
O mercado de arroz em Santa Catarina atravessa um período de forte instabilidade e passa a concentrar atenção de indústrias, varejo e consumidores. Dados recentes do Radar Mensal da Scanntech Brasil indicam que o arroz liderou a retração na categoria de mercearia básica, registrando queda de -36,4% tanto em preço quanto em unidades vendidas.
O movimento confirma o alerta emitido pelo Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), que vem apontando sinais de crise em toda a cadeia — da indústria ao consumo doméstico — com impactos diretos na sustentabilidade do setor e no desempenho do produto nas gôndolas.
Tradicionalmente considerado um alimento essencial na mesa do brasileiro, o arroz tem perdido protagonismo no dia a dia, segundo a leitura do varejo. O relatório da Scanntech sugere que a queda não se limita a um reajuste de preços: a retração também ocorre em volume, sinalizando redução real no consumo.
Para o SindArroz-SC, uma das explicações está na mudança de hábitos alimentares, especialmente entre públicos mais jovens. A busca por refeições rápidas, soluções prontas e maior variedade de opções tem alterado a presença do arroz no carrinho de compras e na rotina doméstica.
“Se o varejo está registrando queda também em unidades, precisamos agir para reconquistar o consumidor. Isso passa por comunicação, por mostrar praticidade e por recolocar o arroz na rotina das pessoas, sem abrir mão da qualidade. É importante lembrar que o arroz é saúde e energia”, avalia Walmir Rampinelli, presidente do SindArroz-SC.
O sindicato defende que a recuperação do consumo depende de uma estratégia clara de valorização do arroz como alimento versátil, nutritivo e compatível com a rotina moderna. A ideia é reposicionar o produto não apenas como acompanhamento tradicional, mas como base para preparações práticas e adaptadas a novos estilos de vida.
Em destaque: a queda em unidades vendidas indica que o desafio vai além de preços — envolve mudança de comportamento e necessidade de reconquistar o consumidor.
Entre as alternativas para reaproximar o público — em especial o jovem — o SindArroz-SC aponta o potencial de produtos derivados, que vêm ganhando espaço em diferentes nichos de consumo. A entidade destaca que itens feitos a partir do cereal podem ajudar a ampliar o alcance do arroz para além do formato tradicional.
Biscoito de arroz como opção de lanche e substituto de snacks;
Macarrão de arroz em preparações rápidas;
Farinha de arroz para receitas e panificação;
Bebida vegetal de arroz em dietas com restrições ou preferências específicas.
A avaliação do setor é que ampliar a percepção de uso pode contribuir para reduzir a retração, estimulando diferentes perfis de consumo e conectando o produto às tendências de praticidade e diversificação alimentar.
Os efeitos da retração no varejo não ficam restritos às prateleiras. O SindArroz-SC informa que o impacto chega com força às indústrias de arroz de Santa Catarina, que enfrentam perda expressiva de receita em um cenário de custos fixos elevados.
De acordo com o sindicato, o faturamento do setor caiu mais de 40%, enquanto as despesas estruturais permanecem praticamente inalteradas. A combinação de menor demanda, compressão de margens e manutenção de custos agrava a situação financeira das empresas e aumenta a preocupação com a continuidade de operações.
Indicador Variação apontada Impacto principal Preço no varejo -36,4% Pressão sobre margens e percepção de valor Unidades vendidas -36,4% Redução do consumo e giro mais lento no varejo Faturamento industrial > 40% Risco financeiro e necessidade de ajustes operacionais
Segundo Rampinelli, as empresas têm buscado soluções internas para manter a atividade e atravessar o período de baixa. As decisões variam conforme o porte e a estrutura de cada indústria, com foco em preservar caixa e evitar rupturas na operação.
“Algumas empresas estão reduzindo despesas fixas, outras realizando cortes pontuais para equilibrar o caixa. O objetivo é garantir a sobrevivência do setor enquanto buscamos soluções junto a entidades e agentes públicos”, afirma o presidente do SindArroz-SC.
Diante do agravamento do cenário, o SindArroz-SC informa que tem ampliado conversas com governos e entidades do agronegócio em busca de caminhos que ajudem a reverter a queda, fortalecer a produção local e estabilizar a cadeia produtiva.
A expectativa do setor é que medidas de apoio e iniciativas coordenadas, como campanhas de valorização do arroz brasileiro e ações de educação alimentar, possam contribuir para recuperar o consumo nos próximos meses. Para a entidade, o desafio é reposicionar o arroz frente às transformações do comportamento do consumidor, ao mesmo tempo em que se preserva a competitividade industrial.
Panorama: a combinação de queda nas vendas, mudança de hábitos e pressão sobre o faturamento industrial coloca o arroz no centro de uma crise que exige resposta conjunta entre setor produtivo, varejo e políticas de estímulo ao consumo.
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Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.