
Exportações de melão do Brasil caem 18% em janeiro; América Central avança com Costa Rica e Guatemala e expectativa de recuperação na entressafra
Exportações de melão do Brasil em janeiro recuaram 18% versus dezembro, totalizando 32,7 mil toneladas, com receita caindo 16% para quase US$ 28 milhões (FOB).
Exportações de melão do Brasil recuam em janeiro com fim de safra no Nordeste e aumento da concorrência externa
As exportações brasileiras de melão começaram o ano em baixa. Dados do Comex Stat mostram que, em janeiro, o país embarcou 32,7 mil toneladas da fruta, uma queda de 18% em relação a dezembro. A receita também diminuiu: o faturamento ficou próximo de US$ 28 milhões (FOB), recuo de 16% no comparativo mensal.
Segundo análises do Hortifrúti/Cepea, o movimento está ligado à reta final da campanha 2025/26 no Rio Grande do Norte e no Ceará, os principais polos exportadores do melão brasileiro. Com o encerramento gradual das colheitas nesses estados, o volume disponível para os embarques internacionais tende a diminuir, pressionando os resultados no início do ano.
Colheitas antecipadas e efeito das chuvas influenciam o volume exportado
Um dos fatores que ajudaram a explicar a retração foi a decisão de parte dos produtores de antecipar o corte dos frutos. O objetivo foi reduzir riscos associados ao período chuvoso típico do Nordeste entre janeiro e março.
Mesmo com previsão de precipitações abaixo da média, houve propriedades em que a colheita terminou antes do cronograma original. Esse ajuste de estratégia diminuiu a oferta exportável no primeiro mês do ano e contribuiu para o recuo tanto do volume quanto do valor embarcado.
Destaque: a antecipação de colheitas, feita como medida preventiva para o período de chuvas, reduziu a disponibilidade do melão brasileiro para exportação em janeiro.
América Central amplia presença e acirra disputa na entressafra
Enquanto o Brasil reduz seus embarques, países da América Central avançam no mercado internacional. Informações setoriais apontam expansão produtiva na Costa Rica, com aumento de área plantada, e projeções de maior volume exportado pela Guatemala nesta temporada.
Para o setor brasileiro, esse movimento pode significar maior pressão competitiva principalmente durante a entressafra, entre abril e junho. Nos últimos dois anos, o Brasil vinha registrando volumes acima da média nesse intervalo, ocupando espaço importante no comércio internacional quando outras origens apresentam menor disponibilidade.
O que muda com a concorrência regional
Mais oferta no mercado externo em períodos críticos pode reduzir o espaço do produto brasileiro.
Entressafra mais disputada tende a exigir maior planejamento logístico e comercial.
Pressão por competitividade pode aumentar a importância de qualidade, padronização e regularidade de envio.
Mesmo com queda em janeiro, safra 2025/26 mantém desempenho acumulado positivo
Apesar do recuo pontual no primeiro mês do ano, o balanço parcial da temporada ainda é favorável. Entre agosto e janeiro, o Brasil exportou 194,1 mil toneladas de melão, o que representa alta de 6% na comparação com o mesmo período da safra anterior (2024/25).
O resultado acumulado indica que, até aqui, o setor conseguiu sustentar bom ritmo de vendas externas, mesmo com ajustes no calendário de colheita e com a transição para o final do ciclo nos principais estados produtores.
Resumo dos indicadores de exportação
Período Volume exportado Receita (FOB) Variação Janeiro 32,7 mil toneladas Próxima de US$ 28 milhões Queda vs. dezembro (volume e receita) Agosto a janeiro (safra 2025/26) 194,1 mil toneladas Acumulado do período Alta de 6% vs. 2024/25
Perspectivas: clima pode antecipar a próxima safra e acelerar retomada dos embarques
Para o próximo ciclo, as expectativas estão ligadas ao comportamento do clima no Nordeste. Com a previsão de chuvas abaixo da média no Rio Grande do Norte e no Ceará, agentes do setor avaliam que a safra 2026/27 pode ser antecipada.
Na prática, isso significaria o início da colheita e do fluxo de exportação entre junho e julho, e não em agosto, como tradicionalmente ocorre. Se confirmada, a antecipação pode encurtar o intervalo de menor oferta e favorecer uma retomada mais rápida das exportações brasileiras no segundo semestre.
A perspectiva é vista como um ponto de atenção estratégico para a manutenção do protagonismo do Brasil no mercado internacional de melões, especialmente em um cenário de concorrência crescente de outros países produtores.
Em síntese
Janeiro teve queda de volume e receita nas exportações de melão.
O recuo está ligado ao fim da safra 2025/26 em RN e CE e à antecipação de colheitas.
Concorrência da América Central pode limitar espaço do melão brasileiro na entressafra.
O acumulado da safra segue positivo, e o clima pode antecipar a temporada 2026/27.
Com o mercado internacional atento a oferta e janela de abastecimento, o desempenho dos próximos meses deve depender do equilíbrio entre o encerramento da campanha atual, a disputa na entressafra e a capacidade do setor de se reorganizar para aproveitar o início do segundo semestre — período considerado crucial para a competitividade do melão brasileiro.




