
A irrigação vem se consolidando como um dos principais pilares para a sustentabilidade e a estabilidade da produção de cana-de-açúcar no Brasil, especialmente em regiões com alta variabilidade climática e chuvas irregulares. Na Jalles, empresa do setor bioenergético com operações em Goiás, esse processo é resultado de uma trajetória construída ao longo de mais de três décadas, marcada por investimento contínuo, adaptação a restrições hídricas e digitalização do manejo agrícola.
O tema foi apresentado pelo gestor de processos agrícolas da companhia, Patrick Francino Campos, durante o Encontro Técnico “Irrigação em cana-de-açúcar e seus desafios: variedades responsivas, produtividade e colheitabilidade”, promovido em setembro de 2025 pelo Grupo de Irrigação e Fertirrigação de Cana-de-açúcar (GIFC). Segundo o executivo, a estratégia da empresa se apoia em soluções sustentáveis e inovadoras, com foco em geração de valor e eficiência operacional — o que ajuda a explicar por que a irrigação foi incorporada ainda nos anos 1990, antes de se tornar tendência no setor.
Destaque: A empresa afirma ter evoluído de um modelo de irrigação de salvamento para um sistema integrado de irrigação suplementar com recursos digitais e tomada de decisão em tempo real.
O cenário atual descrito pela Jalles inclui pivôs acionados à distância, lâminas de água ajustadas em tempo real e reservatórios monitorados por plataformas digitais. Esse nível de automação, porém, não surgiu de forma imediata. A irrigação começou como resposta a desafios agronômicos e climáticos de uma região com solos de baixa retenção hídrica e precipitações mal distribuídas ao longo do ano.
No início da década de 1990, a prática foi adotada com um objetivo específico: auxiliar no controle da lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), praga que prejudica a brotação da cana e pode comprometer a formação do canavial. Naquele momento, os sistemas disponíveis eram mais simples, exigiam grande volume de mão de obra e operavam com equipamentos autopropelidos convencionais, o que impôs uma curva de aprendizado às equipes técnicas.
Com a experiência acumulada, a empresa avançou para uma estratégia mais estruturada. Em 1998, a unidade Jalles Machado (GO) se tornou uma das primeiras usinas do país a instalar pivôs de irrigação desenvolvidos especificamente para cana-de-açúcar, reforçando o papel da irrigação como ferramenta estratégica dentro do sistema produtivo.
As unidades Jalles Machado e Otávio Lage estão localizadas no início da bacia do Alto Tocantins, área caracterizada por pequenos cursos d’água e disponibilidade limitada para grandes projetos de captação. Nesse contexto, a expansão da irrigação exigiu planejamento detalhado e soluções voltadas ao uso racional da água.
A partir dos anos 2000, a empresa relatou investimentos em pivôs rebocáveis com lâminas reduzidas e na construção de barramentos, medida que ampliou a capacidade de regularização hídrica e contribuiu para maior previsibilidade do abastecimento. Com o tempo, a irrigação deixou de ser apenas uma “proteção” contra estiagens severas e passou a atuar de forma suplementar, contribuindo para ganhos consistentes de produtividade e maior estabilidade das safras, inclusive em anos climaticamente adversos.
Um marco citado na evolução tecnológica foi a criação, em 2012, da Central de Operações de Irrigação (COI). Em 2020, o centro foi incorporado à Torre de Controle Agroindustrial, ambiente que, segundo a empresa, permite operar remotamente equipamentos e acompanhar indicadores de desempenho em campo.
De acordo com Campos, a iniciativa reforça a ideia de que a tecnologia pode apoiar a sustentabilidade e melhorar a gestão do trabalho no campo, reduzindo deslocamentos, padronizando rotinas e permitindo resposta mais rápida a variações de demanda hídrica.
Além de digitalizar o controle, a Jalles afirmou ter investido na modernização da infraestrutura de irrigação. Entre as mudanças citadas estão a substituição de motores simples, com vazão de 110 m³/h, por conjuntos duplos, com capacidade de até 220 m³/h, e o desenvolvimento de novos projetos de pivôs com lâminas anuais que podem chegar a 400 mm.
Também foram relatadas iniciativas para ampliar e reforçar a segurança hídrica, como a construção de novos barramentos e a ampliação de estruturas existentes, além da adoção de sistemas de gotejamento e da qualificação contínua da mão de obra.
| Frente | O que mudou | Impacto esperado |
|---|---|---|
| Automação | Operação remota de equipamentos e gestão centralizada | Agilidade e padronização do manejo |
| Monitoramento | Acompanhamento em tempo real de reservatórios e desempenho | Decisão mais rápida e eficiência hídrica |
| Infraestrutura | Modernização de motores, pivôs e ampliação de barramentos | Maior confiabilidade e capacidade de operação |
| Tecnologias de aplicação | Adoção de gotejamento e projetos com lâminas ajustadas | Uso racional da água e estabilidade produtiva |
A expansão de modelos digitais de irrigação é apontada como resposta a um cenário de maior incerteza climática, em que períodos de estiagem, ondas de calor e irregularidade de chuvas podem reduzir o potencial produtivo e aumentar custos de produção. Ao combinar infraestrutura, automação e monitoramento, o objetivo descrito pela Jalles é elevar a previsibilidade do manejo hídrico, reduzir perdas e sustentar níveis de produtividade em diferentes condições de safra.
Com a integração de controle remoto, gestão centralizada e investimentos em equipamentos mais eficientes, a empresa afirma ter consolidado sua entrada na chamada “Irrigação 4.0”.
Palavras-chave para SEO: irrigação na cana-de-açúcar, irrigação 4.0, controle remoto de pivôs, monitoramento de reservatórios, produtividade da cana, sustentabilidade no agro, automação agrícola, gestão hídrica no campo.

