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Os preços do boi gordo continuam em patamar elevado na reta final de fevereiro, mantendo o mercado aquecido e com expectativas positivas para a pecuária de corte. Em São Paulo, referência nacional para a formação de preços, o Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq operou acima de R$ 330 por arroba em praticamente todo o mês.
Até o dia 24, o indicador acumulava valorização de 7,1%, indicando que fevereiro caminha para ser um dos períodos mais favoráveis do ano para o pecuarista. O cenário é sustentado por uma combinação de fatores que envolvem oferta restrita, demanda interna firme e exportações em nível recorde, além de reflexos no mercado de reposição.
O principal elemento por trás da alta é a escassez de animais terminados para abate. Pesquisadores do Cepea apontam que a baixa disponibilidade de bois acabados segue como o vetor central de sustentação das cotações, reduzindo o poder de barganha dos frigoríficos e mantendo a arroba valorizada.
Com menos boi pronto no mercado, compradores precisam ajustar preços para preencher escalas, o que ajuda a explicar a firmeza observada ao longo de fevereiro. Esse contexto é especialmente relevante porque a restrição de oferta não aparece isolada: ela se soma a uma demanda que, até aqui, segue resiliente.
Além da oferta curta, o consumo doméstico permanece aquecido, contribuindo para que as cotações se mantenham em nível elevado. A leitura do Cepea é de que a combinação entre demanda firme e disponibilidade limitada cria um ambiente favorável para a manutenção dos preços.
Na prática, quando o consumo interno não perde tração, o mercado tem menos espaço para correções bruscas, sobretudo em um mês marcado por oferta enxuta. Ainda assim, analistas acompanham sinais do varejo e do atacado para avaliar até quando a demanda conseguirá absorver preços mais altos.
O mercado externo também tem papel decisivo na sustentação do boi gordo. As exportações de carne bovina registram desempenho recorde no início do ano, o que fortalece o preço da arroba ao direcionar uma parcela relevante da produção para fora do país.
Com maior volume embarcado, a oferta disponível ao mercado interno tende a ficar ainda mais enxuta. Esse movimento amplia o suporte às cotações e ajuda a explicar por que o boi gordo encontra sustentação tanto pelo lado doméstico quanto pelo lado externo.
Resumo do cenário: exportações fortes reduzem a disponibilidade interna e reforçam o ambiente de preços firmes, especialmente quando a oferta já está curta.
A firmeza não fica restrita ao boi gordo. No mercado de reposição, a valorização também aparece, refletindo o ambiente de maior sustentação na pecuária de corte. O bezerro Nelore de 8 a 12 meses negociado em Mato Grosso do Sul registrou alta de 4,56% na parcial de fevereiro, considerando dados até o dia 24.
O avanço acompanha a menor disponibilidade de animais jovens, fator que pressiona os preços da reposição para cima. Em momentos em que a base produtiva fica mais enxuta, criadores e invernistas tendem a competir mais pelos lotes disponíveis, elevando as cotações e realimentando o ciclo de valorização.
Oferta reduzida de animais jovens em algumas praças.
Expectativa de preços firmes para o boi gordo, melhorando a relação de troca em diferentes estratégias.
Competição por lotes bem padronizados, especialmente em momentos de menor disponibilidade.
Para o curto prazo, o Cepea destaca que a continuidade da valorização dependerá de um conjunto de variáveis que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda. Entre os fatores monitorados estão:
Ritmo das exportações de carne bovina e a manutenção do apetite externo.
Entrada de animais de confinamento, que pode aumentar a oferta em determinados períodos.
Comportamento da demanda doméstica, especialmente diante de preços elevados.
Além desses pontos, o calendário de consumo entra no radar. O período pós-carnaval e a Quaresma tradicionalmente alteram padrões de compra de proteínas no Brasil. Dependendo de como o consumidor reage, pode haver mudanças na dinâmica do mercado, com impactos sobre a sustentação dos preços.
Em síntese, a avaliação é de que o mercado segue com viés de firmeza, mas o fôlego da alta será determinado pela interação entre exportações, oferta de animais prontos (incluindo confinamento) e demanda interna nas próximas semanas.
Indicador Resultado Leitura de mercado Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq (SP) Acima de R$ 330/arroba Firmeza sustentada por oferta curta e demanda estável Variação acumulada do indicador (até dia 24) +7,1% Fevereiro entre os meses mais positivos para o pecuarista Bezerro Nelore 8 a 12 meses (MS, até dia 24) +4,56% Reposição acompanha firmeza e oferta enxuta
O mercado segue atento aos próximos movimentos, especialmente diante da combinação de oferta limitada, exportações fortes e mudanças sazonais no consumo. A tendência dos preços da arroba dependerá da intensidade desses fatores no curto prazo.
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Resumo: A Abramilho acompanha com apreensão a guerra entre EUA, Israel e Irã, destacando o Irã como principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de milho. Entre 2020 e 2025, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de milho brasileiro, cerca de 20% das exportações brasileiras no último ano, com aproximadamente 80% do milho importado pelo Irã vindo do Brasil. O Irã também exporta ureia (184,7 mil toneladas no último ano), mas suas vendas diretas ao Brasil são limitadas por sanções; em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos. Há suspeitas de Triangulação de Carga para driblar restrições. No Brasil, a demanda interna supera a produção neste período, com a primeira safra em torno de 26 milhões de toneladas e o consumo no primeiro semestre chegando a cerca de 50 milhões de toneladas, com as exportações de milho previstas para se intensificarem a partir da segunda colheita. A entidade alerta que a escalada do conflito pode influenciar o cenário futuro, mas, enquanto não houver ataques que comprometam portos por razões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado.

Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.