais de 0,5 milhão de toneladas em equivalente carcaça para 2026, levantando a questão se o consumo na China cairá tanto neste ano.
O setor agropecuário brasileiro iniciou 2026 com retração de 9,79% no IPPA/Cepea no 1º trimestre ante o mesmo período de 2025, com a arroba bovina sendo a única exceção, valorizada 5,9%.

Resumo: As chuvas do inverno amazônico dificultam a colheita de açaí nos municípios ribeirinhos, levando a uma redução de cerca de 40% na oferta em Macapá e impactando produtores, batedores e consumidores. O tempo chuvoso dificulta o acesso às áreas de colheita e o transporte do fruto até a capital, chegando a reduzir a produção pela metade em dias de chuva (ex.: 180 latas frente a 400–500 em tempo bom). Em Macapá, muitas batedeiras estão sem funcionar por falta de produto; o litro varia entre R$ 20 e R$ 30. A oscilação diária de preços é evidente, com variações entre R$ 18, R$ 25 e até R$ 30, o que preocupa quem depende do fruto para sobrevivência. Adrison Pacheco Pereira comenta que é preciso pagar melhor para conseguir trazer o açaí; Antônio Alves dos Santos destaca o desemprego entre batedores; Andréa de Ataíde confirma o aumento para cerca de R$ 26 por litro; e Rony Gonçalves observa a oscilação diária de preços. A associação de batedores e produtores alerta para a necessidade de soluções para manter a atividade.