
Consumo interno aquecido, exportações firmes e retenção de fêmeas sustentam a alta da arroba; Boi China registra avanços em importantes praças do país.
O mercado pecuário começou o período pós-Carnaval com fôlego e manutenção do viés de alta observado ao longo de fevereiro. Em Mato Grosso do Sul, as cotações da arroba do boi gordo e da vaca gorda subiram em praças relevantes como Campo Grande, Dourados e Três Lagoas, sinalizando um ambiente de negócios mais firme, com frigoríficos atuando de forma compradora.
A avaliação de analistas é que o momento combina demanda interna resistente com exportações em bom ritmo, ao mesmo tempo em que a oferta tende a ser pressionada pela retenção de fêmeas, fator que pode limitar o volume disponível para abate ao longo do ano. O cenário mantém o pecuarista atento ao comportamento da China e do câmbio, variáveis que influenciam diretamente a competitividade da carne brasileira no mercado internacional.
Destaque do mercado: frigoríficos seguem ativos nas compras, enquanto consumo doméstico e exportações ajudam a sustentar a arroba.
Em Campo Grande, a arroba do boi gordo passou a ser negociada a R$ 321,00 no pagamento à vista e R$ 325,00 no prazo de 30 dias, com aumento de R$ 5,00. A vaca gorda também avançou: R$ 301,50 à vista e R$ 305,00 a prazo, após alta de R$ 3,00.
Em Dourados, o boi gordo repetiu o movimento de valorização, sendo cotado a R$ 321,00 à vista e R$ 325,00 no prazo de 30 dias, também com aumento de R$ 5,00. A vaca gorda foi para R$ 299,50 à vista e R$ 303,00 a prazo, com alta de R$ 3,00.
Já em Três Lagoas, a arroba do boi gordo subiu para R$ 322,00 à vista e R$ 326,00 no prazo de 30 dias, registrando aumento de R$ 5,00. A vaca gorda teve avanço mais forte na comparação local, ficando em R$ 296,50 à vista e R$ 300,00 a prazo, com alta de R$ 5,00.
| Praça | Boi gordo (à vista) | Boi gordo (30 dias) | Vaca gorda (à vista) | Vaca gorda (30 dias) |
|---|---|---|---|---|
| Campo Grande | R$ 321,00 | R$ 325,00 | R$ 301,50 | R$ 305,00 |
| Dourados | R$ 321,00 | R$ 325,00 | R$ 299,50 | R$ 303,00 |
| Três Lagoas | R$ 322,00 | R$ 326,00 | R$ 296,50 | R$ 300,00 |
No mercado do Boi China, as negociações também apresentaram movimentação de preços em diferentes estados. As cotações registraram aumento entre R$ 3,00 e R$ 5,00 em praças importantes como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. No Paraná, a referência permaneceu estável.
| Estado | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| São Paulo | R$ 350,00 | + R$ 3,00 |
| Minas Gerais | R$ 335,00 | + R$ 3,00 |
| Mato Grosso | R$ 330,00 | + R$ 5,00 |
| Mato Grosso do Sul | R$ 330,00 | + R$ 5,00 |
| Goiás | R$ 330,00 | + R$ 5,00 |
| Paraná | R$ 345,00 | sem alteração |
Analistas apontam que a firmeza do boi gordo após o feriado reflete um conjunto de fatores. A demanda segue bem posicionada tanto no mercado interno quanto no externo, com exportações em patamar elevado no começo do ano. Ao mesmo tempo, o consumo doméstico tem mostrado força, sustentando preços no atacado e ajudando a manter o mercado comprador.
No lado da oferta, um dado considerado marcante por especialistas é o sinal de ajuste estrutural do rebanho: pela primeira vez, o número de bovinos abatidos superou o de bezerros nascidos, o que reforça a percepção de que a disponibilidade pode ficar mais apertada à frente.
No cenário internacional, a China permanece como destino central para a carne bovina brasileira, ainda que discussões envolvendo cotas e tarifas continuem no radar do setor. Para o produtor, acompanhar o dólar também é fundamental, já que a variação cambial altera a competitividade das exportações e pode influenciar a formação de preços no mercado interno.
Fonte: informações de consultoria especializada do setor pecuário.