A queda de geração nas usinas tipo 3, que incluem cogeração movida a biomassa de cana-de-açúcar, é preocupante, mas não há solução à vista, segundo Alexandre Leite, sócio da área de energia do Dias Carneiro Advogados. Para a cogeração, não há previsão de reembolso pela energia não vendida, apenas para as renováveis; segundo Leite, a solução exigiria mudanças legislativas. As distribuidoras afirmam que apenas seguem ordens do ONS, enquanto a Abradee diz que os prejuízos causados pela interrupção decorrentes dessas determinações não caracterizam falta de prestação do serviço. O texto evidencia um impasse regulatório entre o marco regulatório, as decisões operatorias e as expectativas do setor elétrico.

Em 10 de junho, durante a Semana do Meio Ambiente, o governo de São Paulo anunciou a construção da primeira usina brasileira de captura e armazenamento de carbono gerado pela produção de etanol de cana-de-açúcar. A iniciativa, orçada em cerca de R$ 30 milhões, envolve a FAPESP, a USP (Poli), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semil), a Petrobras e o escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados, e resultou na criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio), um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) sediado na Poli-USP. O CTCCSBio terá como missão...

Resumo A Raízen avançou no processo de recuperação extrajudicial (RE) ao obter adesão de 75,45% dos créditos ao seu plano, o que permite protocolar a maior RE da história do Brasil. Mesmo com esse progresso, permanecem dúvidas sobre a estrutura da operação, especialmente a metodologia para a conversão de...

Resumo: A Raízen, joint venture de Cosan e Shell, negocia uma renegociação de dívida total de R$ 75,35 bilhões, com R$ 65,4 bilhões incluídos no processo de recuperação extrajudicial. Uma das propostas prevê converter 45% da dívida reestruturada em ações a R$ 0,25 por papel (valor cerca de 40% abaixo do fechamento anterior), com os 55% restantes estruturados como novas dívidas distribuídas entre Raízen Combustíveis e Raízen Energia, com maturidade entre 2032 e 2035. A reação do mercado foi negativa: as ações caíram quase 19% no dia, cotadas a R$ 0,34, após o anúncio da proposta de valorização da dívida em ações.

As fusões e aquisições nos segmentos de fertilizantes e açúcar/etanol caíram pela metade em 2025, totalizando apenas seis operações no ano, segundo levantamento exclusivo da KPMG para o Valor. Em fertilizantes, foram cinco transações em 2025, frente a nove em 2024; nas usinas de açúcar e etanol, o número caiu de três em 2024 para apenas uma em 2025. O recorte da consultoria evidencia um recuo significativo no ritmo de M&A nesses setores.