
Uma nova variedade de banana do tipo nanica (também conhecida como caturra) foi apresentada oficialmente nesta semana em Alfredo Chaves, na Região Serrana do Espírito Santo. Batizada de banana ambrosia, a cultivar começou a ser distribuída a produtores rurais, com a entrega de 1,2 mil mudas em uma ação que marca o início da expansão da variedade no estado.
Desenvolvida ao longo de duas décadas de estudos e seleções, a ambrosia foi destacada pelo Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) como uma opção com maior produtividade e melhor qualidade de fruto em comparação com variedades amplamente cultivadas. Segundo o instituto, durante avaliações de campo a planta não apresentou sintomas do mal-do-panamá e demonstrou resistência a outras doenças, um ponto considerado estratégico para a sustentabilidade da bananicultura.
A trajetória que resultou no lançamento da banana ambrosia começou ainda em 1980, quando o então Banco de Germoplasma de Banana da Emcapa — instituição que mais tarde se tornaria o atual Incaper — recebeu diferentes acessos de bananeira. O objetivo era claro: identificar novas cultivares que combinassem produtividade, qualidade e resistência às principais doenças que afetam a cultura.
Após a introdução desses materiais genéticos, os acessos passaram a ser plantados e avaliados em fazendas experimentais do instituto, localizadas em Alfredo Chaves e Cachoeiro de Itapemirim. Ao longo do processo, a ambrosia se destacou e foi selecionada como a cultivar mais produtiva, reunindo também um conjunto de características agronômicas consideradas positivas.
“Este não é um lançamento apenas para nós, capixabas. É uma vitória da ciência e da tecnologia pública”, afirmou o secretário de Agricultura do Estado, Ênio Bergoli, ao comentar o anúncio da nova variedade.
De acordo com o pesquisador do Incaper José Aires Ventura, a ambrosia pertence ao subgrupo Gros Michel e apresenta vantagens relevantes frente a variedades já consolidadas no mercado. Entre os pontos citados, estão a robustez das plantas e o potencial de formar cachos com peso médio superior a 30 kg, o que pode significar maior rendimento por área para o produtor.
Além do desempenho em campo, a qualidade do fruto também foi enfatizada. Segundo Ventura, a ambrosia apresenta teor de açúcares acima de um padrão usado como referência em outra variedade popular. Esse aspecto, medido por indicadores como o Brix, amplia a possibilidade de uso industrial, especialmente em produtos que valorizam sabor e doçura natural.
Tipo: variação ligada ao universo da banana nanica/caturra
Subgrupo: Gros Michel
Produtividade: cachos com média acima de 30 kg
Qualidade do fruto: teor de açúcares elevado, com potencial para agroindústria
Sanidade: sem sintomas de mal-do-panamá nas avaliações e resistência a outras doenças
Adaptação: tolerância a encharcamento de curto período, resistência à seca
Um dos diferenciais apontados pelo Incaper é a capacidade da banana ambrosia de manter bom desenvolvimento e crescimento mesmo em condições ambientais desafiadoras. A cultivar foi descrita como tolerante a alagamentos e/ou encharcamentos do solo por curtos períodos, especialmente durante a estação chuvosa — situação comum em diferentes áreas produtoras.
Ao mesmo tempo, também foi destacada a resistência à seca, característica que pode favorecer o manejo em períodos de estiagem e reduzir perdas, contribuindo para maior estabilidade de produção ao longo do ano.
O Incaper informou ainda que a ambrosia apresenta bom perfilhamento e características agronômicas semelhantes ou superiores às variedades do subgrupo Cavendish — grupo no qual a banana nanica é classificada. Para produtores, isso pode representar um ponto de transição mais simples, já que parte das práticas de manejo tende a ser compatível com sistemas já utilizados, embora a adoção de qualquer nova cultivar exija acompanhamento técnico para ajustes finos.
Para a cadeia produtiva, o lançamento de uma banana com alta produtividade, boa qualidade e perfil sanitário promissor pode ampliar a competitividade regional e oferecer novas possibilidades de mercado. O potencial de uso na agroindústria também chama atenção, já que frutas com maior doçura podem ser valorizadas em derivados e processados.
Para o consumidor, o destaque recai sobre a qualidade do fruto, associada a atributos de sabor e à expectativa de maior regularidade na oferta, caso a variedade se consolide e ganhe escala nos próximos ciclos de produção.
Aspecto O que foi informado Impacto esperado Produtividade Cachos com média acima de 30 kg; plantas robustas Maior retorno por área e eficiência produtiva Qualidade Teor de açúcares superior a referência citada pelo Incaper Potencial de melhor aceitação e uso industrial Sanidade Sem sintomas de mal-do-panamá nas avaliações; resistência a outras doenças Redução de risco fitossanitário e maior estabilidade Adaptação climática Tolerância a encharcamento de curto período; resistência à seca Menos perdas em eventos climáticos extremos
A entrega inicial de mudas aos produtores em Alfredo Chaves marca o começo de uma nova fase para a variedade, que agora passa a ser observada também em condições de produção comercial. A expectativa é que, com o avanço do plantio, a ambrosia se consolide como alternativa viável para áreas que buscam produtividade, qualidade e resistência a doenças, ampliando o portfólio de cultivares disponíveis e fortalecendo a fruticultura no Espírito Santo.
Contexto: a nova cultivar foi desenvolvida e avaliada pelo Incaper a partir de seleções iniciadas nos anos 1980, com testes em fazendas experimentais no Espírito Santo, e apresentada oficialmente nesta semana.

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