
As projeções climáticas para o segundo semestre indicam a possibilidade de um El Niño intenso, com efeitos que podem se estender até o início de 2027. Embora o fenômeno seja amplamente associado ao excesso de chuvas no Sul e à redução de precipitações no Centro-Oeste e no Nordeste, cresce a preocupação com um impacto menos discutido, mas estratégico: a logística na Amazônia, base do escoamento de parte relevante da produção agrícola brasileira.
Nos últimos anos, o transporte fluvial ganhou peso no fluxo de exportação, especialmente pelos portos do Arco Norte. Com menos chuva, porém, a tendência é de redução do volume de água nos rios, o que compromete a navegabilidade e pode provocar gargalos no envio de cargas como soja e milho. O risco é que dificuldades operacionais se convertam em custos maiores, atrasos e redirecionamento de rotas.
A navegação fluvial depende diretamente da profundidade e da segurança do leito dos rios. Em cenários de estiagem prolongada, a operação pode exigir dragagem — um processo corretivo considerado caro e burocrático. Sem planejamento antecipado, a intervenção costuma ocorrer tarde, quando as restrições já afetam o fluxo de embarcações e elevam o custo de transporte.
Caso a capacidade fluvial diminua, o setor tende a migrar parte do volume para o modal rodoviário, justamente em regiões onde nem sempre há infraestrutura adequada para absorver aumento repentino de tráfego pesado. Essa mudança pode ampliar o desgaste de estradas, elevar o risco de interrupções e aumentar o preço do frete em um momento em que as margens do produtor já sofrem com preços internacionais mais pressionados.
A relevância do Arco Norte é evidenciada pelos volumes embarcados no início do ano. Entre janeiro e maio, as exportações de soja por esses portos somaram 21 milhões de toneladas, o equivalente a 39% do total exportado pelo país no período. Já o milho respondeu por 2,5 milhões de toneladas, representando 34% do volume nacional, conforme dados do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento.
Em destaque: com o Arco Norte concentrando uma parcela crescente do escoamento, qualquer redução na navegabilidade dos rios da Amazônia tende a impactar diretamente o custo logístico e a competitividade das exportações.
Em um cenário de restrição na navegação, o mercado avalia que o frete rodoviário pode ficar até 30% mais caro, enquanto a cabotagem pode registrar alta de cerca de 20%. O encarecimento do transporte tende a repercutir em toda a cadeia, desde a origem até os terminais de exportação, com impacto potencial sobre contratos, prazos e formação de preço.
Para o produtor, o aumento do frete tem efeito direto na rentabilidade. Em momentos de commodities com preços menores, o custo logístico ganha ainda mais peso, reduzindo a margem e dificultando decisões de comercialização e planejamento de safra.
As dificuldades no escoamento também tendem a se refletir no setor de armazenagem. A expectativa é de safra recorde de 359 milhões de toneladas no país, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. No entanto, a capacidade estática de armazenagem é estimada em 211 milhões de toneladas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Esse descompasso indica que, se a logística perder fluidez — sobretudo nas rotas do Norte —, cresce o risco de gargalos em regiões produtoras, com aumento de filas, necessidade de estocagem improvisada e pressão sobre custos operacionais.
Safra projetada: 359 milhões de toneladas
Capacidade estática: 211 milhões de toneladas
Risco em cenário de El Niño: escoamento mais lento e maior demanda por armazenagem
Entre os estados mais sensíveis a esse quadro está Mato Grosso, que vem ampliando ano após ano a participação no escoamento pelo Arco Norte e aparece entre os locais com maior déficit de armazenagem. Com a produção em alta, qualquer interrupção logística pode acelerar a necessidade de ampliar estruturas de estocagem e reforçar a importância de planejamento integrado entre transporte e capacidade de armazenar.
O debate nacional sobre infraestrutura costuma priorizar investimentos em rodovias e ferrovias, mas o cenário de El Niño reforça a urgência de olhar com mais atenção para a logística fluvial amazônica. A dependência crescente desse corredor exige planejamento para lidar com oscilações climáticas, especialmente quando a redução de chuvas compromete o nível dos rios.
Especialistas do setor avaliam que medidas preventivas, gestão de calado, integração de modais e antecipação de intervenções são pontos-chave para reduzir impactos caso o fenômeno se intensifique. A falta de previsibilidade operacional, por outro lado, pode gerar custos adicionais em cascata e reduzir a eficiência do escoamento em um dos períodos mais importantes para o agronegócio brasileiro.
Indicador Dado Por que importa Soja exportada pelo Arco Norte (jan–mai) 21 milhões de toneladas (39% do total) Mostra dependência crescente da rota amazônica Milho exportado pelo Arco Norte (jan–mai) 2,5 milhões de toneladas (34% do total) Indica impacto amplo sobre grãos, não só soja Alta estimada do frete rodoviário Até 30% Eleva custo do produtor e reduz competitividade Alta estimada na cabotagem Cerca de 20% Aumenta custos em alternativas de transporte Safra total projetada 359 milhões de toneladas Amplia necessidade de logística eficiente Capacidade estática de armazenagem 211 milhões de toneladas Evidencia déficit e risco de gargalo
Com a combinação de safra elevada, capacidade de armazenagem insuficiente e risco de redução na navegabilidade dos rios amazônicos, o El Niño pode se tornar um fator decisivo para a logística do agronegócio nos próximos meses.
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Resumo: O agronegócio brasileiro enfrenta uma confluência de fatores que pressionam margens e planejamento. A guerra no Irã aumenta custos de energia, logística e fertilizantes, e o setor encara também a volatilidade de insumos, especialmente o enxofre. Paralelamente, o El Niño, segundo a Organização Meteorológica Mundial, tem 80% de chance de se desenvolver entre junho e agosto e mais de 90% de probabilidade de permanecer ativo até novembro, impactando o período de plantio da safra 2026/2027. No Sul, deve aumentar o volume de chuvas, enquanto o Centro-Oeste enfrenta maior incerteza climática, elevando a volatilidade no cultivo.

Resumo: Nesta quinta-feira (28), Mato Grosso registra tempo estável e seco em quase todas as regiões. As manhãs são amenas, com temperaturas entre 18°C e 22°C, mas o calor se eleva à tarde, com máximas variando de cerca de 29°C a 35°C conforme a região.

A possibilidade de intensificação do El Niño no segundo semestre já mobiliza produtores, indústria e técnicos em Minas Gerais. A Cemaden aponta mais de 80% de probabilidade de um El Niño de intensidade moderada a forte, com aquecimento do oceano em torno de 1,5°C, o que pode impactar diretamente a safra 2026/27 e gerar impactos relevantes na economia do estado. Os modelos indicam aquecimento suficiente para sustentar a tendência entre setembro e outubro, mas ainda não há uma previsão de cenário extremo definitivo.
Sumário A América Latina pode enfrentar impactos desiguais se o El Niño de forte intensidade se confirmar no segundo semestre de 2026, com riscos de inflação e menor crescimento, principalmente devido aos impactos na agricultura e no setor energético.

Resumo: Nesta quarta-feira (25/03/2026), o tempo começou nublado no norte de Mato Grosso, com 20°C (sensação 21°C) e 99% de umidade.