
Mercado de Terras e Arrendamentos Agrícolas no Brasil: Cenário Atual e Perspectivas
O cenário do mercado de terras e arrendamentos agrícolas no Brasil está em transformação. Segundo Leydiane Brito, analista da S&P Global, os preços globais da soja e do milho enfrentam uma estabilização, consequência de uma oferta abundante dessas commodities. Esse ambiente de preços estáveis pode manter os valores de arrendamento sob controle, a menos que surjam novos fatores que impactem significativamente o mercado.
O último semestre trouxe variações nos preços de arrendamentos em diferentes regiões do Brasil. No Sudeste, houve um aumento de 4,3% nos preços dos arrendamentos, influenciado principalmente pelos setores de café e pastagens. Estas áreas, muitas vezes, são arrendadas com vistas à conversão para agricultura ou para programas de integração gado-agricultura. Em contraste, a região Sul, que possui o segundo maior valor de arrendamento do país, registrou uma redução de 9,9%, com o preço médio caindo para R$ 2.342 por hectare.
Produtores que alugaram terras em momentos de preços mais elevados enfrentam dificuldades para manter margens de lucro, já que as cotações dos grãos – usados como referência – não estão favoráveis. Moacir Smaniotto Júnior, diretor-executivo da GMS, ressalta que em regiões onde o arrendamento custa entre 15 a 18 sacos por hectare, a margem de lucro para a soja é praticamente nula.
Além disso, a pesquisa da S&P indica um ligeiro aumento no mercado de terras, especialmente no último trimestre de 2025, com o valor médio das áreas agrícolas brasileiras subindo 1,63% em comparação ao ano anterior. As áreas destinadas a grãos tiveram um aumento de 0,89%, alcançando R$ 56.323 por hectare.
A perspectiva futura deste mercado sugere a manutenção de preços com variações moderadas, devido à baixa liquidez observada. Aumentos nos estoques de grãos e preços mais estáveis de soja e milho são mencionados pela analista Brito como fatores contribuintes.
Questões como juros altos, estreitamento das margens de lucro e restrições de crédito têm dificultado a realização de negócios em grande escala. Em meio a esse ambiente restrito de negócios, os preços devem permanecer estáveis.
Investidores que buscam oportunidades encontram regiões propícias à valorização, principalmente em áreas de pastagem degradadas com potencial para conversão em lavouras – uma prática que pode resultar em ganhos significativos de capital a longo prazo, segundo Brito.
No lado das vendas, o endividamento elevado está levando muitos produtores a vender parte de suas terras em busca de liquidez. Mario Lewandowski, diretor de novos negócios da gestora AGBI, observa uma disposição crescente dos produtores em negociar terras por preços menores, agravado pelo aumento dos custos de insumos e restrições de crédito. A situação é mais crítica no Rio Grande do Sul, onde o alto endividamento dos produtores, devido às adversidades climáticas, resultou em um movimento defensivo do mercado de terras.
Daniel Meireles, diretor da Acres, destaca que o mercado de terras no Rio Grande do Sul está se adaptando a essa nova realidade, com expectativas de redução de área plantada e uso de tecnologia nos próximos ciclos como medidas para evitar colapsos financeiros.
Conclusão: Um Mercado em Transformação
O mercado de terras e arrendamentos agrícolas no Brasil está passando por uma evolução significativa. Com desafios de crédito e mudanças nas dinâmicas de preços das commodities, o setor agropecuário brasileiro está se reconfigurando para se adaptar a novas condições econômicas.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.