
A Agritech, fabricante de tratores compactos de até 50 cavalos de potência, encerrou o último ano com faturamento de R$ 250 milhões e crescimento de 18%. Controlada pelo Grupo Agrale, a empresa tem na agricultura familiar seu principal mercado e mantém forte dependência das linhas oficiais de crédito para sustentar as vendas. Para 2026, a projeção é de um avanço mais moderado, na casa de 10%.
Segundo Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, CEO da companhia, o foco no pequeno produtor é parte central da estratégia. “A gente sempre trabalhou muito voltado para a agricultura familiar. Esse é o nosso principal mercado”, afirma.
A empresa informa que aproximadamente 50% das operações estão ligadas ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Na avaliação do executivo, o programa é determinante para viabilizar a mecanização do pequeno agricultor, especialmente em um contexto de custos elevados e necessidade de ganhos de produtividade.
Destaque: “O Pronaf representa metade das nossas operações. É um programa essencial para viabilizar a mecanização do pequeno agricultor.”
A outra metade das vendas é viabilizada por diferentes modalidades de financiamento, como Finame, Moderfrota, além de consórcios e recursos próprios dos clientes. No entendimento da empresa, essas alternativas ajudam a equilibrar a demanda, mas ainda não substituem o peso do crédito direcionado ao público do campo que atua em menor escala.
Apesar do desempenho positivo da Agritech, o ano foi marcado por desafios no ambiente de financiamento. A execução mais lenta do Plano Safra e o patamar de juros elevados reduziram o ritmo de compra de máquinas no setor.
De acordo com a companhia, embora o programa tenha sido anunciado no meio do ano, apenas cerca de 35% dos recursos foram efetivamente liberados no período, o que dificultou o planejamento de produtores e revendas.
“Isso naturalmente tira o ritmo do setor. O produtor até tem interesse, mas depende da liberação do crédito”, afirma Cesar. Para o ano em curso, a expectativa é de um cenário mais favorável, com maior disponibilidade de recursos. “Acreditamos que haverá maior oferta de recursos. Historicamente, em ano eleitoral, há um esforço maior nesse sentido”, complementa.
O consórcio tem ampliado participação nas vendas, embora ainda represente uma fatia menor no segmento de agricultura familiar. Segundo o CEO, no público atendido pela Agritech, cerca de 10% das vendas já ocorrem por essa modalidade.
A empresa observa que, em perfis de maior escala, o consórcio avança de forma mais rápida. Considerando o total de máquinas comercializadas, o consórcio alcança 22% das vendas, reforçando a tendência de diversificação do financiamento no setor de máquinas agrícolas.
Modalidade Papel nas vendas Observação Pronaf Base principal Responde por cerca de 50% das operações Finame e Moderfrota Complementares Apoiam compras fora do escopo do Pronaf Consórcio Em expansão No segmento da empresa, cerca de 10%; no total, 22% Recursos próprios Alternativa Mais comum quando o produtor tem caixa ou adia o financiamento
Especializada desde a origem em tratores compactos, a Agritech ampliou a atuação nesse nicho com a criação do Pronaf. Entre os produtos citados como destaque está o microtrator, posicionado como a primeira aquisição de muitos produtores que estão iniciando o processo de mecanização.
O equipamento é descrito pela companhia como uma alternativa para quem está migrando do trabalho manual para uma solução motorizada. “É a primeira máquina quando o produtor deixa a enxada. Ele faz praticamente tudo o que um trator tradicional faz, mas com um investimento mais acessível”, afirma o CEO.
Aplicações mais comuns: hortaliças, milho em pequena escala e fruticultura
Faixa de preços: entre R$ 37 mil e R$ 60 mil, variando conforme implementos
Proposta: reduzir barreiras de entrada para a mecanização na agricultura familiar
Entre os mercados regionais, o Rio Grande do Sul concentra a maior base de clientes da Agritech. A empresa associa esse resultado ao perfil de produtores familiares com elevado nível de profissionalização e adoção de tecnologia, o que impulsiona a demanda por máquinas adequadas a propriedades menores.
A Agritech era ligada à Yanmar, que encerrou suas atividades agrícolas no Brasil no início dos anos 2000. Posteriormente, a marca passou ao controle do Grupo Agrale, que assumiu as operações e retomou as atividades em 2017. Hoje, a empresa pertence integralmente ao grupo e mantém unidades industriais vizinhas em Indaiatuba (SP).
Com crescimento expressivo no último ano e uma estratégia ancorada em crédito rural, Pronaf e soluções de mecanização para agricultura familiar, a Agritech mira 2026 com expectativa de expansão mais gradual, acompanhando o ritmo de liberação de recursos e as condições de financiamento no campo.
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Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.

Resumo: O atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, deverá assumir o Ministério da Agricultura a partir de abril. Carlos Fávaro deixará o comando da pasta para concorrer nas eleições de outubro e não conseguiu indicar um sucessor.

Resumo: O microcrédito rural especialmente via Banco do Nordeste (BNB), tem sido divisor de águas para produtores familiares em Minas Gerais. A trajetória de Ovídio Soares Vilela, que em 1973 vendia apenas 13 litros de leite por dia e hoje gerencia uma fazenda com 25 funcionários e produção diversificada, ilustra a transformação possibilitada por linhas de crédito com juros baixos e prazos maiores.

Resumo: O Golfo Pérsico enfrenta o maior desafio de segurança alimentar desde 2008, com o conflito com o Irã ameaçando o serviço de portos e interrompendo a navegação pelo Estreito de Ormuz. A recente escalada indica que o Irã intensifica sua retaliação, lançando novos ataques contra países vizinhos e ampliando a instabilidade regional.

Resumo: O Brasil ficará com 42,5% da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo Mercosul–União Europeia, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse rateio foi definido por um entendimento firmado entre associações setoriais do Mercosul, com base no peso relativo das exportações de cada país. O acordo estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas, divididas em 55 mil toneladas de carne fresca/refrigerada e 44 mil de carne congelada, com tarifa de 7,5%. A implementação será gradual ao longo de seis anos. Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a UE variaram nos últimos anos entre 3 mil e 7 mil toneladas mensais, com valores entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, refletindo a valorização da proteína no mercado internacional.