Resumo: O mercado de pecuária brasileiro está em cautela após dados do Ministério do Comércio Chinês mostrarem que o Brasil já atingiu metade da cota de exportação de carne bovina para 2026, fixada em 1,106 milhão de toneladas, com previsão de alcance já em junho. Se a cota não for ampliada, o excedente da produção pode enfrentar uma tarifa de salvaguarda de 55% para entrar na China, forçando o escoamento para o mercado interno e pressionando os preços. Analistas apontam que a arroba do boi gordo deve recuar no segundo semestre, com a cotação próxima de R$ 346,50 sob pressão. Em resposta, entidades buscam diversificar mercados, ampliando vendas para a Europa e outros países asiáticos que demandam o produto brasileiro, ainda que em volumes menores que a China. Cotas de Exportação 2026 (China): Brasil 1.106.000 t; Argentina 511.000 t; Uruguai 324.000 t. Mesmo com a cautela, o consumidor pode sentir alívio nos preços nos açougues caso o volume seja redirecionado para o mercado interno. Sobre a Salvaguarda Chinesa: o teto regula o mercado interno; volumes que excedem o limite pagam 55% de tarifa adicional; a medida vale até o final de 2028, com pequenos aumentos anuais na cota. O texto encerra questionando se a queda de preço chegará à mesa do consumidor mato-grossense ou se custos logísticos manterão os valores estáveis, além de como o pecuarista deve se preparar para esse cenário.
Resumo: A pecuária brasileira enfrenta falta de vacinas contra clostridioses, com o problema transcendente não se limitando a Minas Gerais e afetando o abastecimento nacional após a saída de uma empresa que detinha cerca de 40% do mercado. A CNA informou ao MAPA que está buscando acelerar a recomposição de estoques. Na Expozebu, a CNA e o Sindan mostraram que as demais indústrias estão ampliando a capacidade de produção para atender à demanda emergencial, mas a regularização deve ocorrer somente no segundo semestre. Clostridiose é um grupo de doenças virais graves e frequentemente letais, cuja prevenção depende principalmente da vacinação. Enquanto a vacinação não está amplamente disponível, o Sistema Faemg/Senar orienta pecuaristas a reforçar boas práticas de manejo, com suplementação mineral, alimentação adequada, descarte correto de carcaças e priorização de animais não vacinados quando houver vacinas. O Mapa atribui o desabastecimento a decisões mercadológicas de fabricantes que descontinuaram produção entre o fim de 2025 e janeiro deste ano, e afirmou que atua para estimular a ampliação da fabricação e de importações, bem como acelerar fiscalização e liberação das vacinas.

A palma forrageira tem ganhado espaço em Minas Gerais, principalmente no Norte de Minas, como alternativa de alimentação do rebanho diante das secas. A 4ª edição do Palmatech ocorre até 7 de maio, em Janaúba e Nova Porteirinha, promovida pela Epamig, com o SimPalma e o PalmaDay no Campo Experimental de Gorutuba. A expectativa é de mais de 200 participantes; os painéis abordarão uso da palma na alimentação animal, formas de cultivo e manejo, desafios e pesquisas em andamento.armazenem a palma por tempo indeterminado, assegurando alimentação caso haja escassez.

Resumo: A FIAPE (Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz), em sua 38ª edição, ocorre até domingo, 3 de maio, no Parque de Feiras e Exposições de Estremoz. A organização é da Câmara Municipal, com o apoio da Associação de Criadores de Gado de Estremoz (ACORE). O destaque é o setor agropecuário, com cerca de mil animais em exposição, principalmente bovinos e ovinos. Segundo Manuel Ramalho, presidente da ACORE, a FIAPE é um espaço importante de promoção, troca e venda entre criadores; se houvesse mais espaço, haveria mais animais. Participam produtores de norte a sul do país, além de representantes estrangeiros.

A JBJ Agropecuária, controlada por José Batista Júnior (Júnior Friboi), formalizou a aquisição da Fazenda Conforto, em Nova Crixás (GO), proprietária de um dos maiores confinamentos de gado bovino do país. Júnior Friboi é irmão de Wesley e Joesley Batista, controladores da JBS. O texto também cita a expansão de uma unidade de bovinos pela Próxima MBRF no Uruguai, além de promover conteúdos sobre Valor One e ferramentas de mercado.