
A Corteva reafirmou que pretende concluir, no quarto trimestre de 2026, a separação de suas operações em duas companhias independentes e listadas em bolsa. O cronograma foi confirmado durante uma conferência do Bank of America, com a estratégia voltada a dar mais foco e agilidade a negócios com dinâmicas distintas: proteção de cultivos e sementes com genética avançada.
A cisão deverá resultar em uma empresa dedicada a proteção de cultivos (defensivos e soluções biológicas) e outra voltada a sementes e genética avançada. Segundo a administração, a definição das sedes, das lideranças e do CEO da “nova Corteva” deve ser anunciada ainda no primeiro semestre.
A companhia também antecipou que a duplicação de estruturas, com conselhos e equipes executivas separadas, deverá gerar um impacto financeiro líquido na ordem de US$ 100 milhões por ano.
Tema O que a Corteva informou Prazo Separação concluída no 4º trimestre de 2026 Novas empresas Uma focada em proteção de cultivos e outra em sementes e genética Anúncios esperados Sedes, lideranças e CEO definidos no 1º semestre Custo anual estimado Impacto líquido de cerca de US$ 100 milhões
No negócio de proteção de cultivos, executivos avaliaram que o setor atravessa um ciclo de baixa mais associado à oferta do que à demanda. A leitura da empresa é que o consumo segue resiliente, enquanto o cenário de mercado foi pressionado por fatores de disponibilidade de produtos.
Para 2026, a Corteva projeta expansão do mercado, com crescimento em volume e pressão nos preços. A companhia citou ainda uma demanda global considerada consistente e apontou potencial de consolidação no segmento, sinalizando que movimentos estratégicos podem ganhar força conforme o ciclo evolui.
Resumo do cenário: a empresa enxerga um mercado pressionado pela oferta, mas com demanda global consistente e perspectiva de melhora em 2026.
A Corteva afirmou manter um pipeline avaliado em US$ 9 bilhões em proteção de cultivos, com destaque para meia dúzia de novos ingredientes ativos e um conjunto de soluções em biológicos. A estratégia busca ampliar opções tecnológicas e atender diferentes realidades agronômicas, em um mercado cada vez mais orientado por eficiência e produtividade.
Pipeline: US$ 9 bilhões em proteção de cultivos
Novos ingredientes ativos: cerca de meia dúzia em desenvolvimento
Biológicos: expansão do portfólio com múltiplas soluções
Tendência setorial: demanda consistente e possibilidade de consolidação
No segmento de sementes, a empresa reforçou a estratégia de licenciamento de tecnologia como vetor de competitividade e geração de valor. Segundo a administração, a posição líquida de royalties deve alcançar neutralidade em 2026, uma melhora antecipada em dois anos em relação ao que se projetava anteriormente.
A evolução é significativa quando comparada ao histórico recente: há cinco anos, o saldo negativo de royalties era estimado em cerca de US$ 700 milhões. A companhia entende que o equilíbrio na balança de pagamentos de tecnologia pode contribuir para maior previsibilidade financeira e reforçar a capacidade de reinvestimento em pesquisa.
Destaque: a neutralidade de royalties em 2026 é vista como um marco, reduzindo um desequilíbrio que já chegou a aproximadamente US$ 700 milhões no passado recente.
Outro ponto apresentado foi a aposta em trigo híbrido, tecnologia que a Corteva planeja lançar nos Estados Unidos em 2027. A empresa calcula um potencial de receita de US$ 1 bilhão ao longo da próxima década, indicando confiança na adoção do produto e na relevância comercial do desenvolvimento.
A expectativa é que a inovação amplie alternativas para produtores e fortaleça a posição da companhia em um mercado que busca ganhos de produtividade e estabilidade de performance, especialmente em um contexto de custos e clima cada vez mais desafiadores.
2026: conclusão prevista da cisão e foco operacional por negócio
2026: neutralidade de royalties no segmento de sementes
2027: lançamento planejado do trigo híbrido nos EUA
Próxima década: potencial estimado de US$ 1 bilhão em receitas com a nova tecnologia
Com a confirmação do cronograma, a atenção do mercado deve se voltar aos próximos anúncios sobre governança e comando das futuras empresas. A definição de sedes, estruturas de liderança e estratégia executiva tende a ser decisiva para sinalizar como cada operação será posicionada, quais serão as prioridades de investimento e de inovação, e de que forma a Corteva pretende capturar oportunidades em um ambiente global competitivo.
Ao separar proteção de cultivos e sementes e genética, a empresa busca reforçar a especialização de cada unidade e melhorar a capacidade de resposta às mudanças de ciclo, preços e adoção tecnológica — um movimento que pode influenciar estratégias de concorrentes e acelerar discussões sobre consolidação e novos lançamentos.

O Brasil tem energia barata e espaço para crescer na produção de soja, especialmente em áreas de pastagens degradadas, o que motiva a ADM a ampliar sua capacidade de esmagamento no país. Jayson Lee, vice-presidente da empresa para esmagamento de grãos e análise de riscos na América Latina, aponta o Brasil como....

O custo com insumos para a safra de soja 2026/27 está 20% acima da média dos últimos cinco anos, segundo a Agrinvest Commodities. Em maio, o pacote de insumos por hectare chegou a 33,2 sacas de soja, o que representa um aumento de 5,7 sacas/ha frente à média dos últimos sete anos e 2,8 sacas/ha acima do mesmo período do ano passado.

Em maio de 2026, as exportações brasileiras de soja mostram ritmo sólido, com média diária de embarques de 758,8 mil toneladas, 13% acima de maio de 2025 (671,4 mil t/d). Até a terceira semana, o acumulado parcial é de 11,38 milhões de toneladas, abrindo a possibilidade de superar as 14,10 milhões de toneladas de maio do ano anterior, dependendo dos últimos cinco dias úteis do mês.

Em Mato Grosso, o custo de produção do milho para a safra 2026/27 subiu para R$ 3.686,80/ha em março de 2026, alta de 3,38% frente ao mês anterior, puxado por fertilizantes (R$ 1.474,59/ha, +5,67%) e defensivos (R$ 895,70/ha, +3,12%), em meio a tensões globais de oferta. Com o preço médio do milho projetado em R$ 43,48/saca, o produtor precisa de 99,06 sacas/ha de ureia, 125,37 sacas/ha de MAP e 81,85 sacas/ha de KCl para comprar uma tonelada de cada insumo, indicando encarecimento relativo.

Abiove projeta processamento de soja no Brasil em 2026 de 62,2 milhões de toneladas (+1,1% frente à estimativa anterior; +6,0% vs 2025), impulsionado pela safra robusta e demanda por derivados. Farelo: 47,9 Mt (+1,1%); óleo: 12,5 Mt (+1,2%).