
Com base em dados da Embrapa, zootecnista aponta que baixa eficiência, manejo inadequado e pouca adoção de tecnologia aceleram a saída de produtores e ampliam a pressão por produtividade e sustentabilidade.
A pecuária brasileira pode enfrentar uma transformação profunda nas próximas décadas. Um alerta direto aos produtores indica que, até 2040, metade dos pecuaristas pode deixar a atividade, pressionada por um conjunto de fatores que inclui degradação de pastagens, baixa eficiência produtiva e falta de adoção de tecnologia. A avaliação se apoia em dados da Embrapa e foi destacada pela zootecnista e doutora em forragicultura Janaina Martuscello, que chama atenção para o risco de perda de competitividade do setor.
Segundo a especialista, o cenário futuro tende a ser mais exigente: permanecerão na atividade os pecuaristas capazes de produzir mais e melhor em menor área, com maior domínio técnico e decisões embasadas em indicadores de desempenho. “A pecuária que não investir em manejo adequado e intensificação sustentável pode perder espaço para a lavoura”, sinaliza a análise apresentada, apontando uma disputa crescente pelo uso da terra.
A principal pressão destacada é a degradação das pastagens, que reduz a capacidade de suporte do solo e compromete o ganho de peso, a taxa de lotação e, consequentemente, a rentabilidade. Em muitos casos, pastos degradados exigem mais área para manter o mesmo nível de produção, elevando custos e ampliando a vulnerabilidade do sistema produtivo.
Outro ponto central é a baixa eficiência produtiva. Sistemas que não acompanham a evolução tecnológica tendem a apresentar menor desempenho por hectare, dificuldade de planejamento e menor capacidade de adaptação às exigências de mercado, incluindo padrões de qualidade, rastreabilidade e metas de sustentabilidade.
Em destaque: o recado é claro: sem manejo, correção de solo e tecnologia, a pecuária perde competitividade e abre espaço para outras atividades no campo.
A especialista reforça que a sustentabilidade e a produtividade caminham juntas quando o foco está em intensificação sustentável. Isso significa elevar o desempenho por área sem ampliar a fronteira, priorizando eficiência no uso de recursos e estabilidade do sistema ao longo do tempo.
Entre as medidas destacadas como decisivas para evitar a perda de espaço da pecuária, estão:
Manejo adequado das pastagens, com planejamento e ajustes ao longo do ano;
Correção de solo, garantindo condições para o crescimento vigoroso da forrageira;
Ajuste da taxa de lotação, evitando superpastejo e queda de produtividade;
Intensificação sustentável, elevando a produção por hectare com base técnica.
A mensagem central é que a pecuária não tende a desaparecer, mas a forma de produzir deve mudar. Em um ambiente de margens mais apertadas e maior cobrança por eficiência, conhecimento técnico e gestão deixam de ser diferenciais e passam a ser pré-requisitos.
Um dos sinais mais importantes apontados pela análise é a disputa por terra. Pastagens degradadas e baixa produtividade por hectare tornam a pecuária mais frágil frente à atratividade econômica de culturas agrícolas. Com isso, propriedades que não modernizarem seus sistemas podem ver a atividade pecuária perder protagonismo — seja pela conversão de áreas, seja pela redução gradual do rebanho.
Para a especialista, a estratégia de permanência passa por produzir mais em menos área, elevando a eficiência do pasto e reduzindo perdas. Esse movimento também se relaciona à sustentabilidade, já que a intensificação bem conduzida diminui a pressão por abertura de novas áreas e melhora o aproveitamento de recursos já disponíveis.
Fatores que aceleram a saída Medidas para permanecer competitivo Degradação de pastagens e queda da capacidade de suporte Manejo planejado e recuperação/renovação de pastos com base técnica Baixa eficiência por hectare e custos crescentes Intensificação sustentável e gestão orientada por indicadores Pouca adoção de tecnologia e decisões sem suporte técnico Adoção de boas práticas, capacitação e suporte agronômico/zootécnico Taxa de lotação incompatível com o pasto Ajuste de lotação e correção de solo para sustentar maior produtividade
Na visão apresentada, a pecuária do futuro será mais seletiva: quem não acompanhar práticas modernas tende a enfrentar perda de rentabilidade e maior risco de abandono da atividade. Por outro lado, sistemas bem manejados conseguem melhorar a produtividade do rebanho, a estabilidade do pasto e o retorno econômico, especialmente quando combinam técnica, planejamento e disciplina operacional.
A projeção de saída de produtores até 2040 funciona como um alerta para o presente. A decisão de investir em manejo, correção de solo e ajustes de lotação não é apenas uma escolha produtiva, mas uma resposta estratégica a um cenário em que eficiência e sustentabilidade se tornam essenciais para competir por mercado e por área.
Em síntese, a recomendação é que o produtor trate o pasto como um ativo que exige manutenção contínua. A pecuária a pasto pode ser altamente competitiva, mas depende de gestão técnica, rotinas de monitoramento e adoção de tecnologias compatíveis com a realidade de cada propriedade.
Palavras-chave para o produtor: manejo de pastagens, correção de solo, taxa de lotação, intensificação sustentável, eficiência produtiva.

É Apontado a ausência de legislação específica para turismo rural e os entraves jurídicos, agravados pela reforma tributária, que dificultam a formalização de empreendedores e a construção de uma Política Nacional de Turismo Rural.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: Um estudo publicado na Science aponta que o impacto ambiental do uso de agrotóxicos aumentou entre 2013 e 2019, contrariando a meta da COP15 de reduzir os riscos em 50% até 2030. Ao avaliar 625 substâncias em 201 países pelo indicador Toxicidade Total Aplicada (TAT), seis dos oito grupos apresentaram crescimento de risco: artrópodes terrestres (+6,4% ao ano), organismos do solo (+4,6%), peixes (+4,4%), invertebrados aquáticos (+2,9%), polinizadores (+2,3%) e plantas terrestres (+1,9%), enquanto plantas aquáticas e vertebrados terrestres recuaram. O Brasil está entre os países de maior intensidade de impacto por área, junto com China, EUA e Argentina; juntos Brasil, China, EUA e Índia respondem por 53% a 68% do impacto total. Em média, 20 substâncias por país respondem por mais de 90% do impacto, com destaque para inseticidas (piretroides, organofosforados, neonicotinoides), herbicidas de alto volume (acetoclor, paraquat, glifosato) e fungicidas usados em sementes e manejo do solo. O aumento do impacto acompanha a expansão de áreas cultivadas e a intensificação produtiva, gerando custos indiretos para biodiversidade, polinizadores e ecossistemas aquáticos. Entre 65 países analisados, apenas o Chile deve atingir a meta de redução; Brasil e outros precisarão retornar a níveis de risco de mais de 15 anos atrás.

Alunos do 4º e 5º ano da ETI Fidêncio Bogo, na zona rural de Palmas, estão colhendo milho cultivado como parte de um projeto educacional integrado à disciplina de Agroecologia e Saberes do Campo. Além da prática agrícola completa, que envolveu desde o preparo do solo até a colheita, o projeto destacou-se pela sustentabilidade. Resíduos do milho serão usados para adubo orgânico, fechando o ciclo sustentável e promovendo a consciência ambiental. O milho colhido contribuirá para a alimentação escolar, e a iniciativa fortaleceu o protagonismo estudantil e a valorização dos saberes do campo.