
As chuvas intensas típicas do inverno amazônico estão impactando diretamente a cadeia do açaí no Amapá. Em Macapá, a queda na oferta do fruto já chega a cerca de 40%, provocando alta de preços e oscilação diária no valor cobrado pelo litro.
A produção de açaí no estado depende, em grande parte, de áreas ribeirinhas onde a colheita e o escoamento exigem deslocamento por rios e acesso a regiões alagáveis. Com a sequência de dias chuvosos, produtores relatam dificuldades para entrar nas áreas de coleta e, principalmente, para transportar o fruto até a capital.
O produtor Adrison Pacheco Pereira explica que o clima interfere na rotina de quem vive do açaí, tornando o processo mais demorado e custoso. Segundo ele, quando chove, a retirada do fruto se torna mais difícil, o que pressiona o preço pago para viabilizar a chegada do produto à cidade.
“Quando chove fica muito difícil para nós tirar o açaí. Então temos que dar um preço melhor para conseguir trazer para a cidade.”
A diferença na quantidade transportada também é significativa. Em dias de tempo firme, a produção tende a aumentar e os preços recuam. No entanto, a instabilidade climática tem limitado a oferta. Adrison relata que, enquanto em um dia com clima mais favorável é possível trazer centenas de latas, em períodos de chuva a quantidade cai de forma expressiva.
Ponto-chave: com acesso comprometido e transporte mais lento, o abastecimento chega irregular a Macapá, elevando custos e reduzindo a disponibilidade do açaí nas batedeiras.
Em Macapá, a redução do volume colhido aparece rapidamente no comércio. Batedeiras registram dificuldade para manter a produção diária e, em alguns casos, a atividade é interrompida por falta de matéria-prima.
A Associação de Batedores e Produtores de Açaí do Amapá estima que a oferta do fruto caiu em torno de 40%. O presidente da entidade, Antônio Alves dos Santos, afirma que o cenário prejudica empreendedores e trabalhadores que dependem diretamente do beneficiamento do açaí para gerar renda.
“Muitos não conseguem trabalhar por causa da chuva, da falta do açaí e do preço elevado. O litro está variando entre R$ 20 e R$ 30”.
Além de afetar o funcionamento das batedeiras, a queda no abastecimento pressiona o preço final ao consumidor. Para quem compra, o aumento pesa no orçamento; para quem vende, a alta pode reduzir a demanda e dificultar a previsibilidade do negócio.
Com menos fruto disponível no mercado, o açaí ficou mais caro. A vendedora Andréa de Ataíde relata que, diante da falta do produto, o litro tem sido comercializado por valores mais elevados, o que impacta toda a cadeia — do comerciante ao consumidor final.
“Ele ficou um pouco mais caro. Hoje está saindo a R$ 26 o litro por conta da falta. Isso dificulta tanto para o consumidor quanto para nós”.
A instabilidade não se resume à alta. Representantes do setor destacam que o preço muda com frequência, acompanhando a disponibilidade diária do fruto. O secretário-geral da associação, Rony Gonçalves, compara o comportamento do mercado a uma dinâmica de variação constante, já que os valores podem subir ou cair de um dia para o outro.
“Um dia está R$ 18, no outro R$ 25 ou até R$ 30. Essa oscilação é diária”.
| Indicador | Situação durante as chuvas | Efeito prático |
|---|---|---|
| Oferta do fruto | Queda estimada em torno de 40% | Menos produto nas batedeiras e no varejo |
| Transporte | Acesso e escoamento mais difíceis | Atrasos e irregularidade no abastecimento |
| Preço ao consumidor | Faixa frequentemente citada entre R$ 20 e R$ 30 por litro | Maior custo e queda de previsibilidade no consumo |
| Oscilação diária | Variações constantes de um dia para o outro | Dificuldade para planejar compras e vendas |
Para a associação, o cenário traz preocupação não apenas pelo encarecimento do açaí, mas também pelos impactos na renda de quem trabalha diariamente no beneficiamento e na venda. Antônio Alves alerta que a instabilidade pode levar a perdas para pequenos empreendedores e trabalhadores do setor, caso a oferta continue baixa e os preços permaneçam elevados.
“Isso afeta diretamente quem trabalha beneficiando o açaí para entregar ao consumidor final. Precisamos de soluções para que o batedor não fique desempregado”.
Enquanto as chuvas persistem, produtores e comerciantes seguem monitorando o clima e a logística de transporte. A expectativa do setor é de que períodos de tempo mais firme contribuam para normalizar gradualmente a colheita, ampliar a oferta e reduzir a volatilidade no preço do litro em Macapá.

Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.