
Desafios e Oportunidades do Acordo Mercosul-UE: O Impacto no Setor Vitivinícola Brasileiro e o Enoturismo em São Roque
Na cidade de São Roque, a viticultura se tornou um motor econômico, destacando-se no enoturismo com experiências gastronômicas e de hospedagem. No entanto, o setor vitivinícola brasileiro enfrenta desafios ante o potencial acordo Mercosul-UE, que pode reduzir tarifas de importação. Cláudio Góes, do Grupo Góes, ressalta a necessidade de melhorar a competitividade interna para não entrar em desvantagem. Além disso, o setor lida com longos ciclos de produção e consome pouco vinho no Brasil. Problemas como tributação alta e contrabando foram apontados. A história dos Góes, iniciada nos anos 1930 em São Roque, se transformou em um negócio próspero e diversificado, com foco na experiência do consumidor. Hoje, o Grupo Góes, com uma produção de 7 milhões de litros anuais, se expandiu para o Rio Grande do Sul, inovou com a vinícola Philosofia para o segmento premium e espera triplicar a produção de vinhos premium em três anos.
São Roque Reconfigura o Setor do Vinho em Meio a Desafios Comerciais
Localizada a apenas 60 quilômetros de São Paulo, a cidade de São Roque está se destacando por transformar sua economia em torno do vinho. O que era antes uma simples compra de garrafas se transformou em uma experiência autêntica com a chegada de hospedagem, gastronomia e entretenimento nas rotas do enoturismo. No entanto, por trás desse movimento, o setor vitivinícola brasileiro enfrenta um desafio significativo com a iminência do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Impacto do Acordo Mercosul-UE
"Nem todo o agro está feliz", declara Cláudio Góes, presidente do Grupo Góes e da Anprovin (Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno). O tratado, que prevê uma redução gradual da alíquota de importação de cerca de 27%, traz preocupação ao setor.
Góes destaca que a questão não é negar a abertura comercial, mas sim buscar condições de igualdade para a competitividade do setor brasileiro. "Os países europeus estão de olho em nosso mercado e chegarão aqui com mais força", afirma ele.
Desafios Internos do Setor do Vinho no Brasil
O ciclo de produção do vinho é exigente e demorado. Desde o plantio até o produto final chegar ao mercado, anos podem se passar, especialmente para rótulos premium que exigem tempos de maturação longos.
Além disso, o consumo per capita de vinho no Brasil é baixo, permanecendo em torno de 2 litros por ano, comparado aos 60 a 70 litros na Europa e aproximadamente 20 litros em países como Argentina e Chile.
Expectativas do Setor Vitivinícola
A tributação é um dos maiores entraves, com o ICMS do vinho sendo comparado desfavoravelmente a outras bebidas. Cláudio Góes também critica os problemas relacionados a contrabando e descaminho nas fronteiras do Mercosul, além do enquadramento do vinho no debate do "imposto do pecado". "Precisamos ser reconhecidos como setor responsável pelo desenvolvimento social e econômico", afirma.
A Jornada da Família Góes
A história do Grupo Góes remonta aos anos 1930, iniciada pelo bisavô de Cláudio Góes em São Roque. Com fortes influências da imigração italiana, a produção começou artesanalmente, mas hoje conta com uma gestão profissionalizada.
Nos anos 1980, a família expandiu suas operações para o Sul do Brasil para assegurar a continuidade do negócio. No fim dos anos 1990, perceberam a necessidade de proporcionar experiências para atrair consumidores, criando, assim, um roteiro de enoturismo completo em São Roque.
Estratégias para o Futuro
Recentemente, o Grupo Góes criou a vinícola Philosofia para fortalecer sua presença no mercado de vinhos premium, com a expectativa de triplicar a produção desse segmento em três anos.
Cláudio Góes conclui que o foco em resultados e não em emoções familiares foi crucial para o sucesso sustentável da empresa.
O Vinho Brasileiro no Cenário Global
Com um crescimento per capita em ascensão, o Brasil ainda enfrenta desafios para se destacar globalmente, com a maioria da produção concentrada no Rio Grande do Sul. No cenário mundial, Itália, França e Espanha lideram, representando 60% da produção global de vinho.




